MULHERES
03/10/2018 16:55 -03 | Atualizado 03/10/2018 16:57 -03

Eleições 2018: O passo a passo para encontrar uma candidata feminista para o Legislativo

O eleitorado tem cerca de 8,3 mil candidatas do gênero feminino para escolher em um universo de cerca de 27 mil candidaturas registradas no TSE.

"A política também é nossa e a gente pode ocupar esse espaço", afirma a advogada Evorah Cardoso.
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"A política também é nossa e a gente pode ocupar esse espaço", afirma a advogada Evorah Cardoso.

Representatividade importa. Mas embora as mulheres representem mais da metade da população e do eleitorado brasileiros, as casas legislativas no País não refletem essa realidade. Dos 513 deputados federais, apenas 54 são mulheres e somente 7 são negras. No Senado, as mulheres só ocupam 13 das 81 cadeiras. A falta de proporcionalidade se repete nas assembleias estaduais.

Nestas eleições, o eleitorado tem cerca de 8,3 mil candidatas do gênero feminino para escolher em um universo de cerca de 27 mil candidaturas registradas e consideradas aptas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). No domingo, além de presidente e governador, o eleitor e a eleitora irá dar dois votos para Senado, um para Câmara dos Deputados e outro para a assembleia estadual. Mas como achar a candidata ideal para cada um desses cargos, que além de representar sua identidade, defenda as pautas que você defende no Legislativo?

A mera presença desses corpos já tem um potencial transformador do espaço simbólico.Evorah Cardoso, do #MeRepresenta

Faltando poucos dias para a votação, algumas ferramentas ajudam nessa busca. Para mudar esse cenário, de falta de representatividade feminina, essas iniciativas colaborativas buscam conectar eleitoras e eleitores à candidaturas de mulheres feministas, cujos mandatos serão pautados na defesa do direito das mulheres. "A gente viu pautas que representam verdadeiros retrocessos avançarem no Congresso Nacional nos últimos quatro anos", lembra a advogada Evorah Cardoso, uma das criadoras do #MeRepresenta, plataforma que une candidaturas pautadas na defesa dos direitos das mulheres, pessoas negras, indígenas e LGBTI+.

A importância de fortalecer essas candidaturas - não só as que defendem as pautas de direitos humanos, mas as de "corpos diversos" - é a de reforçar o aspecto positivo da representatividade, diz a jurista. "A mera presença desses corpos já tem um potencial transformador do espaço simbólico, de quem é que tem direito de ocupar esse lugar, que não são só os homens, brancos, com mais de 50 anos, oficialmente héteros, que representam a síntese do que é ser político no brasil hoje. A política também é nossa e a gente pode ocupar esse espaço", completa.

#MeRepresenta

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"Machismo mata, feminismo salva", diz cartaz de manifestante em São Paulo, em 2016.

A plataforma #MeRepresenta foi criada em 2016, resultado da união entre a DeFEMde (Rede Feminista de Juristas), #VoteLGBT, Blogueiras Negras, Fundação Cidadania Inteligente e outros coletivos. Ela reúne candidaturas que pautadas na defesa dos direitos humanos.

Nestas eleições, mais de 850 candidaturas foram cadastradas, de 34 dos 35 partidos existentes no país. O candidato que se inscreve na plataforma deve responder a 22 duas perguntas relacionados a temas como a descriminalização do aborto, a demarcação de terras indígenas, o casamento igualitário, entre outros, e escolher três pautas prioritárias para o seu mandato. O eleitor, quando faz a busca, pode indicar quais dessas pautas também considera prioritárias e o sistema faz o match.

São priorizadas na ordem de exibição as candidaturas de mulheres, negras/os, indígenas e LGBTs, grupos que, segundo a plataforma, compõem juntos 80% da população, mas que têm pouca ou nenhuma representação na política. Também é possível aplicar filtros para selecionar apenas as candidatas mulheres, negras, ou lésbicas, por exemplo. Além de mostrar uma pequena biografia e como o candidato respondeu às questões, o sistema dá uma nota para a coligação do partido ao qual ele é filiado. Essa avaliação é feita com base em como os deputados dos partidos da coligação votaram em projetos que buscavam garantiam ou restringiam direitos nos últimos quatro anos.

Vote Nelas

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Em 2017, em Campinas, São Paulo, mulheres protestam contra violência contra a mulher.

Iniciativa Vote Nelas foi lançada em agosto com o objetivo de criar uma campanha nacional de incentivo a candidaturas de mulheres. "O Vote Nelas surgiu do desejo de mudar o cenário de sub-representação feminina no Congresso Nacional e nos demais cargos eletivos", diz Duda Alcantara, cofundadora da plataforma e candidata a deputada federal pela Rede, em São Paulo.

A plataforma reúne cerca de 28 candidaturas em 17 estados, de partidos de esquerda, centro e direita. A lista foi elaborada com ajuda das voluntárias do Vote Nelas e, posteriormente, com base em uma pesquisa nacional. Segundo o site, foram priorizados os recortes de raça, gênero e pessoas com deficiência, com "o rigor da defesa da democracia, o combate à violência contra a mulher e o apoio de mulheres no mercado de trabalho."

Ao selecionar a candidata, o eleitor conhece seu número, partido, se essa é a primeira eleição que ela participa, os seus temas de interesse e uma biografia pessoal e política. O site também traz dados sobre a representação feminina na política e na economia brasileira e remonta a linha do tempo do feminismo no Brasil.

Campanha de Mulher

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Em 8 de março de 2018, manifestantes ocuparam a Avenida Paulista, em São Paulo, para pedir por mais direitos.

A Campanha de Mulher é uma iniciativa da Mídia Ninja para apoiar mulheres candidatas em 2018. O objetivo do projeto é dar suporte operativo (design, fotografia, audiovisual, assessoria de imprensa, redes sociais) para campanhas escolhidas via edital.

São mais de 120 candidatas espalhadas em 17 estados e no Distrito Federal, majoritariamente do PT e Psol. Além das informações básicas, como partido, número e biografia, algumas candidatas também tiveram vídeos produzidos pela equipe de comunicadoras da Mídia Ninja. Nos vídeos, é possível conhecer um pouco mais da trajetória das candidatas e suas propostas.

Gênero e Número

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"Marielle Presente Na Lua", escreve uma manifestante, durante ato pela vida de Marielle Franco, no Rio de Janeiro.

A plataforma de mídia independente Gênero e Número fez um levantamento para ajudar a localizar todas as candidaturas de mulheres na disputa eleitoral deste ano. A visualização, feita com base nos dados disponíveis no TSE, permite buscar as candidatas em todos os estados, por cargo, partido e raça.

Meu Voto Será Feminista

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Manifestantes caminham contra a candidatura de Jair Bolsonaro em 29 de setembro, em Brasília (DF).

A campanha Meu Voto Será Feminista é uma ação promovida pela PartidA, organização coletiva de partidos orientados à esquerda, para fortalecer e divulgar a candidatura de mulheres feministas. A plataforma reúne uma lista de candidatas do Psol, PT, PCdoB, PSB e Rede no Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Amazonas, Santa Catarina, Bahia e Pará. No site, é possível conhecer um pouco da biografia das mulheres que fazem parte da iniciativa.

O voto feminista, segundo a própria campanha, é aquele "prioritário em mulheres que possam representar a luta pelas pautas que intervenham nas desigualdades de gênero, raça e classe social. Sempre entendendo que os direitos da mulheres sobre seus corpos, suas vidas e em busca de uma existência sem medo e opressão são pautas prioritárias."