POLÍTICA
05/10/2018 02:58 -03 | Atualizado 05/10/2018 03:57 -03

Haddad sobe o tom contra Bolsonaro, e polarização domina debate da TV Globo

Ausente, Bolsonaro foi duramente criticado pelos adversários. "Alguém para administrar o País tem que enfrentar intempéries, tem que se expor", alfinetou Meirelles.

Globo/ João Miguel Júnior
Debate da Globo reúne Henrique Meirelles, Alvaro Dias, Ciro Gomes, Guilherme Boulos, Geraldo Alckmin, Marina Silva e Fernando Haddad.

A 2 dias das eleições, a sensação que o candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, transmitiu no debate da Rede Globo foi a de que finalmente acordou. Logo no início, ao falar sobre o governo do presidente Michel Temer, Haddad fez questão de dizer que a gestão do emedebista contou "inclusive com apoio de Bolsonaro".

Em seguida, o petista questionou Guilherme Boulos (PSol) sobre como ficaria o País em uma administração de Bolsonaro, com cortes em direitos conquistados, como a extinção do 13º - aventada pelo vice na chapa, general Hamilton Mourão. A estratégia foi clara: subir o tom contra Jair Bolsonaro (PSL) para evitar que o adversário ganhe no primeiro turno.

Em ascensão nas pesquisas de intenção de voto, o capitão reformado do Exército não foi ao debate. Alegou impedimento médico, por estar se recuperando da facada que sofreu no dia 6 de setembro. Enquanto o debate era transmitido pela TV Globo, a Record transmitia entrevista com ele. Ao longo dos últimos dias, Bolsonaro tem fortalecido sua campanha, com acenos aos eleitores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da região Nordeste do País.

"Ele não tem condições de sustentar um segundo turno, não vai poder se esconder atrás desse incidente no segundo turno", disparou Haddad aos jornalistas no fim do debate. Em seguida emendou: "É uma candidatura vazia de conteúdos e propostas, que não contribuiu em 30 anos com o Brasil e não vai contribuir agora".

A postura de Haddad parece ter agradado sua consultora de imagem, Olga Curado. Enquanto o candidato concedia entrevista coletiva, Olga acompanhava com um sorriso no rosto. Os movimentos de Bolsonaro despertaram o pulso firme de Haddad e impulsionaram outros candidatos a criticá-lo, como Henrique Meirelles (MDB), Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede).

Meirelles foi categórico em vários momentos contra Bolsonaro. "Alguém que foge de discutir propostas e vai se esconder atrás de um diagnóstico, que não quer se expor, não está preparado. Tenho certeza que o eleitor não vai aceitar e isso vai se transmitir na eleição", afirmou.

"Não tem como ele fugir do debate a vida toda. Não tem como, indo pro segundo turno, amarelar por 25 dias como amarelou hoje", emendou Guilherme Boulos. Marina Silva já tinha falado que o adversário "amarelou".

Ciro Gomes foi dos mais enfáticos contra Bolsonaro. Disse que o candidato representa "radicalização estúpida", afirmou que suas filhas "não são fraquejadas" e, sim, motivo de orgulho e mirou nos contratempos da campanha do adversário. "Me assusta ver uma equipe de três pessoas, Bolsonaro, Mourão e Paulo Guedes, brigando a dias da eleição. Você imagina que isso vai dar certo?"

A metralhadora de Ciro só não foi mais forte que o discurso contundente de Boulos sobre o risco ao qual a democracia corre.

"Não dá para fingir que está tudo bem. Faz 30 anos que esse País saiu de uma ditadura, muita gente foi torturada e tem mãe que nunca conseguiu enterrar os seus filhos. Nós nunca estivemos tão perto de voltar a esse estado", disse.

O alvo também é o PT

Se por um lado praticamente todos os candidatos repreenderam Bolsonaro, o PT também foi arrastado para o outro lado do pólo. Marina Silva, Alvaro Dias (Podemos) e Geraldo Alckmin (PSDB) foram os principais responsáveis por apertar Haddad.

O petista se defendeu como pôde. Teve, inclusive, que se explicar sobre a possibilidade de Bolsonaro ter sido uma criação do PT. "Não fizemos absolutamente nada para criar esse monstro. Pelo contrário, esse obscurantismo vem desde 2010, com a campanha do PSDB, com intrigas e temas artificiais e a maneira de abordá-los", disse. entre os assuntos que foram tratados, Haddad citou aborto, kit gay e maioridade penal, "temas que não estavam na pauta de discussão do brasil".

O debate marcou o último dia de horário gratuito de rádio e televisão dos candidatos. Até domingo (7), eles contam apenas com manifestações em notícias de rádio e TV, além de mídias espontâneas que invadem as redes sociais, especialmente o WhatsApp.