COMPORTAMENTO
21/09/2018 15:17 -03 | Atualizado 21/09/2018 15:17 -03

Não há nada de errado em abandonar um encontro ruim após 30 minutos

A regra de simplesmente ir embora depois de um drinque é mais fácil do que você imagina.

Hero Images via Getty Images

Todos nós já passamos por primeiros encontros que poderiam ser classificados como, no mínimo, horríveis. Talvez você não tivesse nada em comum com a outra pessoa e tentar bater um papo despreocupado com ela tenha sido tão difícil quanto arrancar um dente. Ou você pode ter sido vítima de "kittenfishing" – o sujeito que você conheceu no encontro mais parece um primo distante e feioso do cara que você escolheu no Tinder.

Mas aquele sofrimento todo no primeiro encontro é realmente necessário?

Não se você estiver seguindo a regra do "simplesmente ir embora depois de um drinque". Uma britânica que escreve sobre sexo e comportamento e é conhecida como Girl on the Net propôs em seu blog que as pessoas imponham um limite específico de tempo a todos seus primeiros encontros.

Você conhece uma pessoa num pub, num café ou no bar de um teatro chique e vocês dois percebem desde o primeiro momento que o encontro talvez não dure mais tempo que um drinque. Se a pessoa é divertida, interessante e o tipo de pessoa com quem você pode sentir vontade de passar a noite toda, você pode sugerir mais um drinque, propor que vocês façam algo mais interessante ou até chegar à troca de votos e alianças. Mas se, como tão frequentemente acontece, o encontro não funcionar assim para nenhum de vocês dois, ambos ganham o direito de simplesmente ir embora. Se um de vocês perceber que o outro não corresponde à descrição feita dele ou não é bem o que você tinha em mente, pode invocar seu direito de encerrar o encontro sem ofensa, ressentimentos ou queixas resmungadas tipo "putz, vim lá de [seja onde você mora]".

Grande ideia? Nós achamos que sim. Como lhe dirá qualquer pessoa solteira, procurar um relacionamento hoje em dia é um coisa exaustiva, e ninguém tem tempo para jogar fora. Com a regra do "apenas um drinque", que implica em sair do encontro depois de uns 30 minutos, você se poupa de ter que passar por mais um encontro desnecessariamente longo com alguém com quem você não tem química alguma. Ao mesmo tempo você estará enxugando sua programação de encontros românticos e preservando energia para os primeiros encontros que são bons de fato.

Há uma ressalva a ser feita: para evitar entrar em um cenário do tipo "eu pago esta rodada de drinques e você a próxima" e para não se sentir em dívida com a outra pessoa porque ela pagou sua bebida, cada um tem que pagar por sua própria bebida, aconselhou Girl on the Net.

"Dessa maneira se evitam possíveis problemas políticos, emocionais e financeiros envolvidos em decidir quem paga a conta no encontro", ela disse ao HuffPost. "O objetivo principal é fazer com que seja super simples tomar um drinque rápido e casual com uma pessoa, em uma situação que você possa 'ser você mesma' na medida do possível, com o mínimo de pressão. E, se vocês realmente chegarem a dizer 'que tal mais um drinque?', será um jeito simpático de dizer à pessoa 'eu topo continuar um pouco aqui, e você?'"

Neste ponto é possível que você esteja pensando: Isso tudo não parece um pouco brusco, até um pouco de falta de educação?

Sim, pode ser interpretado como frieza, mas depende de como você apresentar o assunto. Se você é do tipo que mete a cara e fala diretamente, diga à outra pessoa desde o primeiro momento que vocês só vão poder tomar um drinque e depois negocie a partir disso.

Qual é a má notícia, então? É que se a política do único drinque pegar, um dia também você, inevitavelmente, vai ouvir de alguém: "A cerveja estava boa, agora tenho que ir". Mas isso não é melhor do que passar mais uma hora com uma pessoa que não lhe interessa em nada? (E, nesta era de "ghosting", é um alívio quando alguém fala francamente o que está sentindo.)

A política de "ir embora depois de um drinque" não é para todos. Anos atrás, a coach de relacionamentos Erika Ettin, de Washington, cogitou de uma política semelhante – uma espécie de "lei do limão" para os encontros, como a que Barney Stinson propôs em "How I Met Your Mother". A regra de Stinson era que as duas partes poderiam ir embora depois de cinco minutos se não estivessem curtindo o encontro.

Hoje Ettin acha que impor limites de tempo a um encontro romântico talvez tenha um custo.

"Quando você já tem a conclusão do encontro fixa na sua cabeça, isso geralmente vai influir sobre o encontro", ela explicou. "Se você chega lá já pensando que se não gostar da pessoa vai embora rapidamente, você não estará plenamente presente durante o tempo que realmente estiver lá, e isso não é justo para nenhuma dos dois que estão ali. Ainda é possível ganhar alguma coisa com a interação."

Mesmo que você seja contra a política do cair fora após um drinque, ela é boa para lembrar que você nunca tem a obrigação de continuar em um encontro desagradável. Você não é a Madre Teresa dos primeiros encontros chatos. Se o encontro estiver tão insuportável assim, chame um Uber e vá embora.

De uma maneira ou de outra, você vai estar curtindo ou acabando com o encontro do jeito que você mesmo decide fazer.

"Quando eu era solteira, acaba ficando em encontros com homens que eram um tédio ou horríveis, simplesmente porque era educada demais para dizer 'não, obrigada'", comentou Ettin. "A política do 'um drinque' é mais um mecanismo para lidar com encontros chatos que qualquer outra coisa."

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.