NOTÍCIAS
07/10/2018 21:49 -03 | Atualizado 07/10/2018 21:53 -03

Fernando Haddad faz discurso com aceno ao centro para ampliar votos no 2º turno

Ciro Gomes já declarou que não vai apoiar Jair Bolsonaro (PSL).

NurPhoto via Getty Images

O candidato Fernando Haddad (PT) fez um discurso de tom conciliatório após os resultados do 1º turno das eleições. O petista recebeu 28,37% (pouco mais de 29 milhões) dos votos e vai disputar o pleito com Jair Bolsonaro (PSL), que teve 46,6% dos votos (cerca de 47 milhões).

Durante o discurso, Haddad estava cercado da militância e contou com a presença da família e da vice, Manuela D'Àvila. Na fala, o petista apostou em um tom sóbrio, em defesa da democracia e usou palavras como "união", "sobriedade" e "respeito", em um claro aceno ao eleitorado mais ao centro.

"A oportunidade do 2º turno é praticamente inestimável e precisamos saber aproveitar com sobriedade e senso de responsabilidade. Queremos unir os democratas, as pessoas que tem atenção aos mais pobres desse país tão desigual. Queremos um projeto amplo, democrático e que busque justiça social. Colocamos a soberania nacional e a soberania popular, conceitos indissociáveis, acima de qualquer outro governo", declarou o petista.

Durante o discurso, o presidenciável, ainda, afirmou que já havia entrado em contato com os políticos derrotados no primeiro turno, entre eles Marina Silva (Rede), Guilherme Boulos (Psol) e Ciro Gomes (PDT).

Em entrevista coletiva, Ciro Gomes disse que não vai apoiar Jair Bolsonaro (PSL): "Ele não, sem dúvidas", declarou. No entanto, não afirmou apoio a Fernando Haddad.

Veja o discurso completo do petista.

"Eu me sinto extremamente honrado pelos votos que recebi hoje que garantem o PT no 2º turno. Me sinto desafiado pelos resultado que são bastante expressivos, no sentido de nos fazer atentar para os riscos que a democracia no Brasil corre. A oportunidade do 2º turno é praticamente inestimável e precisamos saber aproveitar com sobriedade e senso de responsabilidade. Queremos unir os democratas, as pessoas que tem atenção aos mais pobres desse país tão desigual. Queremos um projeto amplo, democrático e que busque justiça social. Colocamos a soberania nacional e a soberania popular, conceitos indissociáveis, acima de qualquer outro conceito. Vamos começar a campanha amanhã para sermos vitoriosos no 2º turno.

Queremos unir o país em torno desse conceito. Há muita coisa em jogo no Brasil de 2018: é incomum, e diferente de tudo que aconteceu de 1989 pra cá. Já estivemos em 2º lugar, já estivemos no 2º turno e asseguramos que essa eleição de 2018 coloca muita coisa em risco. Diria que o próprio pacto da Constituinte também está em jogo devido as ameaças. Queremos enfrentar esse debate respeitosamente. Vamos para o campo democrático com uma única arma: o argumento. Vamos com a força do argumento para denfender o Brasil e o povo, sobretudo os mais sofridos, que esperam responsabilidade social.

Termino celebrando a democracia e a liberdade, são valores que cultivo desde sempre. Não vou abrir mão dos meus valores, familiares inclusive, que foram atacados nos últimos dias. Mas o 2º turno nos abre uma oportunidade para discutir olho a olho, sem medo de ser feliz."

A polarização do 2º turno

Após 96% das urnas apuradas, Jair Bolsonaro, candidato do PSL, e Fernando Haddad, substituto de Lula e representante do PT na corrida pela presidência da República, não puderam mais ser alcançados, e decidirão o sucessor de Michel Temer no 2º turno, dia 28 de outubro.

O deputado, líder das pesquisas de intenção de voto desde que o nome de Luiz Inácio Lula da Silva foi retirado das opções, recebeu 46,6% dos votos (cerca de 47 milhões), enquanto Fernando Haddad, herdeiro da vaga do ex-presidente da República, ficou com 28,37% (pouco mais de 29 milhões), na 2ª posição.

Ciro Gomes (PDT), que se apresentou durante toda a campanha como opção de 3ª via em meio à polarização que tomou conta do País, cresceu nas últimas pesquisas e chegou a liderar os trending topics no Twitter com a hashtag #ViraViraCiro, mas não o suficiente para tirar o candidato petista do 2º turno. Ele teve pouco mais de 12% dos votos válidos (quase 13 milhões).

Geraldo Alckmin (PSDB), com 4,85% e João Amoedo (Novo), com 2,6% foram os outros candidatos mais votados no pleito para presidente da República.

Sensação dos debates na televisão, Cabo Daciolo (Patriotas) surpreendeu ao ter 1,25% dos votos, à frente de Henrique Meirelles (MDB), Marina Silva (Rede), Álvaro Dias (Podemos) e Guilherme Boulos (Psol).