ENTRETENIMENTO
01/10/2018 18:57 -03 | Atualizado 01/10/2018 18:59 -03

É impossível esquecer os olhos de computação gráfica de Wesley Snipes em ‘Blade: Trinity’

O supervisor de efeitos especiais Joe Bauer lembra os bastidores do maior boato envolvendo o astro Wesley Snipes.

De todas as histórias de filmagens complicadas, nenhuma é tão inacreditável quanto à saga de Blade: Trinity, rodado em 2004. Digamos apenas que é uma história de arregalar os olhos.

O ator e comediante Patton Oswal já contou várias vezes o que aconteceu no set de Trinity, afirmando que, durante as filmagens, Wesley Snipes só saía do trailer para gravar closes – as tomadas de longe ficavam para um dublê de corpo. Segundo Oswalt, a tensão entre Snipes e o diretor David Goyer era tamanha que o ator só se comunicava por meio bilhetes escritos em Post-its. Assinados "Blade", naturalmente.

Mas a melhor história das gravações, de longe, é o boato de que, a certa altura, Snipes estava tão rebelde com a equipe que ele se recusou a abrir os olhos para a câmera. Então tiveram de fazer os olhos dele em computação gráfica.

A história veio à tona graças a Zack Handlen, do site A.V. Club, na resenha que ele escreveu para a seção de comentários do DVD de Blade: Trinity, na qual Goyer afirma: "A outra coisa que aconteceu nessa cena é que Blade abre os olhos, e, no dia, Wesley não abriu os olhos".

O A.V. Club não identifica a cena em questão. Mas, com base em vários clipes disponíveis no YouTube, aparentemente estamos falando da cena em que Blade abre os olhos no necrotério:

Dá para acreditar? Meus colegas também duvidaram – até verem esse GIF:

Em uma entrevista feita este ano com Snipes (ainda não publicada), Zeba Blay, do HuffPost, tentou perguntar ao ator sobre os olhos de computação gráfica. Mas Snipes se recusou a responder.

Queríamos a verdade sobre essa ilusão de ótica e, quando tive a oportunidade de entrevistar o supervisor de efeitos especiais Joe Bauer – cuja carreia inclui de Elf – Um Duende em Nova York e Game of Thrones, além de Blade: Trinity, é claro -, tinha de perguntar sobre essa história.

Bauer confirmou tudo.

"Faz bastante tempo", disse ele quando mencionei o boato sobre os olhos fechados de Wesley Snipes.

"Pode ser quando ele está no necrotério e tem de abrir os olhos. Sim, foi complicado porque nem lembro se Wesley estava no filme naquela época. Ele tinha um dublê, se lembro direito – e faz muito tempo. Ele tinha um dublê muito parecido com ele, e tínhamos de rodar cenas de última hora. Acabamos usando o dublê em algumas delas."

Bauer não lembra se era o ator ou o dublê na cena do necrotério, mas o A.V. Club diz que Goyer identifica o corpo como o de Snipes. Handen, autor do artigo, confirmou que a transcrição da frase de Goyer foi fiel.

A confusão é compreensível, dado o número de vezes que o dublê de Snipes teve de entrar em ação – até mesmo na cena final, quando Blade vai embora de moto. Aparentemente, essa cena foi acrescentada mais tarde.

"Não tínhamos Wesley para filmar, então usamos o dublê, o que foi um problema porque tínhamos de pegar um close de Wesley, mas sem a presença dele", disse Bauer.

Dublê ou não, a cena do necrotério teve de ser editada com computação gráfica. Talvez Snipes tenha se recusado a abrir os olhos, como Goyer disse, e coube a Bauer e equipe fazer mágica com os efeitos especiais. Ou então era o dublê na cena, e Bauer teve de ajustar seus olhos para que eles ficassem mais parecidos com o de Blade. De um jeito ou de outro, os olhos são digitais.

"Fazer [Blade] abrir os olhos [na cena do necrotério] foi complicado, porque cada pessoa tem olhos diferentes", disse Bauer. "Mexer no rosto humano é a coisa mais difícil em termos de efeitos especiais... Não vou dar detalhes, mas você sabe que as chances de dar errado são maiores que as de dar certo."

O trabalho da equipe de efeitos especiais teria dobrado durante a produção, mas Bauer tem lembranças positivas da experiência. Ele elogiou Goyer e explicou que o trabalho extra estava relacionado a controle de qualidade. "Todo mundo estava empolgado com o material", disse ele.

Mas, sabendo que os olhos de computação gráfica são reais e que Snipes estava – segundo o relato de Oswalt – "louco pra caralho, mas de um jeito hilário", é difícil assistir o filme sem pensar na confusão que foram as filmagens.

Em uma das entrevistas dos extras do DVD, o produtor Peter Frankfurt diz que "é sempre um desafio" lidar com "várias personalidades dinâmicas que precisam ser administradas corretamente".

Logo em seguida aparece Snipes, dizendo: "Estávamos trabalhando de dia e de noite. Normalmente são de 12 a 16 horas, então ou a gente se ama ou então queremos nos esganar. Se eu pudesse te dar uma mordida no pescoço, eu te daria uma mordia no pescoço".

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