POLÍTICA
19/09/2018 12:47 -03 | Atualizado 19/09/2018 13:49 -03

'Tudo que o PT quer é disputar o 2º turno com Bolsonaro', diz Alckmin

Tucano quer conquistar votos anti-PT que hoje estão com Bolsonaro e diz que tem condição de derrotar Fernando Haddad (PT).

Evaristo Sa/AFP/Getty Images

Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à Presidência da República, expôs abertamente sua estratégia de conquistar votos que hoje estão com o adversário Jair Bolsonaro (PSL) para chegar ao segundo turno.

Para o tucano, o candidato do PT, Fernando Haddad, tem eleitorado consolidado e, por isso, está garantido no segundo turno.

"Eu vejo que a curva do candidato do PT é ascendente. A do Bolsonaro, não, ela está no teto e tende a cair. Uma parte do voto do Bolsonaro não é dele, é um voto anti-PT. Mas tudo o que o PT quer é disputar o segundo turno com Bolsonaro", disse Alckmin a jornalistas nesta quarta-feira (19), após o evento Amarelas ao Vivo, da revista Veja.

A candidatura do Bolsonaro não é viável. No segundo turno, a rejeição é decisiva. Nós temos uma rejeição bem menor e podemos vencer o PT, eu tenho convicção disso.

O ex-governador, que tem patinado nas pesquisas de intenções de voto, aposta que tem condições de derrotar Haddad e, para isso, tenta conquistar os votos anti-PT nesta reta final, a 18 dias do primeiro turno.

"A campanha não está definida. A candidatura do Bolsonaro não é viável. No segundo turno, a rejeição é decisiva. Nós temos uma rejeição bem menor e podemos vencer o PT, eu tenho convicção disso", disse Alckmin.

Bolsonaro é líder de rejeição: de acordo com pesquisa Ibope divulgada na terça-feira (18), 42% dos eleitores afirmam que não votam no ex-capitão de jeito nenhum. O índice de rejeição de Alckmin é de 20%, e o de Haddad, de 29%.

Na sabatina, Alckmin disse que votar em Bolsonaro é dar "salto no escuro". "Ele passou mais de 20 anos na Câmara [dos Deputados] votando sempre pelo corporativismo", disse o tucano, criticando a fraca atuação parlamentar do candidato do PSL.

Mourão 'ofende' as mulheres

Alckmin também criticou a declaração do vice de Bolsonaro, general Hamilton Mourão (PRTB), de que as famílias chefiadas por mães e avós, "onde não há pai nem avô", são "fábricas de desajustados".

"Isso é uma ofensa às mães e avós, essas mulheres heroínas que criam filhos sozinhas", disse o tucano na sabatina.

As famílias do País são cada vez mais chefiadas por mulheres e mais de 5,5 milhões de brasileiros não têm o nome do pai no registro de nascimento.