POLÍTICA
18/09/2018 23:15 -03 | Atualizado 19/09/2018 09:58 -03

Aliados de Bolsonaro apostam em vitória com voto útil do antipetismo

Estimativa é que candidato ganhe em torno de 5% do eleitorado na reta final.

Adriano Machado / Reuters
Para ganhar uma eleição em 1º turno, o candidato precisa obter maioria absoluta. Isso significa mais da metade dos votos válidos, ou seja, excluídos os votos em branco e nulos.

Aliados de Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência da República apostam que o voto útil de eleitores antipetistas pode garantir uma vitória já no 1º turno. Caso isso não aconteça, a aposta é de que a disputa no 2º turno seja contra Fernando Haddad (PT).

"O Bolsonaro ganha no 1º turno. O voto útil pesa muito. A pessoa que vai querer votar no antipetismo vai esvaziando cada vez mais outros candidatos", afirmou ao HuffPost Brasil o deputado Capitão Augusto (PR-SP). "O brasileiro tem mania de votar em quem vai ganhar", completou. De acordo com ele, a tendência é que o candidato ganhe 5% do eleitorado na reta final por estar à frente nas pesquisas.

Pesquisa Ibope, divulgada nesta terça-feira (18), mostra o deputado federal líder em intenções de votos, com índice de 28%. Haddad aparece em segundo, com 19%.

A aposta é que Bolsonaro conquiste parte dos eleitores de Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB), Álvaro Dias (Podemos) e João Amoêdo (Novo). Juntos, eles somam 13% dos eleitores, segundo a sondagem. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.

Para ganhar uma eleição em 1º turno, o candidato precisa obter maioria absoluta. Isso significa mais da metade dos votos válidos, ou seja, excluídos os votos em branco e nulos, conforme o artigo 77 da Constituição Federal. No momento, brancos e nulos são 14% do eleitorado, segundo o Ibope.

Antipetismo migra do PSDB para Bolsonaro

Partido visto como principal opositor do PT, o PSDB perdeu eleitor para Bolsonaro, segundo avaliações de aliados do capitão reformado do Exército. A percepção desse grupo é que o candidato do PSL tem uma postura mais firme contra os escândalos de corrupção nos governos petistas.

AFP/Getty Images
Eleitorado antipetista migrou do PSDB para Bolsonaro por considerar que ele tem um discurso mais duro contra os escândalos de corrupção petistas.

A campanha de Alckmin tem tentado recuperar esse apoio apostando no antipetismo, mas o esforço ainda não refletiu em resultados concretos. Nas pesquisas, por exemplo, o ex-governador de São Paulo não tem avançado. "Quando um avião arremete, para voltar a subir, você não consegue", compara Capitão Augusto.

Por outro lado, aliados do candidato do PSL reconhecem o avanço de Haddad, herdeiro dos votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e acreditam que Ciro Gomes irá perder terreno devido ao comportamento explosivo. No último sábado (15), o candidato empurrou e xingou um jornalista em Roraima.

Em vídeo publicado no domingo (16), primeira declaração após ser internado, em 6 de setembro, vítima de uma facada, Bolsonaro atacou justamente o PT. Ele afirmou que Haddad irá conceder um indulto a Lula e nomeá-lo chefe da Casa Civil, caso vença as eleições. De acordo com o deputado, o ex-presidente não fugiu da prisão porque tem plano B. "Eu não consigo pensar em outra coisa, senão num plano B", afirmou. Haddad negou essa possibilidade.

Apoio do Centrão no 2º turno

Aliados de Bolsonaro também se empenham para conquistar o apoio do Centrão no 2º turno. O grupo formado por PP, PR, PRB, DEM e Solidariedade firmou uma aliança com Alckmin para o 1º turno, mas alguns integrantes dão como certa a derrota do tucano.

Entre os alvos do esforço estão integrantes do PR. "Vou trabalhar muito para o o PR fechar com Bolsonaro se houver 2º turno", afirmou Capitão Augusto. Ele já defendeu que o presidenciável se filiasse ao partido para concorrer ao Palácio do Planalto e foi um dos principais entusiastas para que Magno Malta (PR-ES), candidato à reeleição no Senado, fosse vice na chapa presidencial.

O partido, por outro lado, também tem ligações com o PT. Nos bastidores, a articulação do apoio ao PSDB, consolidada apenas após o aval de Valdemar Costa Neto, não descartou a possibilidade de a legenda assumir ministérios em um eventual governo petista.

Dentro do DEM, os deputados Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e Alberto Fraga (DEM-DF), por exemplo, são bolsonaristas. No Solidariedade, a preferência é por Ciro Gomes, devido à proximidade com a Força Sindical. Já o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), tem demonstrado apoio ao PT.