POLÍTICA
15/09/2018 09:54 -03 | Atualizado 15/09/2018 10:19 -03

Haddad, no Jornal Nacional, diz que eleitor foi induzido ao erro em 2016

Candidato do PT à Presidência adotou tom combativo e travou debate sobre corrupção e TV Globo.

Reprodução/JN

Entrevistado por William Bonner e Renata Vasconcelos, no Jornal Nacional, da TV Globo, desta sexta-feira (14), o candidato à Presidência do PT, Fernando Haddad, apostou em um tom combativo. Alvo de interrupções e perguntas duras, Haddad chegou a pedir para Bonner para continuar respondendo e a dizer que, apesar de o apresentador estar satisfeito com a resposta, ele não estava.

Em alguns momentos, a postura de Haddad chegou a ser comparada a do candidato do PSL, Jair Bolsonaro. Ambos criticaram a emissora.

Reprodução/Jornal Nacional

Embate

Haddad iniciou com um boa noite ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, impedido de disputar à Presidência por estar preso, cumprindo pena na Operação Lava Jato.

A entrevista, então, iniciou com criticas ao PT e a Lula.

Em seguida Haddad passou a ser o alvo direto. Chamado de candidato poste, ele foi questionado por ter sido o primeiro prefeito de São Paulo que não foi reeleito.

O ex-prefeito respondeu que foi indicado por Lula para concorrer à prefeitura por ter sido o melhor ministro de seu governo. Elencou vitórias conquistadas à frente da pasta, como ProUni e expansão das universidades públicas. Afirmou ainda que não foi reeleito, em 2016, porque o ambiente à época estava contaminado pelo clima do impeachment e que até o ex-presidente do PSDB, senador Tasso Jaraeissati (CE), reconheceu que os tucanos não deveriam ter se associado ao então vice-presidente Michel Temer.

No minuto final, dedicado a deixar uma mensagem aos brasileiros, o apadrinhado de Lula não falou o nome do ex-presidente, mas usou o slogan da campanha: 'vamos o Brasil ser feliz de novo'.

Haddad foi oficializado candidato do PT na última terça-feira (11), prazo final que a Justiça Eleitoral concedeu ao partido para trocar o registro de candidatura. Até então, o registro estava em nome de Lula. A corte, porém, ratificou o entendimento de que, por ter sido condenado em segunda instância, Lula está enquadrado na Lei da Ficha Limpa, consequentemente, inelegível.

O ex-prefeito de São Paulo ainda é pouco conhecido do eleitoral, por isso a alcunha de "candidato poste", como era a ex-presidente Dilma Rousseff, em 2010. O partido aposta na transferência de votos dos eleitores fieis a Lula. Nesta primeira semana como candidato, Haddad já avançou, segundo pesquisas eleitorais.

De acordo a pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira (14), pouco antes da participação no Jornal Nacional, Haddad tem 13% das intenções de voto, está em segundo lugar, empatado numericamente com Ciro Gomes (PDT), e na margem de erro com Geraldo Alckmin e Marina Silva, com 9% e 8%, respectivamente. A pontuação de Haddad indica crescimento de 4 pontos percentuais, desde segunda-feira (10), quando foi divulgada a sondagem anterior.