POLÍTICA
10/09/2018 00:32 -03 | Atualizado 10/09/2018 00:32 -03

Primeiro debate sem Bolsonaro tem tom conciliador e apelo ao diálogo

“Antes de ser candidato, eu já pregava esse esforço de conciliação. Todas as vezes que o Brasil fez esforço conciliatório, ele avançou mais”, afirmou Alckmin.

MIGUEL SCHINCARIOL via Getty Images

Embora estivesse ausente, foi Jair Bolsonaro, candidato do PSL que foi vítima de um ataque na última quinta-feira (6), que deu o tom inicial do debate da TV Gazeta neste domingo (9). Empatados em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB) usaram as armas que puderam para se destacar no primeiro debate sem o adversário.

O episódio trágico, que levou o carimbo de acirramento do discurso de ódio, fez os candidatos, aparentemente anestesiados, adotarem um discurso conciliador e em prol de diálogo. O direcionamento neste sentido ficou evidente já nas perguntas iniciais, quando o candidato do MDB, Henrique Meirelles, perguntou para Geraldo Alckmin sobre como mudar o radicalismo no País. Ele citou as peças publicitárias de Alckmin que faziam ataques a Bolsonaro.

"Antes de ser candidato, eu já pregava esse esforço de conciliação. Todas as vezes que o Brasil fez esforço conciliatório, ele avançou mais", refutou o tucano.

Marina também apostou no discurso de paz. À imprensa, no fim do debate, ela afirmou que quando se cultiva o ódio, acaba se concretizando e pontuou que sua campanha vai na direção oposta. Disse que desde 2010, ela batalha contra esse tipo de argumento.

Já Ciro, que afirmou não concordar em nada com o que diz Bolsonaro, também flertou com o discurso de paz. "Espero que ele esteja o mais rápido possível de volta para nós travarmos aqui o debate sério. Eu não penso nada parecido com ele, mas quero muito que ele esteja de volta", disse Ciro.

Dobradinha Ciro e Marina

Na briga pelo voto de um eleitorado muito semelhante, Ciro e Marina protagonizaram as principais cenas de "polarização, mas com respeito". Entre levantadas de bolas de um para o outro cortar, Marina usou dos do Ceará e Ciro usou Marina de exemplo para falar sobre o poder da educação.

Além dos momentos de dobradinha, Ciro prendeu a atenção do telespectador ao falar sobre o Judiciário no País:

Metralhadora Boulos

Afiado, Guilherme Boulos (PSol) manteve sua mira em Henrique Meirelles, como já tinha feito em debates anteriores. Desta vez, o candidato do PSol remodelou o slogan do adversário e disparou:

O candidato do MDB se esquivou, afirmou que vai criar 10 milhões de empregos. "Já fiz isso duas vezes. O país se divide em quem trabalha e em quem não trabalha". E ouviu de Boulos: "Comigo rico vai pagar imposto".

Alvaro Dias também foi alvo a metralhadora de Boulos. O candidato do Podemos, que costuma enaltecer o Judiciário e a Operação Lava Jato, ouviu de Boulos um questionamento sobre os privilégios dos juízes. Dias contemporizou:

A marca de Boulos no debate foi a sugestão de criação de uma lista suja para o machismo, a exemplo da lista suja do trabalho escravo.

Seguindo a tônica conciliadora do debate, Boulos rechaçou o ódio na política.

Cadê o PT?

O debate sem Bolsonaro também não teve Cabo Daciolo (Patriota), candidato que deu "ânimo" aos dois debates anteriores pelo seu discurso inflado. Outra ausência, porém, já esperada foi a da candidatura do PT, que até semana retrasada liderava nas pesquisas de intenção de voto.

Diferentemente do que ocorreu nos outros debates, a candidatura do PT foi pouco explorada. O nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, barrado da disputa pela Lei da Ficha Limpa, apareceu em poucos momentos.

Questionada sobre o que achava da afirmação do ex-presidente Lula de que é um homem sem culpa, Marina Silva destacou os demais alvejados pela Lava Jato que estão sem punição.

O Partido dos Trabalhadores tem até terça-feira (11) para indicar um novo nome para substituir o de Lula. A expectativa é que a oficialização do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad na cabeça da chapa ocorra em um ato em Curitiba, onde o ex-presidente está preso.

O próximo debate é o da revista Piauí em parceria com o YouTube e o portal Poder360, no dia 18. Deverá ser o primeiro com a participação do candidato do PT, caso esteja entre os 5 primeiros nas pesquisas de intenção de voto.