POLÍTICA
28/09/2018 19:21 -03 | Atualizado 28/09/2018 19:21 -03

Bolsonaro diz que não aceitará resultado se perder eleição

"Pelo que eu vejo nas ruas, eu não aceito um resultado das eleições diferente da minha eleição”, afirmou em entrevista ao jornalista José Luiz Datena.

“Na terceira vez que ele falou, eu disse ‘daqui para frente, até as eleições, o senhor não fala mais nada'", disse Bolsonaro a Mourão.
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“Na terceira vez que ele falou, eu disse ‘daqui para frente, até as eleições, o senhor não fala mais nada'", disse Bolsonaro a Mourão.

Candidato do PSL ao Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (28) que a única hipótese de o PT ganhar a eleição presidencial é caso haja fraude. Ele disse que não aceitará um resultado diferente de sua vitória. "Pelo que eu vejo nas ruas, eu não aceito um resultado das eleições diferente da minha eleição", disse.

O presidenciável que lidera a corrida eleitoral concedeu a entrevista ao jornalista José Luiz Datena, da TV Bandeirantes. A entrevista de quase uma hora foi feita na manhã desta sexta-feira (28) no Hospital Albert Einstein, em São Paulo (SP), onde o deputado está internado, e foi exibida no fim da tarde, no programa Brasil Urgente.

Questionado se o PT tem chances de ganhar as eleições, Bolsonaro criticou a Justiça Eleitoral. "Só na fraude. Lamentavelmente não temos como auditar as eleições. Não existe outra maneira que não seja a fraude", afirmou.

Segundo o candidato, seria impossível perder porque é aclamado nas ruas. "Precisa ver como me tratam. E quando o PT, o Haddad, o Lula ia pra rua, ele era xingado", afirmou em referência ao candidato do PT, Fernando Haddad, que substitui o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida eleitoral.

O presidenciável deu a entender que funcionários do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) poderiam fraudar as urnas, mas não apresentou provas. Questionado se as instituições militares aceitariam sua derrota, o deputado disse que não poderia falar pelos comandantes.

Apesar das declarações, Bolsonaro negou que sua posição seja anti democrática e disse que há "zero chance" de risco à democracia. "Não é [antidemocrático] porque é um sistema eleitoral que não existe em nenhum lugar do mundo", afirmou.

Denúncias da ex-esposa

Quanto às acusações do processo da ex-esposa, Ana Cristina Siqueira Valle, Bolsonaro minimizou os possíveis crimes. "A própria ex-mulher desmente muita coisa. Numa separação é comum em todos os casos ter problemas, é litigiosa e as cotoveladas acontecem de ambas as partes. Tem partilha de bens, guarda do filho e a própria ex-mulher minha disse que [com] sangue quente, fala-se coisas que não existem."

Segundo processo da separação litigiosa revelado por reportagem da revista Veja, as acusações são de furto de cofre, ocultação de bens, "comportamento explosivo" e "desmedida agressividade". Ana Cristina acusou o ex-marido de furtar US$ 30 mil e R$ 800 mil de um cofre que ela mantinha em agência do Banco do Brasil, em 2007.

No documento, a ex-esposa também acusa o presidenciável de ocultar milhões de reais em patrimônio pessoal na prestação de contas à Justiça Eleitoral em 2006, ano em que foi eleito deputado federal. De acordo com ela, a renda mensal do então marido chegava a R$ 100 mil e Bolsonaro recebia "outros proventos" além do salário de parlamentar e da renda como militar da reserva.

O candidato não respondeu sobre a suposta ocultação de bens e fontes de renda.

#EleNão

Alvo da campanha #EleNão, iniciada por mulheres, Bolsonaro disse ter apoio do eleitorado feminino. "Tem um pequeno movimento de mulheres que é abafado por um enorme movimento de mulheres a meu favor. Querem manipular, como se a mulher fosse manipulável".

Ele também negou ser machista, homofóbico, racista e xenófobo. "É um rótulo que botaram em mim. Ache um áudio, uma imagem minha dizendo que mulher tem que ganhar menos do que homem. Não existe", afirmou". O candidato admitiu, em 2016, que não pagaria a uma mulher o mesmo salário pago a um homem.

Confusão com Mourão e Paulo Guedes

Bolsonaro reconheceu desentendimentos na campanha e defendeu que todos aliados devem consultá-lo antes de declarações públicas. "Tem que seguir meu exemplo. Eu ligo para eles antes de falar uma coisa da área deles. Nós trabalhamos em equipe", afirmou.

De acordo com ele, o vice, general da reserva Hamilton Mourão não irá se pronunciar até o primeiro turno. "Na terceira vez que ele falou, eu disse 'daqui para frente, até as eleições, o senhor não fala mais nada'. E ele reconheceu", afirmou. O deputado disse que o número dois não tem experiência e malícia para lidar com jornalistas.

Sobre o economista Paulo Guedes, seu "Posto Ipiranga", Bolsonaro afirmou que ele não tem aparecido em público porque suas falas são descontextualizadas. O candidato voltou a dizer que não irá aumentar impostos e defendeu estimular "quem produz". De acordo com ele, a fiscalização ambiental e direitos indígenas impedem o desenvolvimento.

Debate no 2º turno

Com previsão de alta no fim de semana, Bolsonaro afirmou que provavelmente não irá participar de atos na rua. Ele disse, contudo, que pode sair de casa a partir do dia 10 de outubro, segundo orientação médicas.

O candidato prometeu participar de debates, caso esteja na disputa final. "Estou em condições, em havendo segundo turno, de participar de debate sim", afirmou.

Sobre sua saúde, o presidenciável afirmou que está melhor do que antes do atentado. "Estou vivo por milagre. Foi uma facada de profissional porque cravou e rodou (...) por centímetros eu deixei de ser atingido em parte vital", disse.

Foi a primeira entrevista na TV aberta que Bolsonaro foi alvo de uma facada em 6 de setembro. Na segunda-feira (24), ele negou "pregar o ódio", em conversa na rádio Jovem Pan.