ENTRETENIMENTO
05/10/2018 14:42 -03 | Atualizado 06/10/2018 10:07 -03

Pabllo Vittar e 'Não Para Não': Novo disco comentado

A musa drag está de volta com disco frenético e cheio de combinações rítmicas - perfeito para incendiar as pistas.

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'Não Para Não': Segundo disco do fenômeno Pabllo Vittar tem participações de Dilsinho, Ludmilla e Urias.

Em meio ao clima tenso que domina o Brasil às vésperas das eleições, Pabllo Vittar oferece uma oportunidade de respiro. Nesta quinta-feira (4), a musa drag lançou seu segundo disco, Não Para Não. Produzido por Rodrigo Gorky e Brabo Music Team (BMT), mesmo time responsável pelo fenômeno Vai Passar Mal, o novo trabalho é pulsante e cheio de combinações rítmicas, verdadeira promessa de sucesso imediato dentro e fora das pistas.

Não Para Não é também um álbum curto. O conjunto de 10 faixas inéditas tem pouco menos de 30 minutos de duração. Em tempos de rotinas excessivamente atarefadas, talvez esteja aí o primeiro acerto do disco: você não precisa de muito tempo para se desligar do mundo e cair na festa da drag queen que é hoje uma das maiores referências da comunidade LGBT do País.

E nessa nova empreitada, Pabllo não está sozinha. Participam do álbum Ludmilla, Dilsinho e Urias, amiga de longa data da cantora. Se você ainda escutou o novo disco, nem mesmo o primeiro hit Problema Seu, fique sabendo que está no lugar certo. A seguir, o HuffPost Brasil apresenta cada uma das 10 faixas com as primeiras (e francas) impressões dos editores de Entretenimento e LGBT.

Dê o play e aproveite.

1. Buzina

Amauri Terto, editor de Entretenimento: Confesso que fiquei um pouco nervoso ao ouvir a voz da Pabllo imitando uma aeromoça no início da música. Não sabia o que esperar. Mas, na sequência, as coisas ficaram urgentes. Dava pra dançar, pular, bater palminha no alto. "Buzina, zina, zina, zina!" Adorei tudo isso! Aliás, queria estar com um drink na mão.

Andréa Martinelli, editora de LGBT: Num dá pra não dançar, né? E dá pra perceber que a Pabllo tá muito madura. Gostei demais. Essa veia do tecnobrega que ela traz é algo que tem muito poder. Tanto que nem liguei pra voz de aeromoça (alô, Britney!). Mas confesso que a buzina no final me lembrou Show das Poderosas da Anitta. Não precisava. Já tava tudo muito bom.

2. Seu Crime

Amauri: A faixa começou e eu pensei que ia ser uma daquelas que a gente dança meio sensual, mexendo só a pélvis na pista. Mas aí ela dá uma virada e o forró come solto. Pabllo, diva, leva seu agudo como sempre lá para a estratosfera. É difícil não se impressionar (e se empolgar). E esse verso "seu crime foi me amaaaaaaaaaaar"? Perfeito para cantar no chuveiro com um tubo de xampu na mão.

Andréa: Pensei a mesma coisa. Mas eu precisei ouvir mais de uma vez pra descobrir se eu gostava ou não. Esse forró, o agudo, traz toda uma identidade que foi construída lá atrás pra se consolidar agora. A partir daqui eu comecei a sentir não só na voz, mas uma postura mais madura da Pabllo. Ela tem seu lugar. Ponto.

3. Problema Seu

Amauri:"Vittaaaaaaaar!" Gente, eu até fechei os olhos para curtir o já conhecido primeiro hit de Não Para Não. E, veja bem, quem não sente um impulso de mexer pelo menos os ombros nessa música, está com sérios problemas na vida. Eu adoro como ela fica caótica no final também. É a hora que todos que sabem rebolar entram em transe.

Andréa: Eu amo Problema Seu. É daquelas faixas que já pegou e vai pegar ainda mais. Tô ansiosa pro Carnaval. Foi muito acertado lançá-la como single, pra chamar pro álbum todo. É o verdadeiro hit do CD, pra mim. E eu amo que o clipe tem mil referências de Toxic, da Britney. A hora em que ela aparece toda robótica, com a roupa preta, de peruca. Como esquecer? Pabllo é a nossa Britney, Brasil.

4. Disk Me

Amauri: Aqui, Pabllo entrega um tutorial perfeito de como dar um chacoalhão naquele boy lixo. "Diz que me ama quando bebe, mas quando acorda se esquece desse amor". Toma essa, seu irresponsável. Essa música também parece perfeita para momentos de sofrência. Vou testar. Queria deixar os parabéns para o responsável pelo trocadilho "disk me ama" nessa letra. E vocês repararam que ao fundo da pra ouvir um sample de Dark Horse, da Katy Perry?

