POLÍTICA
28/09/2018 13:19 -03 | Atualizado 28/09/2018 15:04 -03

5 fatos que abalaram a campanha de Jair Bolsonaro nesta semana

Ex-esposa acusou candidato de furto de cofre e agressividade, segundo reportagem da revista Veja.

Adriano Machado / Reuters

A uma semana do primeiro turno, a campanha do candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, enfrentou uma sequência de dificuldades nesta semana. Internado desde 6 de setembro, vítima de uma facada, o presidenciável tem entrado em contradição com seus aliados.

Em ascensão nas intenções de voto, o deputado estagnou, de acordo com as últimas pesquisas. Já a rejeição aumentou.

Neste sábado (29), ativistas do movimento #EleNão organizam atos pelo País contra o candidato. A mobilização de Mulheres contra Bolsonaro ganhou adesão de artistas, inclusive no exterior.

Na última segunda-feira (24), a CDMA (Comissão da Mulher Advogada) da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), em Pernambuco, divulgou uma nota de repúdio a música de apoiadores do presidenciável que compara feministas a 'cadelas'.

1. Acusações da ex-esposa

Ex-esposa do parlamentar, Ana Cristina Siqueira Valle o acusou de furto de cofre, ocultação de bens, "comportamento explosivo" e "desmedida agressividade", segundo processo da separação litigiosa revelado por reportagem da revista Veja nesta quinta-feira (27).

Segundo a publicação, Ana Cristina acusou o ex-marido de furtar US$ 30 mil e R$ 800 mil de um cofre que ela mantinha em agência do Banco do Brasil, em 2007. O caso foi registrado na 5ª Delegacia de Polícia Civil, na época.

No documento, a ex-esposa também acusa o presidenciável de ocultar milhões de reais em patrimônio pessoal na prestação de contas à Justiça Eleitoral em 2006, ano em que foi eleito deputado federal. De acordo com ela, a renda mensal do então marido chegava a R$ 100 mil e Bolsonaro recebia "outros proventos" além do salário de parlamentar e da renda como militar da reserva.

No Twitter, o candidato minimizou as acusações e repetiu a estratégia de criticar a imprensa.

2. General Mourão

Vice-candidato na chapa presidencial, o general da reserva Hamilton Mourão foi afastado das atividades públicas até o primeiro turno, segundo informações de seu partido, o PRTB. A decisão foi após declarações controversas nesta quinta.

Em evento com comerciantes no Sul, Mourão defendeu o fim do 13º salário. "Temos umas jabuticabas que a gente sabe que são uma mochila nas costas de todo empresário", afirmou. "Jabuticabas brasileiras: 13º salário. Como a gente arrecada 12 (meses) e pagamos 13? O Brasil é o único lugar onde a pessoa entra em férias e ganha mais", completou.

O militar da reserva também criticou o adicional de férias e propôs renegociar os juros da dívida do governo, medida que pode afastar o apoio do mercado. Após as declarações, Bolsonaro também usou as redes sociais para defender o 13º salário.

Não é a primeira vez que as frases do vice provocam confusão na campanha. Na semana passada, o general da reserva teve de se retratar após dizer que famílias formadas por mães e avós e sem pais e avôs eram uma "fábrica de desajustados".

3. Rejeição alta

Pesquisa do Ibope, em parceria com a CNI, divulgada na última quarta-feira (26), mostra que Bolsonaro manteve a liderança na rejeição, com 44%. Na sondagem Ibope, publicada na segunda-feira (24), ele registrou 46%, um aumento considerando a medição da semana passada, que indicou 42%.

As pesquisas também indicaram estagnação entre apoiadores. A que foi publicada quarta mostrou 27% das intenções de voto. Já a sondagem de segunda indicou 28%, mesmo patamar da medição anterior, de 18 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos para mais e para menos.

4. Bolsonaro não supera adversários no 2º turno

As pesquisas também indicam que o candidato não supera nenhum dos concorrentes no segundo turno. Pesquisa Ibope divulgada na segunda mostra que ele perde para Ciro Gomes (PDT), Fernando Haddad (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) e fica empatado com Marina Silva (Rede).

No cenário mais provável, de disputa com Haddad, o petista tem 43% das intenções de voto e o candidato do PLS, 37%.

5. Alta do hospital adiada

A expectativa era que o deputado recebesse alta do Hospital Albert Einstein, em São Paulo (SP), nesta sexta-feira (28), mas a liberação foi adiada após ser identificada uma contaminação do cateter colocado em seu braço.

Com o contratempo, ele deve deixar o hospital no sábado (29). Segundo os boletins médicos, seu estado de saúde tem melhorado. O parlamentar tem se alimentado e caminhado nos últimos dias.

Posto Ipiranga de lado

Outro revés da campanha foi o desentendimento com o economista Paulo Guedes, apelidado de "Posto Ipiranga" e futuro ministro da Fazendo, caso Bolsonaro seja eleito.

Um dia após Guedes defender uma proposta de alteração do imposto de renda e recriação de um tributo nos moldes da CPMF, para economistas, Bolsonaro afirmou que é a favor da redução da carga tributária. Desde então, o guru econômico tem evitado agendas públicas.