POLÍTICA
22/09/2018 18:03 -03 | Atualizado 22/09/2018 18:08 -03

Em BH, Ciro Gomes relaciona porte de fuzil entre jovens com dúvida sobre virilidade

Candidato à Presidência da República concedeu entrevista à Rádio Autêntica Favela, em Belo Horizonte (MG), neste sábado (22).

SIPA USA/PA Images
Em entrevista, Ciro defendeu que a educação é a única forma de evitar índices altos de criminalidade no País.

Ciro Gomes (PDT), candidato à Presidência da República, concedeu uma entrevista à Rádio Autêntica Favela, em Belo Horizonte (BH), durante evento de campanha. Nela, ele defendeu que a educação é a única forma de evitar índices altos de criminalidade no País e, ao criticar facções criminosas que, segundo ele, "recrutam jovens para o crime", afirmou que "aquele menino que talvez o pau seja pequeno, acha que aquele fuzil pode ser o pau grande que ele não tem".

Para ele, o grande problema da violência são as facções que recrutam crianças e adolescentes em condição de vulnerabilidade. "Temos o PCC e o CV, e agora uma facção abestada no Ceará, a GDE. E o PCC, que é mais esperto, usa essa meninada do GDE e coloca uma metralhadora na mão dele, um fuzil pesado, uma AR15, e aquele menino que talvez o pau seja pequeno, acha que aquele fuzil pode ser o pau grande que ele não tem", disse, segundo o Estado de Minas.

Em seguida, o candidato se desculpou. "Desculpe aí a senhora que está ouvindo, mas só posso entender por isso. Porque o menino vai morrer daqui a seis meses. É uma coisa impressionante". Durante a entrevista, o candidato foi questionado sobre a declaração do general Mourão, vice do candidato Jair Bolsonaro (PSL), sobre casas com crianças criadas apenas pela mãe ou avó são "fábricas de desajustados". A afirmação foi feita em uma entrevista à Folha de S. Paulo, nesta semana. "Dá vontade de mandar tomar naquele lugar, mas não vou falar palavrão em respeito aos ouvintes", comentou, ao lembrar que as mulheres chefiam maioria dos lares brasileiros.

Em evento de campanha, ao lado de Alexandre Kalil (PHS), prefeito de Belo Horizonte, Ciro Gomes ainda fez críticas a Bolsonaro e o associou às práticas nazistas, dizendo que ele persegue negros, LGBTs e mulheres. "Tudo isso está na retórica e na prática do Bolsonaro e do seu grupo de SS nazistoides", afirmou, segundo a Folha. O candidato também fez críticas a Fernando Haddad (PT) e disse que eleitor deve "botar a mão na cabeça" antes de votar em um nazista ou em quem não conseguiu se reeleger prefeito.


Veja o que outros candidatos fizeram em eventos de campanha neste sábado (22):

Geraldo Alckmin (PSDB)

Em evento de campanha neste sábado (22), em Jundiaí, no interior de São Paulo, o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, defendeu a adoção de políticas públicas para a promoção da igualdade do gênero, com medidas voltadas para o mercado de trabalho e combate à violência contra a mulher. Segundo o jornal O Globo, o candidato disse que "o Brasil tem uma dívida com as mulheres". Ele prometeu ampliar o programa "Patrulha Maria da Penha", criar mais creches, e que vai trabalhar para que a diferença salarial entre homens e mulheres diminua no mercado de trabalho formal.

O candidato também passou por Sorocaba, cidade próxima de Jundiaí. Em evento, ele fez críticas a seu adversário, Ciro Gomes (PDT) que, na noite desta sexta-feira (21), fez críticas ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que recentemente pediu união de candidatos contra extremismo. "É inacreditável. O Ciro tem duas características. Uma é não gostar de São Paulo, sempre que pode fala mal de São Paulo. A outra, não tem espírito de justiça. Como é que pode? Quer dizer, o Lula não é culpado, o PT não é culpado, e o Fernando Henrique, que está fora do governo há 16 anos, é o culpado? Não é razoável", acrescentou, segundo a Folha de S. Paulo.

Marina Silva (REDE)

Marina Silva (REDE), ao lado do vice, Eduardo Jorge, neste sábado (22), realizaram caminhadas pelas ruas de Porto Alegre (RS) e falaram com a imprensa no local.

Segundo a Folha de S. Paulo, a candidata à presidência anunciou que ingressou com uma ação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra Jair Bolsonaro (PSL) por "orquestração" do ataque hacker à página "Mulheres contra Bolsonaro" no Facebook.

Na ação, Marina alega que, ainda que não se confirme que Bolsonaro e seus aliados foram autores ou mandantes do ataque ao grupo, o capitão reformado obteve vantagem eleitoral com o caso.

Fernando Haddad (PT)

Neste sábado (22), o candidato à Presidência da República, Fernando Haddad (PT), fez uma caminhada pela Praça do Diário, em Recife (PE). De acordo com a Folha de S. Paulo, o candidato foi vaiado ao falar de Renata Campos e João Campos, viúva e filho do ex-governador Eduardo Campos respectivamente. Parte do público também vaiou por várias vezes o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), com o coro de "golpista". Câmara fez campanha para Aécio Neves (PSDB) em 2014.

Segundo o Diário de Pernambuco, em entrevista após a caminhada, candidato falou sobre suas propostas para a educação e a transposição do rio São Francisco. "Na Transnordestina e na Transposição, foram bilhões gastos, tem que concluir a todo custo, não vamos deixar uma obra estratégica parada", disse. O candidato do PT também afirmou que não leu a carta de Fernando Henrique Cardoso por considerá-la "um apoio a Geraldo Alckmin" e falou sobre o crescimento de seu oponente, Jair Bolsonaro (PSL), nas pesquisas: "Não podemos tentar resolver os problemas do País na base do autoritarismo e da violência".

Jair Bolsonaro (PSL)

Em novo boletim médico, o hospital Albert Einstein, informa que o Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, "evolui com melhora clínica progressiva" e que, na manhã deste sábado (22), recebeu alta da Unidade de Terapia Semi-Intensiva. "Não apresenta dor, febre ou disfunções orgânicas. Segue com recuperação dos movimentos intestinais, recebendo dieta pastosa em associação à nutrição parenteral", diz o relatório médico.

Ainda neste sábado (22), em uma postagem em seu perfil do Twitter, Bolsonaro afirma que tem viajado pelo Brasil há tempos e que não se importa com o país apenas em períodos eleitorais e que "juntos vamos resgatar a nossa nação".Segundo a Folha de S. Paulo, o presidenciável receberá, ainda neste fim de semana, a visita de Paulo Guedes e do candidato a vice General Mourão (PRTB). Apoiadores pretendem inflar, na tarde deste sábado (22), bonecos de Bolsonaro e Mourão em frente ao Parque do Ibirapuera, em São Paulo.