POLÍTICA
30/09/2018 18:32 -03 | Atualizado 30/09/2018 18:33 -03

Boulos quer ampliar financiamento da saúde de 1,7% para 3% do PIB

Estratégia do PSol inclui revogar a política de teto de gastos, adotada no governo do presidente Michel Temer.

Miguel Schincariol/AFP/Getty Images
Boulos quer ampliar financiamento federal em saúde de 1,7% para 3% do PIB.

Candidato do PSol à Presidência da República, Guilherme Boulos afirma em seu plano de governo que pretende aumentar o financiamento federal em saúde de 1,7% para 3% do PIB. Para elevar esse recurso, a estratégia inclui revogar a política de teto de gastos, adotada no governo do presidente Michel Temer.

A justificativa é o cenário da saúde do brasileiro. Ao detalhar o sistema atual de saúde e os entraves para melhor qualidade de vida do brasileiro, o plano destaca que "a expectativa de vida ao nascer entre quem vive na região mais rica e mais pobre de uma mesma cidade chega a variar 26 anos".

"A mortalidade infantil em áreas das regiões Norte e Nordeste chega a quase 3 vezes a média nacional e vem crescendo com a crise. Temos uma morte no trabalho a cada 4 horas e somos a quarta nação com mais acidentes de trabalho. A vida nas cidades reproduz o adoecimento: além do déficit habitacional, temos péssimas condições de transporte e índices altíssimos de acidentes de trânsito. Ainda não universalizamos o saneamento básico: 45% dos brasileiros não têm tratamento adequado de esgoto. Cresce a sensação de insegurança generalizada, aumentando as taxas de suicídio e o uso de medicamentos contra depressão e ansiedade. No campo, tragédias ambientais como as de Mariana e Barcarena se multiplicam, o agronegócio e o extrativismo avançam causando danos irreversíveis à saúde dos ecossistemas e dos povos.

O machismo, o racismo estrutural e a LGBTIfobia também afetam as condições de saúde. Cerca de 60 mil pessoas são assassinadas por ano, mais de 70% delas são negras. Quatro mulheres morrem por dia em hospitais após buscarem socorro por complicações de aborto. A cada 19 horas, uma pessoa LGBTI é assassinada. A população indígena vem tendo a maior incidência de tuberculose e de outras doenças infectocontagiosas. Um terço dos adultos considera seu estado de saúde como regular, ruim ou muito ruim."

Propostas para saúde pública

O plano, que é amplo, inclui em suas propostas a expansão e fortalecimento da rede pública com ênfase na "atenção primária, secundária e terciária e na provisão de medicamentos". Se propõe ainda a expandir e qualificar a cobertura da atenção básica a 100% dos municípios.

O documento sugere a criação de uma "carreira única interfederativa do SUS que melhore a remuneração e a distribuição de profissionais de saúde, que garanta e a estabilidade por meio de vínculo público, que permita progressão e mobilidade entre funções e níveis do sistema e promova educação e qualificação permanentes".

Sobre a política a ser adotada em relação aos usuários de drogas, o plano deixa clara a intenção de estabelecer como principal diretriz a redução de danos.