POLÍTICA
10/09/2018 08:27 -03 | Atualizado 10/09/2018 08:27 -03

Boulos quer 'lista suja do machismo' de empresas que pagam salário menor a mulher

Empresas que estiverem na lista não poderão fazer negócios com o Estado. Proposta foi apresentada no debate da TV Gazeta.

Guilherme Boulos: "a iniciativa privada tem que seguir a lei. E a lei diz: salário igual para trabalho igual".
Miguel Schincariol/AFP/Getty Images
Guilherme Boulos: "a iniciativa privada tem que seguir a lei. E a lei diz: salário igual para trabalho igual".

Guilherme Boulos, candidato do PSol à Presidência da República, aproveitou o debate da TV Gazeta deste domingo (9) para apresentar uma nova proposta de combate à desigualdade salarial entre homens e mulheres: a "lista suja do machismo".

"Qualquer empresa que pague menos para a mulher do que para o homem [na mesma função] não vai poder pegar crédito em banco público, não vai poder fazer negócios com o Estado e vai ter seu nome exposto em praça pública", disse Boulos durante o debate.

Ao final do programa, a reportagem do HuffPost Brasil pediu detalhes da proposta ao candidato. Segundo Boulos, a atuação contra a desigualdade de gênero no mercado de trabalho se dará por meio de um canal de denúncias e de fiscalização.

"Vamos equipar o Ministério do Trabalho com um serviço ativo de fiscalização, e vamos atuar. Essa história de que isso é coisa da iniciativa privada... Ora, vamos parar com isso. A iniciativa privada tem que seguir a lei. E a lei diz: salário igual para trabalho igual para homens e mulheres e também para negros e brancos."

Boulos disse ainda que, embora a defesa da igualdade salarial já estivesse em seu plano de governo, a ideia da lista suja foi incorporada recentemente ao programa.

"Nós construímos a 'lista suja do machismo' como uma reação a essa ideia absurda de que o governo não tem como intervir. Está aí uma proposta concreta de que o governo tem, sim, como intervir quando a iniciativa privada desrespeita a lei e reproduz o machismo estrutural neste País."

O tema da igualdade salarial ganhou destaque na campanha eleitoral a partir do segundo debate entre os presidenciáveis, promovido pela Rede TV! no dia 17 de agosto.

Na ocasião, Marina Silva (Rede) entrou em confronto direto com Jair Bolsonaro (PSL) justamente porque o ex-capitão disse que "na CLT já está garantido que a mulher deve ganhar igual ao homem, [então] não temos nos preocupar com isso".

De acordo com os dados mais recentes do IBGE, em 2017 as mulheres receberam R$ 542 a menos que os homens, em média. Enquanto o salário médio deles foi de R$ 2.410, o delas foi de R$ 1.868.