POLÍTICA
07/09/2018 09:34 -03 | Atualizado 07/09/2018 14:39 -03

Aliados de Bolsonaro acusam a esquerda de alimentar ódio

“O método da esquerda de discurso é bonito, mas na prática é desse jeito. É só olhar outros países, Venezuela e Cuba”, disse Francischini ao HuffPost Brasil.

Candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro foi atingido por uma facada na região do abdomen em ato de campanha em Juiz de Fora (MG) nesta quinta-feira (6).
RAYSA LEITE via Getty Images
Candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro foi atingido por uma facada na região do abdomen em ato de campanha em Juiz de Fora (MG) nesta quinta-feira (6).

Parlamentares próximos a Jair Bolsonaro, candidato à Presidência do PSL, esfaqueado nesta quinta-feira (6), acusam a esquerda de ter orquestrado o ato contra o presidenciável e alimentar o discurso de ódio.

Ao HuffPost Brasil, um dos coordenadores de campanha, o deputado Delegado Francischini (PSL-PR), afirmou que entrará com representação na Polícia Federal para que seja investigado "crime político". Ele explicou que, no primeiro momento, a preocupação era com a saúde de Bolsonaro.

"A partir do momento em que o quadro ficou estável, passamos para a fase seguinte, que é acionar a Polícia Federal. Do nada aparece um militante de esquerda na manifestação e tenta matar o candidato do outro lado. A PF tem que investigar isso", afirma. "Os métodos da esquerda de discursos é bonito, mas na prática são desses jeito. É só olhar outros países, Venezuela e Cuba", completa.

A PF tem que investigar.Deputado Delegado Francischini

Também aliado de Bolsonaro, o deputado Alberto Fraga (DEM-DF) engrossa o discurso de Francischini. "Foi um crime premeditado, um atentado à democracia. É uma vergonha, ainda mais vindo de um partido que sempre pregou a tolerância. Essa intolerância por parte do fanatismo que tem que acabar", disse, ligando o caso ao PT.

Foi um crime premeditado, um atentado à democracia.Deputado Alberto Fraga

Para ele, há uma diferença clara entre esse caso e o atentado com tiros aos ônibus da caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Sul do País, no início do ano. "Este caso do Bolsonaro é uma agressão física, contra uma pessoa. Nunca o Brasil sofreu algo desse tipo de atentado. Não sabemos ao certo o que aconteceu na caravana", minimizou.

A avaliação dele é que este caso abre um "precedente muito perigoso que vai ter um desfecho complicado. É incalculável, não sabemos como isso vai acabar. É assim que se trata quem pensa diferente de você? Você não gosta, vai lá e assassina?".

O autor do atentado, Adelio Bispo de Oliveira, 40 anos, disse que agiu por motivação pessoal e "a mando de Deus". Oficialmente, ele não é ligado a nenhum partido político, mas foi filiado ao PSol entre 2007 e 2014.

Em seu perfil no Facebook, ele faz diversas postagens críticas a Bolsonaro e ofensivas aos eleitores do candidato, além de políticos em geral. Também há no perfil dele imagens de participação em ato com militantes por "Lula Livre". Adelio foi preso em flagrante.

Discurso de ódio

Até então, Bolsonaro era um dos principais acusados de fortalecer essa narrativa de polarização e ódio. Os aliados, entretanto, negam. Para Fraga, não justifica usar o argumento de que ele ao falar em fuzilar o PT ou ensinar uma criança a fazer festo de arma inflava o discurso de violência.

"É esse tipo de argumento que está gerando comentários dizendo que o Bolsonaro deu uma barrigada na faca. Pelo amor de Deus, não tem nem o que comentar."

Ao ser questionado sobre o fato de Bolsonaro ser acusado de disseminar discurso de ódio, Francischini ironiza: "Foi ele quem andou dando facada para receber de volta?".

Reuters Photographer / Reuters

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que costumava estar na mira de Bolsonaro, destacou que "quando se planta, você colhe tempestade".

"O Brasil é um país que não gosta do ódio. Nós temos que recompor nossa capacidade de diálogo. O ódio, quando se planta, você colhe tempestade. Foi assim em qualquer lugar do mundo. Quando se radicaliza, se incentiva a perseguição. Lamento muito que essas coisas tenham acontecido", disse.

No processo de votação do impeachment da petista, Bolsonaro dedicou seu voto em favor do impedimento ao coronel Brilhante Ustra, torturador de Dilma enquanto ela esteve presa na época da ditadura.