MULHERES
25/09/2018 15:37 -03 | Atualizado 25/09/2018 19:34 -03

Donald Trump questionou o silêncio das mulheres em casos de estupro. E elas responderam à altura

Usando a hashtag #WhyIDidntReport (#Porquenãodenunciei), mulheres respondem à declaração do presidente dos Estados Unidos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se pergunta por que sobreviventes de ataques sexuais não procuram a polícia imediatamente para fazer denúncias.

Sabemos disso porque Trump literalmente fez essa pergunta no dia 21 de setembro, em uma série de tweets que tinha como objetivo expressar dúvidas sobre a história de Christine Blasey Ford. Ela acusa Brett Kavanaugh, indicado por Trump para uma vaga na Suprema Corte, de atacá-la quando ambos estavam no ensino médio.

(Os advogados de extrema esquerda querem que o FBI se envolva AGORA. Por que ninguém ligou para o FBI 36 anos atrás?)

Segundo estimativas do próprio governo americano (https://www.vox.com/2014/12/10/7368829/rape-statistics), dois terços das pessoas estupradas ou atacadas sexualmente não procuram a polícia. (Blasey falou sobre o trauma na terapia, anos depois.)

Bem, senhor presidente, o senhor perguntou – e a internet respondeu.

Sobreviventes de ataques sexuais contaram suas histórias angustiantes em resposta à pergunta de Trump, usando a hashtag #WhyIDidntReport (por que não denunciei).

(Aviso: alguns leitores podem achar o conteúdo abaixo perturbador.)

(#WhyIDidntReport Dois dos amigos de fraternidade dele apareceram no meu quarto no dia seguinte e ameaçaram me matar se eu dissesse alguma coisa.)

(A hashtag #WhyIDidntReport é tão importante. Não quero minimizar as histórias das mulheres, mas aconteceu comigo também. Não denunciei porque um pastor disse que eu não tinha provas suficientes e só provocaria um escândalo. Eu tinha 18 anos. Isso é comum.)

(Ele era meu padrasto. Minha mãe, co-pastora dele, colocou a culpa em demônios na cama. Eu tinha 12 anos. #WhyIDidntReport)

(Havia outros cinco meninos brancos e ricos no quarto do meu namorado, na fraternidade dele.

Eu era pobre, estudava com bolsa.

Estava bêbada e drogada e me passaram de um lado para o outro, como um bong.

Como um jogo de batata quente.

Achava que ele me amava.

Fiquei com vergonha e com medo. #WhyIDidntReport)

(#WhyIDidntReport Eu tinha 12 anos. Ele tinha 14 e era meu "namorado". Disse à minha "carinhosa" mãe que fui estuprada e ela respondeu: "Bom, você não deveria ter ido para a casa dele". Coloquei a culpa em mim mesma.)

(Porque eu não queria admitir o que tinha acontecido, nem para mim mesma. #WhyIDidntReport)

(Eu tinha 17 anos. Estuprada por um amigo. Estava confusa. Negando. Com medo. Os pais dele eram ricos e mais bem conectados que os meus. Ele era um "bom" aluno. As pessoas gostavam dele. O único amigo para quem contei respondeu: "Ele jamais faria isso." Achei que ninguém fosse me ajudar. #WhyIDidntReport)

(#WhyIDidntReport porque eu era criança. Ele era meu tio, e eu sentia medo e vergonha. Não me dava conta de que alguém que eu amava podia me machucar.)

(Minha mãe disse que mataria quem me machucasse, e aos 9 anos eu acreditava nela. Tinha medo que ela fosse parar na cadeia. #WhyIDidntReport)

(Ele era sobrinho da namorada do meu pai na época, e era mais velho e mais forte que eu. Começou quando eu tinha 7 anos, e achei que ele me machucaria ainda mais e que ninguém acreditaria em mim. Demorou 4 anos para eu romper o silêncio. Ele estava abusando de outras crianças também, descobri mais tarde. #WhyIDidntReport)

(Eu tinha quatro anos, e ele disse que ia me matar. #WhyIDidntReport)

(Eu tinha 15 anos. Demorou anos para que eu *entendesse* que não foi culpa minha #WhyIDidntReport)

(Eu não denunciei porque eu tive estresse pós traumático e fui parar em um hospital. 3 anos depois. Eu ainda vivo com os efeitos daquele dia.)

(Eu não entendi o que tinha acontecido comigo - eu gostava de um garoto mais velho e ele me disse que nós tínhamos que fazer algo para nos tornarmos namorados. Ah e, inclusive, eu tinha 8 anos.)

(#WhyIDidntReport O primeiro ataque: porque ele era colega e amigo do meu namorado na época, que me disse que eu não deveria "criar caso" e "atrapalhar a cultura no trabalho". Afinal de contas, ele estava arrependido. O ataque não foi tão grave. Eu deveria estar agradecida.)

(#WhyIDidntReport Ele teoricamente era meu amigo, mas me bateu quando eu disse não. Essa é a primeira vez que falo disso em público.)

(Eu denunciei, não fez diferença, me ignoraram, me atacaram e até hoje me culpam. #WhyIDidntReport)

Não silencie!

"Foi só um empurrãozinho", "Ele só estava irritado com alguma coisa do trabalho e descontou em mim", "Já levei um tapa, mas faz parte do relacionamento". Você já disse alguma dessas frases ou já ouviu alguma mulher dizer? Por medo ou vergonha, muitas mulheres que sofrem algum tipo de violência, seja física, sexual ou psicológica, continuam caladas.

Desde 2005, a Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, funciona em todo o Brasil e auxilia mulheres em situação de violência 24 horas por dia, sete dias por semana. O próximo passo é procurar uma Delegacia da Mulher ou Delegacia de Defesa da Mulher. O Instituto Patrícia Galvão, referência na defesa da mulher, tem uma página completa com endereços no Brasil. Clique aqui.