COMPORTAMENTO
25/09/2018 15:28 -03 | Atualizado 25/09/2018 15:28 -03

Os transtornos psiquiátricos e neurológicos têm a mesma base genética?

Muitas doenças podem até compartilhar algumas características, como alucinações.

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Os distúrbios cerebrais podem compartilhar sintomas entre si, sejam eles de origem neurológica ou psiquiátrica. Por exemplo, pacientes que sofrem tanto com a esquizofrenia quanto os que têm Alzheimer podem apresentar quadros de alucinações.

Por compartilharem características, pesquisadores sempre levantaram a hipótese de que transtornos neurológicos e psiquiátricos poderiam ter a mesma base genética - ou, pelo menos, alguma parte dela.

No entanto, um estudo publicado na revista Science afasta tal possibilidade. De acordo com a pesquisa "Análise da herdabilidade compartilhada em transtornos comuns do cérebro", a correlação genética entre os transtornos de origem neurológica e psiquiátrica é muito baixa.

O estudo, ainda, traz algumas conclusões importantes.

Doenças psiquiátricas, como ansiedade, depressão e transtorno obsessivo compulsivo compartilham genes parecidos. Porém, as doenças neurológicas, dentre elas Alzheimer, Parkinson e epilepsia, apresentam correlação genética pouco significativa quando comparadas umas com as outras.

Outra conclusão, ainda, é que quanto mais cedo uma doença do cérebro se manifesta, maior é a sua herdabilidade, ou seja, maior o componente genético envolvido no transtorno.

Mas o que difere as doenças neurológicas das psiquiátricas?

A professora da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) Helena Brentani é uma das autoras do estudo. Em entrevista ao Jornal da USP, ela explicou que "a neurologia estuda a relação do cérebro com os demais órgãos do corpo, enquanto a psiquiatria considera também o relacionamento do indivíduo com o ambiente externo, inclusive as outras pessoas."

Para Brentani, o resultado do estudo reforça que doenças neurológicas devam ser tratadas e analisadas de modo distinto, já que não possuem a mesma origem. Mas a alta taxa de correlação genética entre as psiquiátricas pode levar a uma mudança no processo como é feito o diagnóstico e como o médico compreende o seu paciente.