POLÍTICA
15/09/2018 19:06 -03 | Atualizado 15/09/2018 19:06 -03

Após Datafolha, presidenciáveis miram contra Bolsonaro e Haddad

“A pesquisa é retrato de momento e a vida não é retrato, a vida é filme. Nós estamos aqui em pleno filme, ainda haverá grandes emoções", assegura Ciro Gomes.

Bolsonaro segue líder nas pesquisas de intenção de voto, e Fernando Haddad é o que apresenta tendência de crescimento.
Montagem/GettyImages
Bolsonaro segue líder nas pesquisas de intenção de voto, e Fernando Haddad é o que apresenta tendência de crescimento.

Pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira (14), afinou o tom da campanha dos principais candidatos à Presidência da República neste sábado (15). Atentos às tendências, os presidenciáveis que estiveram nas ruas miraram principalmente contra Jair Bolsonaro, do PSL, e Fernando Haddad, recém-oficializado candidato do PT.

Bolsonaro segue líder na pesquisa, tem 26% das intenções de voto. Já Fernando Haddad é o que apresenta maior tendência de crescimento, com 13%. Empatado numericamente com Ciro Gomes (PDT), que estagnou de segunda-feira (10) para cá, Haddad teve crescimento de 4 pontos percentuais. Geraldo Alckmin (PSDB) oscilou negativamente na margem de erro, tem 9%, e Marina Silva (Rede), que caiu 3 pontos percentuais, tem 8%.

Diante esse cenário, Haddad luta para herdar os votos do padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva, impedido de disputar as eleições por causa da Lei da Ficha Limpa. Antes de ter o registro para participar das eleições cassado, Lula ostentava 39% de intenções de voto, a maioria no Nordeste. Foi justamente para lá que foi Haddad neste sábado (15).

Em Vitória da Conquista (BA), Haddad reforçou o discurso de que é o candidato de Lula. "Lula pode estar preso, mas as ideias dele não, a militância dele, não", disse, segundo o Estadão.

Pilar Olivares/Reuters
Em Vitória da Conquista, na Bahia, Haddad segue estratégia do PT para herdar votos de Lula na região.

A Datafolha aponta que na última semana, Haddad cresceu na região. Foi de 13% das intenções de voto para 20%. Já Ciro Gomes, que era o preferido do eleitorado, registrou queda, dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais, foi de 20% para 18%.

No Amapá, Ciro disparou:

"A pesquisa é retrato de momento e a vida não é retrato, a vida é filme. Nós estamos aqui em pleno filme, ainda haverá grandes emoções. Essa novela, eu espero que termine com final feliz e que Deus abençoe a nação brasileira para que a gente possa sair dessa eleição enterrando o ódio, o radicalismo", segundo o G1.

Reflexos da pesquisa

Marina Silva aproveitou o dia para mirar em dois entraves específicos, o PT e a queda no eleitorado feminino. Em Vitória, a candidata da Rede afirmou que Haddad vai ter que explicar o País que a ex-presidente Dilma Rousseff deixou, com milhões de desempregados.

"Hoje nós temos mais de 13 milhões de desempregados, isso é fruto do governo Dilma-Temer, mas o PT quer esconder o período Dilma-Temer. É como se tivéssemos o governo Lula e pulássemos para 2018", disse, segundo o G1.

Nas redes sociais, Marina batalhou para conter a queda acentuada de voto entre as mulheres. Entre os dias 22 de agosto e 14 de setembro, ela perdeu a preferência entre o eleitorado e caiu de 19% de intenção de voto para 9%.

A campanha promoveu uma ação, sob o come #ElaSim, para aproximar a candidata das brasileiras.

Em um dos vídeos explorados pela equipe da presidenciável, Marina dispara: "Existe uma cultura machista, patriarcal, preconceituosa contra mulheres. (...) Esse discurso me trata como se eu fosse uma pessoa frágil, fraca, mas eu sou o retrato da mulher brasileira".

A tag chegou a disputar os primeiros postos entre os temas mais comentado. Ficou ainda acima da tag em referência a Bolsonaro, que atualmente é o preferido entre as mulheres, com 18% das intenções de voto. Em agosto, ele registrava 14% nessa fatia do eleitorado.

Como que convicto de um segundo turno entre Haddad e Bolsonaro, Alckmin atacou os dois candidatos. Criticou o populismo de esquerda e o populismo de direita.

"O que a gente identifica é que o segundo lugar está indefinido, vai ser definido agora nos próximos 20 dias. Está tudo na margem de erro e estamos trabalhando para chegar no segundo turno. Acho que o Brasil não aguenta mais ter populismo de esquerda do PT, que levou a 13 milhões de desempregados, nem populismo de direita do Bolsonaro, que não tem a menor condição de fazer o Brasil se recuperar, disse, segundo o G1, em Rio Branco.

MAURO PIMENTEL via Getty Images
Na capital do Acre, Alckmin criticou o populismo de esquerda e o populismo de direita.

Fora da campanha de rua, internado no Albert Einstein, em São Paulo, onde se recupera do atentado que sofreu no dia 7, Bolsonaro segue com a campanha nas redes sociais. Uma das publicações do dia foi uma foto na qual diz que Deus está no comando.

Bolsonaro, que já pediu orações, é líder de intenção de votos entre os católicos e evangélicos, segundo pesquisa Datafolha de 22 de agosto - a mais recente com esses dados. Agora líder entre as mulheres, o candidato também aproveitou o dia para fazer um aceno a essa fatia do eleitorado.