POLÍTICA
07/10/2018 20:52 -03 | Atualizado 07/10/2018 23:51 -03

Jair Bolsonaro e Fernando Haddad vão ao 2º turno disputar Presidência

Candidatos do PSL e do PT foram os mais votados no 1º turno e decidem pleito no próximo dia 28 de outubro.

Reuters Photographer / Reuters
Bolsonaro x Haddad: Polarização está mantida para o 2º turno.

A polarização entre petistas e antipetistas, que marcou toda a campanha presidencial no Brasil até a realização do 1º turno das eleições neste domingo (7), se confirmou nas urnas.

Após 96% das urnas apuradas, Jair Bolsonaro, candidato do PSL, e Fernando Haddad, substituto de Lula e representante do PT na corrida pela presidência da República, não puderam mais ser alcançados, e decidirão o sucessor de Michel Temer no 2º turno, dia 28 de outubro.

O deputado, líder das pesquisas de intenção de voto desde que o nome de Luiz Inácio Lula da Silva foi retirado das opções, recebeu 46,62% dos votos (cerca de 47 milhões), enquanto Fernando Haddad, herdeiro da vaga do ex-presidente da República, ficou com 28,5% (pouco mais de 29 milhões), na 2ª posição.

Ciro Gomes (PDT), que se apresentou durante toda a campanha como opção de 3ª via em meio à polarização que tomou conta do País, cresceu nas últimas pesquisas e chegou a liderar os trending topics no Twitter com a hashtag #ViraViraCiro, mas não o suficiente para tirar o candidato petista do 2º turno. Ele teve pouco mais de 12% dos votos válidos (quase 13 milhões).

Geraldo Alckmin (PSDB), com 4,85% e João Amoedo (Novo), com 2,6% foram os outros candidatos mais votados no pleito para presidente da República.

Sensação dos debates na televisão, Cabo Daciolo (Patriotas) surpreendeu ao ter 1,25% dos votos, à frente de Henrique Meirelles (MDB), Marina Silva (Rede), Álvaro Dias (Podemos) e Guilherme Boulos (Psol).

Montagem sobre fotos Reuters e Getty Images
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Passado o 1º turno e mantido o cenário de polarização na luta pela Presidência, o eleitor que não teve a felicidade de ver seu candidato seguir adiante na corrida pela sucessão de Michel Temer agora terá de escolher um lado na "guerra" entre petistas e antipetistas.

Em um deles estará Jair Bolsonaro, que adotou a onda do antipetismo desde o início de sua campanha presidencial e insistiu em se vender como único candidato em condições de promover uma faxina em Brasília e devolver a moralidade ao País. O fato de não ser alvo da Operação Lava Jato também foi um ponto a favor de Bolsonaro, e o discurso anticorrupção colou.

Colou tanto entre seus seguidores que eles se acostumaram a minimizar ou desacreditar qualquer denúncia que atacasse a ética do candidato. Notícias veiculadas na imprensa são tratadas como fake news, e a militância, inspirada no comportamento de Bolsonaro, passa a expor e difamar jornalistas.

Entre os casos já levantados pela imprensa está a contratação de uma funcionária fantasma em seu gabinete na Câmara; a prática de nepotismo por conta da contratação de sua atual mulher, Michelle Bolsonaro, por 1 ano e 2 meses no mesmo gabinete; ameaças de morte à ex-mulher Ana Cristina Valle, conforme relatos da própria ao Itamaraty; e recebimento de auxílio-moradia mesmo possuindo imóvel próprio em Brasília.

Responsável pela publicação das reportagens, a Folha de S.Paulo também revelou que o patrimônio de Bolsonaro e de seus filhos se multiplicou depois que a família entrou na política. Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro são filhos do primeiro casamento do candidato, com Rogéria Nantes Nunes Braga. O presidenciável também é pai de Renan, de seu relacionamento com Ana Cristina Valle; e de Laura, de apenas 7 anos.

Do outro lado estará Fernando Haddad, o "mais tucano dos petistas". Ex-prefeito de São Paulo, Haddad herdou a vaga de Lula no Partido dos Trabalhadores após o ex-presidente ter sido impedido de concorrer à presidência da República.

A principal característica de Fernando Haddad, segundo membros do PT, é de "unificador", ponto que o fez ganhar a benção de Lula para tentar chegar à presidência da República em 2018.

Graduado em direito, com mestrado em economia e doutorado em filosofia, Haddad coordenou a elaboração do programa de governo do PT nesta eleição, ao lado do economista Marcio Pochmann e de Renato Simões, integrante do diretório nacional da legenda.

A própria construção do documento consolidou a união entre o plano A e o plano B. "O programa é a parte que liga muito o presidente Lula à candidatura do Fernando. É de certa maneira a expressão da vontade do presidente Lula. Talvez ele [Haddad] seja o único dos 13 candidatos que foi coordenador do programa. É o diferencial", disse Pochmann ao HuffPost Brasil.

Algumas propostas do documento elaborado por Haddad, entretanto, são o principal desafio de um eventual governo dele. Medidas como revogar o teto de gastos públicos, taxar os bancos para baixarem juros e não priorizar uma reforma da Previdência enfrentam resistência do mercado financeiro. E é justamente do setor empresarial que o petista tenta se aproximar para ganhar as eleições.

Outro desafio de Haddad é colocar um fim ao rótulo de "poste" que ganhou durante a campanha, alusivo à possibilidade de ser um mero "pau mandado" de Lula, preso desde abril por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá.

No dia 28 de outubro a resposta será dada. De que lado ficará a maior parte da população brasileira: do ex-capitão do Exército, que luta contra os rótulos de homofóbico, machista e contrário às minorias, ou do ex-prefeito de São Paulo, rejeitado nas urnas ao tentar a reeleição na capital paulista em 2016, mas que carrega consigo a sombra do maior líder populista da História do País?