Andréa: Honestamente, porque Gaby Amarantos não está em uma das parcerias com a Pabllo? Foi uma das perguntas que eu me fiz ao ouvir "Disk Me". Eu também saquei o sample de Katy Perry (aliás, um disco cheio de referências, hein?). E continuo sentindo a Pabllo muito madura musicalmente, se apropriando de vez desse lugar.

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Neste ano, Pabllo Vittar entrou para a História como a primeira drag queen indicada a um Grammy.

5. Não Vou Deitar

Amauri: Eis uma mistura de forró com pc music, tendência entre os expoentes do pop internacional. Arriscado? Sim. Bom? Demais. Pabllo está botando sons genuinamente brasileiros pra dialogar com o que vem de fora. Merece todas as palmas. Essa letra nervosa também é bem boa. É bom lembrar que a afirmação "eu não vou deitar" tem dois sentidos: o literal (ficar na horizontal mesmo) e outro relacionado à gíria LGBT que significa algo como "não vou me sujeitar a você".

Andréa: Isso sim é um hino, e aposto que vai se perpetuar como um. A referência a "não vou deitar", literal e que faz referência à insubordinação da população LGBT é perfeita. E acho que isso é muito da própria Pabllo, acho que é daí que vem essa maturidade que eu citei anteriormente. Até agora, no álbum, não senti ela como coadjuvante - agora ela é protagonista; os outros é que acompanham ela, não ela que é acompanhante.

6. Ouro (part. Urias)

Amauri: Gostei do flerte com o reggae nessa faixa, uma coisa meio Man Down, da Rihanna. Urias está bem também. Mas acho que ficou faltando algo aqui, não sei bem o quê. Acredito que a repetição do refrão "ourooooo" também tirou um pouco a força da música. Nem tudo é perfeito, gente.

Andréa: Gente, eu gostei. E ainda arrisco dizer que esse é outro hit desse álbum. A cada faixa ela traz referências que se complementam, vai do tecnobrega ao reggae e constrói uma identidade. Pabllo amadureceu, mesmo. Não só nas letras, mas dá pra sentir que ela se incorporou como artista, de fato. A voz também está claramente mais madura. Mesmo nos agudos e falsetes, o que já se tornaram uma característica dela. Sou suspeita.

7. Trago Seu Amor de Volta (part. Dilsinho)

Amauri: O astral dessa dobradinha com Dilsinho é contagiante. E a mistura de ritmos fora de série. Você começa achando que a música vai ser uma balada romântica, mas aí entra uma percussão leve e de repente tem toda uma batida que te faz lembrar do Olodum, do axé, da Bahia, do verão. Mais uma delícia dançante.

Andréa: Arrisco dizer que até agora, depois de "Problema Seu", é a minha preferida. Se eu começar a falar mais daqui para frente vai ficar só elogios. Tá difícil ser eu ouvindo esse álbum. Até porque nesse clima tenso e polarizado, provocado pela eleição, foi um alívio para sensações conflitantes ter algo novo da Pabllo. Que momento.

8. Vai Embora (part. Ludmilla)

Amauri: Esse feat. era tudo o que a música pop brasileira precisava e não sabia. Pabllo e Ludmilla, que momento. Aqui tem brega, tem funk, tem trap, tem delírios vocais... As duas estão super afrontosas e mandando uma letra potente. E o que dizer do verdadeiro baile que encerra a faixa. Musicão, gente! Musicão.

Andréa: A primeira coisa que pensei logo no começo da música foi: Nicky Minaj, é você? Mas não, era Ludmilla. E potência acho que é a palavra. Que potência.

9. No Hablo Español

Amauri: Alguém pode, por favor, colocar a Camila Cabello em contato com a Pabllo? O Brasil precisa de uma parceria entre as duas urgente. O clima dessa música é quente, de flerte latino, bem aos moldes do megasucesso Havana. Não queria mais falar sobre drinks nesses comentários, mas um mojito cairia muito bem agora.

Andréa: Nossa a ideia da Camila Cabello é genial. Mas confesso que me veio uma vibe anos 90, Jennifer Lo na cabeça (desculpa a referência do passado, mas preferi ser honesta com o que senti ao ouvir). Será que tá rolando uma perspectiva internacional? Será? Acho que seria ótimo.

10. Miragem

Amauri: Ouvi essa última faixa sem prestar muita atenção na letra, apenas imaginando a Pabllo no palco rodeada por bailarinos aos pares dançando lindas coreografias circulares. No telão de fundo, muitas paisagens mostrando as belezas naturais do Brasil. Esse país é rico e potente demais. E o trabalho da Pabllo Vittar é uma das provas disso.

Andréa: Se tem algo que não é uma miragem é a consolidação da Pabllo como artista. Se você ouve o disco anterior — cheio de hits, obviamente — e compara com esse, dá para sentir um amadurecimento. E acho que essa é uma crescente. Hoje ela não é mais uma artista que vive só de hits de Carnaval para a grande parte da população, sabe? Ela é uma artista. E ponto. De Uberlândia pro mundo.

Assista no player abaixo o clipe de de Disk Me, lançado nesta sexta (5).