POLÍTICA
05/09/2018 17:42 -03 | Atualizado 06/09/2018 00:50 -03

Denúncia abala Alckmin, e Ana Amélia critica ‘criminalização da política’

Vice de Alckmin nega que irá assumir cabeça da chapa. “As instituições têm que ter cuidado para não contaminar o espectro político.”

“É uma coisa estranha porque é de 2014. A surpresa foi isso. Estamos em 2018. As instituições têm que ter cuidado em apressar essas coisas para não contaminar o espectro político", disse Ana Amélia sobre denúncia contra Alckmin.
AFP/Getty Images
“É uma coisa estranha porque é de 2014. A surpresa foi isso. Estamos em 2018. As instituições têm que ter cuidado em apressar essas coisas para não contaminar o espectro político", disse Ana Amélia sobre denúncia contra Alckmin.

A denúncia por improbidade administrativa contra Geraldo Alckmin abalou a campanha do candidato do PSDB à Presidência da República e pode dificultar que ele conquiste uma vaga no 2º turno, na avaliação de políticos ligados ao tucano. Vice na chapa do ex-governador de São Paulo, a senadora Ana Amélia(PP-RS) criticou a "criminalização da política".

"É uma coisa estranha porque é de 2014. A surpresa foi isso. Estamos em 2018. As instituições têm que ter cuidado em apressar essas coisas para não contaminar o espectro político e a própria Casa ter reações intempestivas em relação a tudo o que está acontecendo. É preciso ter muito cuidado. Muita responsabilidade", afirmou a parlamentar ao HuffPost Brasil.

Uma das vozes contundentes do discurso de combate à corrupção no caso envolvendo o PT, a senadora defendeu as investigações, mas ressaltou preocupação com a visão de aversão à política. "Minha régua moral é a mesma, mas você tem um determinado limite para não extrapolar além do que está dentro da prerrogativa de cada instituição de fazer o que deve ser feito", completou.

Ana Amélia negou qualquer possibilidade de assumir a cabeça da chapa, diante do desgaste da imagem do tucano. "Não. Estou num processo muito desafiador de ser vice", afirmou. Escolhida para aumentar o voto feminino em Alckmin, ela disse que ainda não é possível avaliar se a propaganda de rádio e televisão teve efeitos no eleitorado.

Waldemir Barreto/Agência Senado
"As instituições têm que ter cuidado em apressar essas coisas para não contaminar o espectro político", disse Ana Amélia sobre denúncia contra Alckmin.

Corrupção e ativismo judiciário

Em um esforço para se descolar da imagem de corrupção associada a integrantes do PSDB, o presidenciável afirmou nesta terça-feira (4) que não vai fazer campanha ao lado do senador Aécio Neves (PSDB-MG), réu na Lava Jato por corrupção passiva e obstrução da Justiça.

A onda anti-corrupção é justamente um dos temas que impulsionam a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL). O eleitorado do deputado federal é cobiçado pelo tucano para chegar ao 2º turno. Na última pesquisa Datafolha, Alckmin tinha 9% das intenções de voto no cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa, enquanto Bolsonaro liderava com 22%.

Nos bastidores, políticos têm criticado o "ativismo judiciário". Na visão de alguns parlamentares, a atuação de juízes e promotores tem ultrapassado limites, fragilizado a democracia e retirado o protagonismo do eleitor.

Nesta semana, o Ministério Público do Estado de São Paulo apresentou denúncia contra o candidato a vice-presidente pelo PT, Fernando Haddad, por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. A acusação é de receber R$ 2,6 milhões de propina da empreiteira UTC Engenharia para pagamento de dívida na campanha eleitoral à prefeitura da capital paulista em 2012. O petista também foi denunciado por improbidade administrativa.

O voto útil contra Bolsonaro

No discurso em plenário no Senado, Ana Amélia afirmou que há razões para um "sentimento de revolta contra o Congresso" por parte dos brasileiros, mas ressaltou que a democracia é o único caminho para que o País melhore.

Sem referência explícita a Bolsonaro, ela criticou parlamentares que adotam o discurso contrário à política. "Vou a Sertãozinho, em São Paulo. Vou ao interior do Paraná, do meu amado Rio Grande do Sul, e a perplexidade é a mesma: a política sendo destruída, a política sendo arrasada porque olham para o Congresso é a narrativa toda é repetida. O mais surpreendente é que agentes políticos com mandato se encarregam dessa deterioração do Congresso Nacional", afirmou.

Ela disse que é preciso acabar com agressões contra mulheres e com o sentimento de intolerância religiosa, racial e de gênero no Brasil e pediu para que os brasileiros não votem branco ou nulo. "Não anule o seu voto. O dia 7 de outubro é uma hora decisiva para todos nós. Mas não vote com ódio. Não vote com rancor. Não vote com intolerância. Vote com a cabeça. Vote com o coração", afirmou, em referência a um dos motes da campanha de Alckmin.

Paulo Whitaker / Reuters
De acordo com o Ministério Público, há indícios de que Alckmin aceitou recursos da Odebrecht, por meio de caixa 2, para financiar sua campanha à reeleição, em 2014.

Alckmin acusado de caixa 2

O promotor do Patrimônio Público e Social de São Paulo Ricardo Manuel Castro ajuizou na última terça-feira (4) uma ação contra o ex-governador de São Paulo. De acordo com o Ministério Público, há indícios de que Alckmin aceitou recursos da Odebrecht, por meio de caixa 2, para financiar sua campanha à reeleição, em 2014.

De acordo com a denúncia, foram feitas 9 supostas entregas de dinheiro em hotéis de São Paulo para a última campanha do tucano ao Palácio dos Bandeirantes. A soma dos repasses teria sido de R$ 7,8 milhões.

A Promotoria pede a perda do cargo que o tucano estiver exercendo após uma eventual sentença condenatória e a indisponibilidade de mais de R$ 39 milhões para garantir ressarcimento e multa em caso de condenação.

Em nota, a campanha de Alckmin criticou a proximidade da ação do MP com as eleições. "Para além do barulho almejado pelo promotor, não há fato novo, apenas uma conclusão equivocada e um comportamento inusual. O promotor, inexplicavelmente, sugere algo que não existe e que jamais alguém tenha sequer cogitado, nem mesmo os ditos delatores", diz o texto.