POLÍTICA
02/10/2018 02:12 -03 | Atualizado 31/01/2019 10:30 -02

Eleições 2018: Mulheres e LGBTs são 'esquecidos' em planos de governo

Apenas 7 dos 13 presidenciáveis citam propostas para as mulheres brasileiras; quando o tema é a população LGBT, o número cai para 6.

Getty Images/Montagem/HuffPost
As mulheres somam 53% do eleitorado brasileiro, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE); assassinatos de LGBTs cresceram 30% entre 2016 e 2017, segundo Grupo Gay da Bahia.

O ano é 2018 e é período eleitoral. As mulheres somam 53% do eleitorado brasileiro, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). São a maioria dos votantes. Para a Presidência da República, são titulares em 2 chapas e em 4 saem como vice. Mas, mesmo assim, não ganharam o mesmo espaço nos planos de governo. Dos 13 candidatos ao Palácio o Planalto, apenas 7 falam sobre o tema; e quando o assunto é a população LGBT, o número cai para 6.

Por mais que descriminalização do aborto, criminalização da LGBTfobia, igualdade salarial e saúde da comunidade LGBT tenham sido fortemente explorados em entrevistas e em debates eleitorais nas últimas semanas, candidatos como Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB), João Goulart Filho (PPL) e Jair Bolsonaro (PSL), dedicam poucas ou nenhuma linha para apresentar políticas públicas relacionadas a esses temas.

"Vamos estabelecer um pacto nacional para a redução de violência contra idosos, mulheres e LGBTI e incentivar a criação de redes não-governamentais de apoio ao atendimento de vítimas de violência racial e contra tráfico sexual e de crianças", diz documento com propostas de Alckmin. "Vamos combater o estupro de mulheres", diz a única linha em plano de governo de Bolsonaro, que lidera com 31% das intenções de voto, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira (1).

O tema é trabalhado por Meirelles no tópico sobre "geração de empregos": se eleito, irá atuar para diminuir a diferença de salários entre homens e mulheres no mercado de trabalho, afirma em plano de governo. João Goulart Filho (PPL), trata questão LGBT em ponto sobre desigualdade de forma geral, incluindo racismo e acessibilidade e quer igualar salários entre homens e mulheres. Álvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriotas), João Amoêdo (Novo) e José Maria Eymael (PDC) não têm propostas para nenhum dos grupos.

Em contrapartida, estão as únicas mulheres concorrentes ao pleito - Marina Silva (Rede) e Vera Lúcia (PCO) - e a maioria dos candidatos que escolheram mulheres como vice-presidentes em suas chapas - Guilherme Boulos (PSol),Ciro Gomes (PDT) e Fernando Haddad (PT). Todos os presidenciáveis citados acima dedicaram espaço maior a medidas tanto para o público feminino quanto para a população LGBT.

No enfrentamento à violência contra população LGBT, o documento de Fernando Haddad (PT) promete fortalecer o Sistema Nacional LGBTI+ e criar a Rede de Enfrentamento à Violência contra LGBTI+. "A iniciativa envolvendo órgãos federais, estaduais e municipais seria responsável por implementar políticas de promoção da orientação sexual e identidade de gênero", diz plano de governo.

Entre os planos do PT está recriar o Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, além de criar políticas que promovam a autonomia econômica das mulheres. A proposta também prevê implementar políticas para enfrentar a mortalidade das pessoas travestis e transexuais e criar o Programa Transcidadania, medida para garantir bolsa de estudos a pessoas trans em situação de vulnerabilidade para concluírem o Ensino Fundamental e Médio, articulado com formação profissional.

Já Marina Silva (Rede), em relação às mulheres, propõe ampliar as políticas de prevenção à violência contra a mulher, o combate ao feminicídio e a qualificação da rede de atendimento às vítimas, junto aos estados e municípios. A presidenciável cita políticas em prol do parto humanizado, mas não fala sobre descriminalização do aborto em seu plano. Além de defender que o casamento homoafetivo seja protegido por lei, ela defende o combate à violência, mas não citou a criminalização da LGBTfobia.

Aqui estão as propostas de 7 candidatos sobre mulheres:

Ciro promete recriar Secretaria das Mulheres e formar governo 50% feminino

Boulos promete 1% do PIB para combater a violência contra a mulher

Henrique Meirelles promete diminuir diferença salarial entre homens e mulheres

João Goulart Filho defende 'salário igual para trabalho igual' entre homens e mulheres

Haddad promete recriar Ministério das Mulheres e promover cota de gênero na política

Plano de Marina para mulheres: Igualdade no mercado de trabalho e combate à violência

Vera Lúcia propõe descriminalizar o aborto e diminuir violência contra mulher

Aqui estão as propostas de 6 candidatos para população LGBT:

Marina Silva e LGBT: Programa inclui direitos LGBTI, mas sem citar criminalização da LGBTfobia

Vera Lúcia promete a criminalização da "LGBTfobia já" em plano de governo

PT quer criminalizar LGBTfobia e dar bolsas de estudos para pessoas trans

Boulos promete tornar LGBTfobia crime e olhar para a saúde das pessoas trans

João Goulart Filho quer garantir 'acessibilidade do cidadão LGBT a todos os ambientes'

Ciro promete Secretaria Nacional para a Cidadania da População LGBT