POLÍTICA
01/10/2018 02:39 -03 | Atualizado 01/10/2018 02:40 -03

Debate na Record: Adversários carimbam Haddad e Bolsonaro de 'radicais'

Líderes nas pesquisas de intenção de voto, Fernando Haddad, do PT, e Jair Bolsonaro, do PSL, foram os principais alvos dos adversários.

Montagem/GettyImages/Reuters
Fernando Haddad e Jair Bolsonaro foram considerados radicais pelos adversários.

A menos de uma semana do pleito, os 8 dos 13 candidatos à Presidência que participaram do debate da Record este domingo (30) levaram para a TV o cenário desenhado pelas pesquisas eleitorais de segundo turno entre o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, e o do PT, Fernando Haddad. Os dois foram os principais alvos. De acordo com a pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (28), o capitão reformado do Exército é preferido por 28% do eleitorado e o petista por 22%.

Enquanto se defendia das alvejadas, Haddad se colocou no segundo turno ao avaliar quais alianças seria capaz de fechar. Aos jornalista, no fim do debate, disse que não era hora de antecipar as eleições. Ausente apesar da alta médica após atentado, Bolsonaro foi citado em todos os blocos.

Não teve um candidato que poupou a dupla. A tônica contra o PT passou inclusive pelos discursos de Guilherme Boulos (PSol) e Ciro Gomes (PDT), os adversários mais à esquerda. Cabo Daciolo (Patriota), que deu um espetáculo em especial no debate (disponível aqui), engrossou o time contra Haddad.

Ciro foi ainda mais firme. Colou a proposta de Haddad na de Bolsonaro. Afirmou que os dois querem mudar a Constituição do País. No dia 28, Haddad disse, em Goiânia, que criaria condições para uma nova Constituinte.

Haddad rebateu:

Nesse momento, um dos mais quentes do debate, Ciro ressaltou que não existe poder Constituinte no Executivo e que, portanto, Haddad não deveria estar acreditando em uma palavra do que ele próprio dizia.

O petista falou em tornar a Constituição mais enxuta. E negou que estivesse no mesmo lado que Bolsonaro, cujo vice, General Mourão, afirmou que seria elaborada uma Constituição por um grupo de notáveis. Haddad finalizou dizendo que, para ele, liberdade e democracia estão sempre em primeiro lugar.

Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB) e Henrique Meirelles (MDB) também tentaram colocar Haddad e Bolsonaro como iguais.

E emendou:

A dupla, Marina e Ciro, também apelidada de "Cirina", tem atuado em consonância em outros debates. Ambos integraram o primeiro governo petista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

AFP/Getty Images
Ciro Gomes e Marina Silva no debate da Record, ambos com a flecha apontada contra Haddad e Bolsonaro.

Na esperança de conquistar votos, Alckmin embarcou no mesmo discurso.

O que foi repetido por Meirelles:

Já Alvaro Dias acusou o ex-presidente Lula de atuar para abafar a candidatura de Ciro Gomes em prol de Haddad, com base em uma reportagem da revista IstoÉ.

Ciro não comentou a denúncia, e Haddad teve o direito de resposta negado pela Record.

Este foi o penúltimo debate antes das eleições. Na próxima quinta-feira (4), os principais candidatos voltam a se enfrentar no debate da Rede Globo.

A expectativa é que o capitão reformado do Exército, líder nas pesquisas de intenção de voto, receba liberação médica para participar. Se isso ocorrer, será a primeira vez em que dois primeiros colocados nas sondagens, Bolsonaro e Haddad, se enfrentarão.