POLÍTICA
18/09/2018 08:50 -03 | Atualizado 18/09/2018 08:52 -03

Jair Bolsonaro X Fernando Haddad: A cristalização da disputa presidencial

Consolidação da liderança do candidato do PSL e avanço acelerado do postulante do PT devem ser confirmadas por Ibope hoje (18).

NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images
Jair Bolsonaro e Fernando Haddad devem se enfrentar no 2º turno.

A menos de 20 dias da eleição para presidente do Brasil, o cenário que vai se desenhando é de confronto da direita indignada "com tudo que está aí", encarnada por Jair Bolsonaro (PSL), e pelo lulismo que não agonizou com a prisão de seu maior líder e está representada por Fernando Haddad (PT). A tendência deve ser confirmada pelos números da nova rodada do Ibope que serão divulgados nesta terça-feira (18).

As últimas pesquisas mostram a consolidação da liderança de Bolsonaro, depois do atentado sofrido por ele no início do mês, e o crescimento acelerado de Haddad, à medida que os eleitores tomam conhecimento de que ele é o candidato de Lula. O ex-presidente está preso desde abril e barrado da disputa presidencial por ser condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo caso do tríplex no Guarujá (SP).

Apesar de Ciro Gomes (PDT) e o ex-prefeito de São Paulo estarem colados nas sondagens, a militância nas ruas associada ao 2º maior tempo de televisão praticamente carimba o passaporte do PT rumo ao segundo turno. O CEO da IDEIA Big Data (consultoria de opinião pública), Maurício Moura, lembra que o partido de Lula tem tradição de fazer campanhas de fato mobilizadoras — tanto na TV quanto nas ruas.

"Mas assim como há transferência de intenção de votos de Lula para Haddad, há a transferência da rejeição de Lula para Haddad", pondera Moura, em entrevista ao HuffPost Brasil.

Não à toa a última pesquisa Datafolha, divulgada no dia 14, mostrou Haddad com 26% de rejeição. Apesar de estar atrás da reprovação a Bolsonaro e Marina Silva (Rede), o petista foi quem teve maior crescimento na rejeição.

E são justamente os níveis elevados de desaprovação que deverão decidir quem leva a melhor em um eventual segundo turno entre Bolsonaro e Haddad. O capitão da reserva ostenta 44% de rejeição, um patamar muito mais alto que o de Marina (30%) e o de Haddad. Mas, assim que o 1º turno for realizado, no dia 7 de outubro, o jogo recomeça.

"Com Bolsonaro no 2º turno, a pergunta central da campanha será: 'você quer no poder alguém com os atributos de Bolsonaro?'. Mas, com o PT nessa etapa, a pergunta passa a ser: 'você quer o PT de volta ao poder?'", explana Maurício Moura.

Como essas duas questões traduzem a repulsa do eleitor, a violência política deve marcar o segundo turno.

Ódio contra ódio.

E assim caminha o Brasil de 2018.