POLÍTICA
30/09/2018 18:57 -03 | Atualizado 01/10/2018 02:33 -03

Bolsonaro propõe 'fazer muito mais' com os atuais recursos do SUS

Candidato não vê necessidade de aumentar verba da saúde. Propostas para o setor incluem ativar academias ao ar livre e 'libertar' médicos cubanos.

Evaristo Sa/AFP/Getty Images
Plano de governo de Bolsonaro defende programa de saúde bucal contra partos prematuros.

Na contramão de seus adversários, o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) defende em seu plano de governo que os recursos destinados à saúde pública no Brasil são mal utilizados, porém suficientes.

"É possível fazer muito mais com os atuais recursos! Esse é nosso compromisso!", diz o documento.

Para melhorar o atendimento no SUS (Sistema Único de Saúde), Bolsonaro propõe a criação do "Prontuário Eletrônico Nacional Interligado", uma base de dados informatizada de pacientes que utilizam a rede pública.

"O cadastro do paciente reduz custos ao facilitar o atendimento futuro por outros médicos, em outros postos ou hospitais. Além disso, torna possível cobrar maior desempenho dos gestores locais", explica o texto.

O plano também prevê incluir profissionais de educação física no programa de Saúde da Família e "ativar academias ao ar livre como meio de combater o sedentarismo e a obesidade".

Bolsonaro também promete "libertar os irmãos cubanos" do programa Mais Médicos, permitindo que os profissionais do programa tragam suas famílias para o Brasil. "Caso sejam aprovados no [exame] Revalida, passarão a receber integralmente o valor que lhes é roubado pelos ditadores de Cuba!", diz o texto.

O Revalida é o exame a que são submetidos os médicos formados no exterior.

Saúde bucal da gestante

Outra proposta diz respeito à prevenção de partos prematuros por meio de um programa de saúde bucal para gestantes. A medida já havia sido defendida por Bolsonaro no programa Roda Viva (TV Cultura) e em outras entrevistas e gerou desconfiança quanto à sua real eficácia.

Checagem sobre o tema publicada em reportagem da Agência Pública aponta que, de acordo com pesquisas e especialistas, não é possível estabelecer as causas exatas dos partos prematuros e a má saúde bucal não está entre os principais fatores de risco.