POLÍTICA
15/09/2018 17:48 -03 | Atualizado 15/09/2018 20:51 -03

Marina reforça discurso às mulheres após registrar queda entre o eleitorado feminino

A candidata da Rede já foi a preferida do eleitorado feminino. Agora, é Jair Bolsonaro (PSL) quem lidera entre as mulheres, segundo Datafolha.

Após registrar tendência acentuada de queda entre o eleitorado feminino, a candidata da Rede à Presidência da República, Marina Silva, decidiu dedicar o dia - ao menos nas redes sociais - a reforçar o discurso de que representa a luta de toda mulher brasileira.

"Existe uma cultura machista, patriarcal, preconceituosa contra mulheres. (...) Esse discurso me trata como se eu fosse uma pessoa frágil, fraca, mas eu sou o retrato da mulher brasileira", diz, em vídeo.

Desde o embate com Jair Bolsonaro, candidato do PSL, no debate da RedeTV, no qual Marina protagonizou uma discussão sobre desigualdade salarial de gênero, a campanha da Rede tem intensificado a mira nas mulheres, que representam maioria do eleitorado.

A estratégia, entretanto, tem demonstrado efeito negativo, de acordo com pesquisa Datafolha de intenção de voto. O debate ocorreu no dia 17 de agosto. Pesquisa do dia 22 indicava Marina com 19% de intenção de voto entre as mulheres. No dia 10, este índice caiu para 12%. E, segundo a pesquisa divulgada na sexta-feira (14), caiu para 9%.

Mais da metade das eleitoras de Marina migraram de candidato. No eleitorado geral, a candidata da Rede tem 8% das intenções de voto. Queda de 8 pontos percentuais se comparada a pesquisa do dia 22. Neste momento, ela era a preferida entre as mulheres. Atualmente, o preferido entre as mulheres é Jair Bolsonaro, com 18% das intenções de voto. Em agosto, ele registrava 14% nessa fatia do eleitorado.

Em esforço para recuperar esses votos, a campanha de Marina voltou a divulgar um vídeo no qual a candidata conta sua história de vida.

O eleitorado de Marina ajudou a engrossar o coro e a rebater às críticas.

No Twitter, a tag #ElaSim, dedicada à candidata, chegou a disputar os primeiros lugares entre os assuntos mais comentados do dia. A própria Marina entrou em campo para reforçar o apelo.

Tem muita gente aí dizendo que vai me desidratar, vão nada. A gente se hidrata é com água retirada da rocha e a rocha são vocês.

Para pesquisa divulgada no dia 14, o Datafolha entrevistou entre quinta (13) e sexta (14) 2.820 eleitores em 187 municípios do País. O índice de confiança é de 95%.

Mulheres na política

Pesquisa Ibope/ONU Mulheres divulgada na sexta-feira (14) apontou que para 70% dos brasileiros só há democracia com mulheres nos espaços de poder e tomada de decisão. Ainda assim, o Brasil registra baixa representatividade de mulheres na política.

De acordo com o Projeto Mulheres Inspiradoras, o Brasil ocupa a 161ª posição de um ranking de 186 países sobre representatividade feminina no Executivo. Os dados são do TSE, da Organização das Nações Unidas e do Banco Mundial.

Diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Jacira Melo, acredita que um dos motivos para o baixo índice é a estrutura político-partidária.

"Os partidos são um dos espaços mais misóginos que nós temos nesse país. As mulheres votam em mulheres. Marina e Dilma tiveram mais de 65% dos votos no 1º turno. O que falta às mulheres candidatas neste País? Estrutura de campanha. Mulheres que se elegem na Câmara e no Senado tem estrutura de campanha e se elegem com milhões de votos, assim como os homens."