POLÍTICA
21/09/2018 02:16 -03 | Atualizado 21/09/2018 02:27 -03

Haddad se torna principal alvo e mostra insegurança no debate da TV Aparecida

"A terceirização fragiliza o trabalho contra o capital, que é prática do PSDB", disse o candidato do PT a Alckmin, em uma morna troca de farpas.

Fernando Haddad foi oficializado candidato do PT em 11 de setembro.
NurPhoto via Getty Images
Fernando Haddad foi oficializado candidato do PT em 11 de setembro.

Principal alvo em seu primeiro debate presidencial, Fernando Haddad (PT) demorou a engrenar e ainda assim pareceu desconfortável tanto ao questionar quanto ao responder aos adversários, jornalistas e bispos na TV Aparecida nesta quinta-feira (20).

Logo no primeiro bloco, quando os candidatos eram escolhidos por sorteio, veio a polarização com Geraldo Alckmin, do PSDB. Haddad tentou colar no adversário histórico do PT a impopularidade do governo do presidente Michel Temer (MDB).

Foi uma troca de farpas morna. Alckmin responsabilizou a ex-presidente Dilma Rousseff e o PT pelo mau desempenho do País na economia e acrescentou que quem escolheu Temer vice foi o PT. Disse ainda que não seria necessária uma política de teto de gastos se não fosse o "vale tudo do PT, que não tem limites".

Na réplica, Haddad desviou do conflito, como fez em outros momentos ao longo do debate. Com palavras e referências intelectualizadas, disse que vai revogar propostas de Temer, como o teto de gastos e a reforma trabalhista. Em um dos poucos ataques diretos disparou: "A terceirização fragiliza o trabalho contra o capital, que é prática do PSDB".

Haddad foi também alvo de um gentil Ciro Gomes, candidato do PDT: "Estimado amigo, agora vai uma pinicadinha". Ciro pediu propostas para resolver a "injustiça" dos sistema tributário. O petista, mais uma vez, respondeu com palavras difíceis. Disse que o PT fez uma "reforma ao contrário", ao incluir os pobres no orçamento, no "lado da despesa".

Na réplica, Ciro, em flerte com o eleitorado Haddad, aproveitou para dizer que PT e PSDB são semelhantes na visão tributária.

Presidente do Banco Central no governo Lula, Henrique Meirelles, candidato pelo MDB, foi outro que montou a artilharia contra o petista. Meirelles culpou a ex-presidente Dilma Rousseff pela crise que o País vive hoje. "Essa crise, candidato, talvez seja o caso de você se informar melhor, mas essa crise foi criada pelo governo da Dilma." Haddad, em outro de seus instantes de contra-ataque, revidou: "Eu considero a ingratidão o maior dos pecados na política".

Desconforto

Em alguns momentos, como na última das 3 horas de debate, os telespectadores ficaram sem entender o petista. De 30 segundos para fazer a pergunta, os quais geralmente os candidatos esgotam aproveitando para falar de si, Haddad, que ainda é pouco conhecido do eleitorado, usou apenas 8 em pergunta para Alvaro Dias (Podemos)>

"Alvaro, quais as ações que você propõe para o fortalecimento da família?"

Ficou um silêncio. "O senhor ainda tem tempo", disse a mediadora Joyce Ribeiro. Sem mais palavras de Haddad, ela passou para a resposta do adversário.

Sempre na oposição ao Palácio do Planalto, Alvaro Dias disparou contra Haddad.

Na réplica, Haddad fez um contra-ataque tímido: "O seu desconhecimento da realidade brasileira me chama muito atenção. (..) Você, Alvaro Dias, fica no seu gabinete no Senado e desconhece que esse [Brasil com políticas do governo Lula] é o País que as pessoas querem de volta".

Haddad é Lula

Quando pôde, Haddad citou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Citou bons momentos da gestão do petista, destacou que esteve ao lado dele, como ministro da Educação - pasta que ocupou por 8 anos, enalteceu o Bolsa Família, o ProUni e a geração de 20 milhões de empregos em 12 anos de governo PT. A falta de êxito do segundo mandato de Dilma Rousseff se deve, segundo Haddad, à revolta de parlamentares contra a petista.

No início do debate, Haddad acenou ao ex-presidente, que está preso desde 7 de abril. "Quero cumprimentar o Lula que nos assiste neste momento", disse em sua primeira participação no debate. O ex-presidente assistiu a estreia do apadrinhado de sua cela na Polícia Federal, em Curitiba.

Haddad foi oficializado candidato pelo PT no último dia 11. Até então, o partido lutava para conseguir manter a candidatura de Lula. Por estar com a candidatura judicializada e com o candidato preso, o partido não participou dos debates anteriores.