MULHERES
29/09/2018 02:54 -03 | Atualizado 31/01/2019 10:31 -02

#EleNão: 30 cidades pelo Brasil recebem atos contra Jair Bolsonaro

Movimento de mulheres contra Jair Bolsonaro (PSL) saiu das redes sociais e promete tomar as ruas neste sábado (29).

Nacho Doce / Reuters

A campanha #EleNão, protagonizada pelo movimento de mulheres contra o candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL), promete sair das redes sociais e ganhar as ruas do Brasil neste sábado (29). Segundo coletivos feministas, cerca de 30 atos públicos estão marcados pelo País. E, pelo menos 18 marchas também foram organizadas fora do País.

Dos estados que receberão atos, o HuffPost Brasil acompanhará três: em São Paulo, em Brasília e no Rio de Janeiro. Leitores podem acompanhar a cobertura pelo Twitter e pelo Instagram, a partir das 15h. O maior evento no Brasil, pertencente ao coletivo feminista Juntas, de São Paulo, conta com 80 mil pessoas estão confirmadas e 233 mil interessadas.

"Não é só a questão de que ele é um cara autoritário, com tendências ditatoriais. As mulheres estão em risco. E gente tem que mostrar que a gente tem força, muita força. A gente está disposta a mostrar a cara e dizer: ele não, ele de jeito nenhum", afirma a advogada Flávia Pinedo em entrevista ao HuffPost Brasil. Ela mora de São Paulo, que pretende ir à manifestação que acontecerá na cidade neste sábado (29).

O Juntas também informa que há cerca de 18 eventos programados também fora do País. Entre as metrópoles estrangeiras que vão às ruas contra Bolsonaro estão Berlim (Alemanha), Buenos Aires (Argentina), Paris (França), Londres (Inglaterra), Lisboa (Portugal) e Nova York (EUA).

Na onda da manifestação de mulheres, outros grupos de movimentos sociais organizam, também em redes sociais, atos contra o presidenciável do PSL. Um evento no Facebook, por exemplo, chama a comunidade LGBT para o ato no no vão do MASP, em São Paulo. Até o fechamento da reportagem, o evento contava com 5,5 mil confirmados e 28 mil interessados. No Rio de Janeiro, um evento que convoca mulheres, negros e LGBTQ+ até o momento conta com 30 mil confirmados e 120 mil interessados.

A ativista Lara Daltro, uma das organizadoras da macha em Salvador, afirma que ir para rua hoje significa rejeitar a postura "totalmente racista do candidato". "Eu sou uma mulher de Candomblé, é uma postura [a de Jair Bolsonaro] que pretende aniquilar com o que resta de ancestralidade negra no Brasil", afirma em entrevista ao HuffPost Brasil. "Temos que ir para rua pelo nosso passado, pelo nosso presente e pelo nosso futuro".

A aceitação e rejeição a Jair Bolsonaro

ZAKARIA ABDELKAFI via Getty Images
Ativista pinta os dizeres "Ele Não" em suas mãos, em protesto realizado em Paris, na França.

Bolsonaro já defendeu que as mulheres não devem receber o mesmo salário que os homens, mesmo que exerçam a mesma função; demonstrou menosprezo ao se referir à própria filha ao dizer, em 2017, que tem "5 filhos. Foram 4 homens, a 5ª eu dei uma fraquejada e veio uma mulher". Recentemente, general Mourão afirmou à Folha de S. Paulo que famílias sem "pai e avô" e com "mãe e avó" são "fábricas de desajustados" que ingressam no narcotráfico.

Em contraponto ao projeto de governo e a declarações recentes de Bolsonaro e de seu vice, o general reformado Hamilton Mourão, o movimento feminista difundiu a hashtag #EleNão nas redes sociais e o grupo fechado "Mulheres Contra Bolsonaro", no Facebook, já conta com mais de 3 milhões de integrantes, mesmo depois de sofrer ataques por parte de apoiadores do candidato.

Em resposta à articulação das mulheres e outros movimentos sociais contra Bolsonaro, apoiadores do candidato criaram a hashtag #EleSim, e se organizam para um protesto que acontecerá neste domingo (30), segundo a Folha de S. Paulo. Segundo o jornal, em São Paulo, o ato ocorrerá na avenida Paulista, em frente ao Masp, a partir das 14h.

De acordo com Joice Cristina Hasselmann, jornalista e candidata a deputada federal pelo PSL, que também é ativista do movimento #EleSim, acontecerão 3 atos no estado de São Paulo neste fim de semana. "Estão vendendo uma coisa que ele não é. Como se fosse um grande machista, um monstro", afirma em entrevista ao HuffPost Brasil, em referência à campanha do outro lado.

Mesmo com manifestações contra e a favor, Bolsonaro deve ir para o segundo turno. O dado é da última pesquisa Datafolha divulgada na noite desta sexta-feira (28), que mostra que o enfrentamento de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) é um cenário possível. Bolsonaro ficou estável em 28%, mesmo percentual que tinha em 20 de setembro, na Datafolha anterior. Haddad teve crescimento expressivo: saiu de 16% para 22%.