POLÍTICA
06/10/2018 22:10 -03 | Atualizado 06/10/2018 22:15 -03

Marina Silva propõe inteligência para combater crime organizado

Candidata já admitiu que família usou espingarda na infância, mas promete fortalecer controle de armas.

Adriano Machado / Reuters
Marina promete aprimorar os sistemas de controle de fabricação, registro e rastreamento de armas e munições, integrando as informações e disponibilizando o acesso para os órgãos de investigação.

"As mais modernas ferramentas e metodologias de inteligência". É o que promete Marina Silva, candidata da Rede à Presidência da República, para combater o crime organizado no Brasil. Em seu plano de governo, a presidenciável propõe a adoção de um sistema de dados unificado e controle mais rigoroso de armas. De acordo com a proposta, o objetivo é a redução de crimes violentos, especialmente homicídios.

Para implementar o Susp (Sistema Único de Segurança Pública), aprovado no governo de Michel Temer, a ex-senadora promete a elaboração de um Plano Nacional de Segurança, em parceira com estados e municípios e com especialistas. "Temos um sistema de segurança pública e justiça criminal fragmentado e ineficiente", diz o plano.

A candidata prevê a adoção de um sistema de dados sobre segurança pública com protocolos que permitam comparar dados estatísticos entre entes da federação, disseminar informações nacionais sobre criminalidade e elaborar censos penitenciários.

Na área de inteligência, além da adoção de alta tecnologia, Marina promete priorizar o policiamento de manchas criminais e de fronteiras, combate ao tráfico de drogas, armas e de pessoas e aos crimes financeiros, com técnicas de monitoramento da circulação e da lavagem de dinheiro.

Será criado um conselho para articular órgãos de inteligência estaduais e federais com foco no crime organizado. Um dos objetivos nesse enfrentamento é aumentar a arrecadação. De acordo com o documento, contrabando, falsificação, pirataria e evasão fiscal geraram perdas de R$ 146 bilhões em 2017.

Ricardo Moraes / Reuters
Plano de governo de Marina Silva prevê articulação de políticas sociais para reduzir crime.

Quanto ao uso de armas, Marina promete fortalecer o controle, com "efetiva responsabilização pelo uso e porte ilegal, desvio e tráfico". Ela promete aprimorar os sistemas de controle de fabricação, registro e rastreamento de armas e munições, integrando as informações e disponibilizando o acesso para os órgãos de investigação.

A candidata foi questionada sobre sua posição a respeito do tema. Apesar de ser a favor do desarmamento, em entrevista à revista Marie Claire publicada em março, Marina afirmou que só não sofreu violência quando criança "porque tinha uma arma espingarda". "Quando éramos crianças, tínhamos uma espingarda. Eu e minhas irmãs a levávamos para cortar a seringa. Só uma delas sabia atirar e a gente se dividia na estrada para fazer o serviço mais rápido", afirmou.

Penas alternativas para desafogar presídios

Para reduzir a superlotação nos presídios, a ex-senadora promete criar protocolos para transferência de presos, aplicar sanções disciplinares, realizar revistas periódicas e auditorias para localizar casos de corrupção, além de investimento em tecnologia para monitoramento. O objetivo é tornar o sistema carcerário mais eficiente.

Outra medida proposta é a adoção de uma Política Nacional de Medidas e Penas Alternativas, com subsídios técnicos para a constituição de centrais nos estados para o monitoramento e fiscalização de sua aplicação. Marina também promete ações para reduzir o número de preso provisórios, como mutirões carcerários. Hoje, eles representam 40% dos mais de 726 mil detentos, de acordo com dados mais recentes do Depen (Departamento Penitenciário Nacional), de 2016.

Para reduzir a reincidência criminal, a presidenciável promete criar um Programa de Apoio aos Egressos do Sistema Prisional, por meio de um pacto com empresários para contratações.

Quanto à prevenção, Marina reconhece a necessidade de articular a políticas de segurança com questões da área social, como educação, saúde, esportes e cultura, além de emprego. "O enfrentamento da economia do crime implica, também, o oferecimento de oportunidades a milhares de jovens que, por não encontrarem espaço no mercado de trabalho, sofrem violência crescente e são facilmente atraídos pelo crime organizado, em especial o tráfico de drogas", diz o plano.