POLÍTICA
16/09/2018 09:46 -03 | Atualizado 16/09/2018 12:40 -03

Bolsonaro cresce entre os mais velhos após atentado, aponta Datafolha

Candidato do PSL reage no eleitorado feminino e passa a ser o preferido entre as mulheres.

Fora da campanha de rua, Bolsonaro segue preferido do eleitorado, com 26% das intenções de voto.
Reuters Photographer / Reuters
Fora da campanha de rua, Bolsonaro segue preferido do eleitorado, com 26% das intenções de voto.

Líder e com tendência de crescimento nas pesquisas de intenção de voto, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, registrou crescimento expressivo entre os eleitores com 60 anos ou mais. O dado é da pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (14). A sondagem mostra ainda que o candidato está em alta entre as mulheres.

Mesmo hospitalizado, onde se recupera do atentado a faca que sofreu no último dia 7, Bolsonaro registrou crescimento dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais no eleitorado geral. Ele está com 26% das intenções de voto. O índice era de 24% em 10 de setembro e de 22% em 22 de agosto.

Entre o eleitorado com 60 anos ou mais, entretanto, o candidato apresentou um crescimento expressivo. Foi de 18% das intenções de voto para 26%, entre os dias 10 e 14 deste mês. Em 22 de agosto, ele tinha 17%. Quem registrou maior queda entre essa fatia do eleitorado foi Marina Silva (Rede), de 11% para 6%.

Ambos candidatos eram os que me melhor pontuavam entre os católicos e evangélicos em 22 de agosto. Não há atualização desse dado.

Mulheres eleitoras de Bolsonaro

Pelos números, também é possível sinalizar que Bolsonaro herdou votos de Marina entre as mulheres. Conhecido pelo discurso machista, Bolsonaro, embora seja quem ostente maior rejeição entre as mulheres (49%), se tornou o preferido do eleitorado feminino.

De 22 de agosto a 14 de setembro, a intenção de voto das mulheres em Bolsonaro cresceu de 14% para 18%, segundo o Datafolha. Portanto, ele lidera entre as mulheres. Tanto Haddad quanto Ciro têm 13% da preferência feminina.

Esse posto era de Marina em 22 de agosto, quando ela marcava 19% de intenção de voto entre as mulheres. No dia 10, este índice caiu para 12% e no dia 14, para 9%.

A rejeição de Bolsonaro entre as mulheres ficou estável entre 10 e 14 de setembro, mas apresenta alta se considerado o dado de agosto, quando era 43%. Considerando todo o eleitorado, ele tem 44% de rejeição, oscilou um ponto percentual na última semana, mas com crescimento de 5 pontos percentuais, considerados desde o dia 22.

Até o atentado, o discurso machista de Bolsonaro vinha sendo atacado principalmente pelo candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Uma das peças publicitárias do tucano trazia a imagem do candidato:

Bolsonaro vinha sendo constantemente contestado sobre a desigualdade salarial entre homens e mulheres. Chegou a ser alvo de uma sova de Marina Silva no debate da RedeTV! no dia 17. E também levou um corte de Renata Vasconcellos no Jornal Nacional, da TV Globo, quando falou sobre gênero e renda.

Reação da campanha de Bolsonaro

A campanha de Bolsonaro tem, então, tentado atacar esse ponto. Nos últimos dias, intensificou a ofensiva para chegar ao eleitorado feminino. No último dia 14, ele publicou um vídeo no qual acena às mulheres.

A equipe de Bolsonaro também apostou em vídeos que atacam as críticas ao candidato ser homofóbico e racista.

A sondagem entretanto revelou um público delicado ao candidato, com quedas expressivas entre os que ganham mais de 5 salários mínimos e entre os mais escolarizados.

A queda é acentuada entre os que ganham mais de 10 salários mínimos. Nessa fatia, ele foi de 43% das intenções de voto para 38%, na última semana. Entre os com ensino superior, a queda no mesmo período foi de 48% para 45%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.

Para essa pesquisa divulgada no dia 14, o Datafolha entrevistou entre quinta (13) e sexta (14) 2.820 eleitores em 187 municípios do País. O índice de confiança é de 95%.