COMPORTAMENTO
24/09/2018 13:49 -03 | Atualizado 24/09/2018 13:49 -03

Italiana cria abrigo para cachorros em luto

A casa de repouso recebe os animais que perderam os seus donos.

Little Brown Rabbit Photography via Getty Images

O que acontece com os cachorrinhos que perderam seus donos? Companheiros de uma vida, muitas vezes os animais são abandonados ou não tem para onde ir com a partida do seu tutor original. Pensando em como melhorar o suporte para esses bichinhos até o fim de seus dias, uma italiana fundou uma casa de repouso para cães em luto.

A instituição se chama "Baffi d'argento" ("Bigodes de prata", em tradução literal). Tudo começou com a história de um cão que foi abandonado depois da morte de seu tutor. No canil, o animal era visto sempre triste e sem interagir com os outros animais. Ele não sentia mais fome e foi encontrado morto em uma manhã por um dos responsáveis pelo canil.

"Quando me ligaram, já era tarde. Então eu me questione: o que acontece com os cães que ficam órfãos da pessoa com quem viveram por um longo tempo e que passam do conforto de casa para o canil?", diz Daniela Salvi, etóloga apaixonada por cachorros e fundadora da Baffi d'argento.

"Existem pessoas que morrem e não têm filhos, ou têm filhos que se preocupam somente em repartir a herança, abandonando os cães sem pensar duas vezes", afirmou Salvi.

Foi aí que a etóloga resolveu criar a casa de repouso como resposta para mudar o destino de tantos animais.

"Atualmente temos três cachorros, mas outros três estão para chegar. Nebbia, que estava velho e muito doente, morreu 15 dias depois de chegar aqui, mas valeu a pena tomar conta dele", disse.

A única exigência do local é que os cães não sejam agressivos e não criem problemas com os outros animais. Todos os cachorros são soltos nas manhãs para ficar no frescor das árvores ou mesmo para descansar.

Clara Di Silvio, sócia de Salvi, se dedica à limpeza, ao café da manhã e ao cuidado dos animais. Os cães doentes fazem tratamento, desde soro a medicações, e em casos mais graves passam por intervenções na clínica veterinária que fica na frente da casa. Às 16h, os animais voltam para dentro, são penteados e "jantam" (são duas rações por dia), depois todos vão para o salão ver TV.

"Escolhemos programas culturais, como documentários do National Geographic, Animal Planet ou Geo&Geo", conta Salvi.

Para hospedar os cachorros, a regra é que quem tem mais paga mais. A Baffi d'argento prevê uma taxa de 150 euros, mas caso o responsável pelo cão não possa arcar com os custos, não tem problema.

"Pegamos todos, e paga quem vem depois. Aceitamos também doações grandes e pequenas, como já temos recebido", afirmou a etóloga.

"Alguns nos encorajam a seguir em frente. Eu não preciso ganhar dinheiro, não pagamos aluguel. Os custos são o salário da Clara e os cuidados com os animais", concluiu.

Mas cachorros sentem luto?

Apesar de ser um conceito criado pelos seres humanos, os animais são capazes de sentir falta e sofrer com a perda de seus pares ou tutores.

No ser humanos, obviamente, o luto é um processo cognitivo mais complexo, mas isso não impede que os animais que passem por perdas tenham a tendência de mudar o comportamento. Em geral, eles ficam mais quietos, perdem o apetite e não interagem muito.

Se o animal não voltar ao normal após um tempo, é preciso prestar mais atenção. Ainda, a socialização do bichinho é uma ferramenta imprescindível após a perda do tutor, seja com outros animais ou com outras pessoas.

(Com informações de ANSA)