COMIDA
03/10/2018 18:12 -03 | Atualizado 03/10/2018 18:12 -03

Do frango lavado ao pet na cozinha: Os erros de higiene mais comuns relacionados à comida

Sinto muito, mas seu gatinho não deveria estar andando pela sua cozinha.

A Royal Society for Public Health, ONG britânica que trabalha com saúde pública, revelou os erros de higiene mais comuns cometidos pelas pessoas na cozinha e na manipulação de alimentos. Você vai repensar sua rotina na cozinha.

Segundo a RSPH, embora no geral os níveis de higiene alimentar sejam altos no Reino Unido, ainda cometem-se erros básicos.

A RSPH divulgou a lista para lançar um novo curso online de segurança alimentar, direcionado especialmente aos trabalhadores do setor da hospitalidade.

Essas são as áreas que merecem atenção, tanto em cozinhas profissionais quanto na da sua casa.

Erros comuns cometidos em casa

Nazra Zahri via Getty Images

Além do erro mais comum – e mais fácil de evitar – que é não lavar as mãos regularmente, existem outros potencialmente mais graves:

1. "Se a aparência está boa, pode comer."

Um erro comum apontado pela RSPH é achar que patógenos perigosos possam ser identificados pela visão, pelo olfato ou até mesmo pelo paladar. Na realidade, a maioria dos patógenos mais perigosos, que podem causar doenças graves ou até mesmo morte, não afetam de maneira nenhuma o sabor, a aparência, o cheirou ou a textura da comida.

2. Usar uma única pinça de cozinha na churrasqueira.

Muitos churrasqueiros de final de semana espalha patógenos com seus utensílios, pegando carne crua, carne assada e às vezes até mesmo saladas usando uma única pinça de cozinha. Embora a maioria das pessoas tome cuidado para evitar essa contaminação cruzada na cozinha de casa, quando chega a hora de acender a churrasqueira essa precaução é esquecida.

3. Deixar de separar comidas cruas e cozidas.

Especialistas em segurança alimentar afirmam à RSHP que, embora a segregação de alimentos cozidos e crus sejam observadas em cozinhas profissionais, a maior parte do público não entende bem os altos riscos de intoxicação alimentar causados pelo contato de alimentos crus e cozidos. A campilobactéria – maior causadora de intoxicação alimentar no Reino Unido – foi encontrada na parte exterior da embalagem de 5,7% dos frangos vendidos em supermercados. Isso ressalta a importância de segregar os alimentos assim que eles forem para o carrinho.

4. Lavar o frango.

A campilobactéria, encontrada em quase 60% dos frangos vendidos nos supermercados britânicos, não representa riscos depois do cozimento, mas ela pode se espalhar pela cozinha quando as pessoas lavam o frango na pia.

5. Animais de estimação na cozinha.

Isso é muito comum nas cozinhas domésticas. Até mesmo nas casas em que os bichos não sobem nas superfícies onde se prepara a comida, eles podem espalhar todo tipo de patógeno e devem ser mantidos longe da cozinha.

Erros comuns cometidos em cozinhas profissionais

_jure via Getty Images

Segundo os especialistas da RSHP, os maiores mal-entendidos e más práticas encontrados nas cozinhas profissionais são:

1. Bufês podem ser uma grande fonte de bactérias.

Bactérias se proliferam em temperaturas que vão de 5 a 63 graus centígrados – a chamada zona do perigo. Se a comida não for resfriada rapidamente antes de ir para a geladeira representa risco de infecção alimentar. Restaurantes de bufê que deixam a comida exposta por mais de uma ou duas horas são exemplos muito comuns desse problema e são considerados por alguns especialistas como o maior risco de contaminação.

2. Pessoas doentes na cozinha.

Em muitos ambientes em que há manipulação de comida não há uma boa compreensão das doenças infecciosas e da facilidade com que elas podem se disseminar. Um único funcionário da cozinha doente pode representar risco – mesmo que não exiba mais sintomas. Mas é responsabilidade dos funcionários informar quando estão doentes, o que significa que muitas vezes as pessoas ficam em silêncio por medo de perder trabalho – particularmente aqueles que fazem trabalhos avulsos e são pagos por dia trabalhado.

3. Compreensão inadequada dos controles necessários para prevenir contaminação por alergênicos.

Apesar de a contaminação alimentar ser um problema de saúde pública muito maior que a contaminação por alergênicos, ainda são registradas cerca de 10 mortes por ano devido a ingredientes causadores de alergias não-declarados em alimentos, além de vários incidentes que causam grave risco de morte. Os especialistas afirmam que em muitas cozinhas profissionais há uma compreensão insuficiente das medidas necessárias para prevenir contaminação por alergênicos e ressaltam a importância de canais de comunicação bem estabelecidos entre o salão e a cozinha do restaurante quando há clientes alérgicos.

4. Uso de panos sujos para limpar superfícies.

Em muitos restaurantes, os panos usados para limpeza são simplesmente deixados para secar de um dia para o outro, em vez de ser lavados. Isso representa grande risco de disseminação de patógenos em ambientes de preparação de comida.

5. Checagem de temperatura.

No que diz respeito ao monitoramento de temperatura, os funcionários de restaurantes muitas vezes simplesmente conferem a temperatura da geladeira, mas isso costuma gerar erros – o importante é estabelecer a temperatura dos alimentos.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.