POLÍTICA
04/09/2018 22:25 -03 | Atualizado 05/09/2018 17:31 -03

Mourão diz que não houve ditadura no Brasil: 'Chamar de ditadura é ser desonesto'

'Tortura houve. Isso foi uma guerra, e na guerra os melhores valores acabam quando os homens entram em conflito', disse o general.

'Eu discordo de ditadura militar. Falo de período de presidentes militares', disse Mourão.
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'Eu discordo de ditadura militar. Falo de período de presidentes militares', disse Mourão.

O general da reserva do Exército brasileiro Hamilton Mourão (PRTB), vice na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), disse nesta terça-feira (4) discordar que o Brasil tenha vivido uma ditadura de 1964 a 1985.

A declaração foi dada em entrevista a jornalistas após debate entre candidatos a vice-presidente promovido pela revista Veja e pelo Facebook. O general respondia a uma pergunta sobre vídeo da campanha do candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, que compara Bolsonaro a Hugo Chávez. "Votar em alguém só porque é militar deu ruim na Venezuela. Vai dar ruim no Brasil", diz a peça tucana.

Para Mourão, a comparação é equivocada porque os militares brasileiros sempre foram "equilibrados". Um repórter, então, lembrou o general dos 21 anos de ditadura no Brasil.

"Eu discordo de ditadura militar. Falo de período de presidentes militares. Chamar de ditadura militar é ser desonesto intelectualmente", disse Mourão. "Houve sempre um equilíbrio aqui dos nossos."

Questionado sobre as conclusões da Comissão Nacional da Verdade – que em 2014 responsabilizou 377 pessoas por torturas e assassinatos durante a ditadura –, Mourão respondeu que o País estava em "guerra".

"Tortura houve, não adianta querer negar. Houve e acabou. Isso foi uma guerra, e na guerra os melhores valores acabam quando os homens entram em conflito uns com os outros. E tortura houve de ambos os lados", justificou. Ao se despedir da carreira, em cerimônia em fevereiro, Mourão elogiou o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, a quem chamou de herói.

O relatório final da Comissão da Verdade apontou um total de 434 mortos e desaparecidos durante a ditadura no Brasil.

Para o general, apenas o período em que esteve em vigor o AI-5 (Ato Institucional nº 5) pode ser considerado ditadura. "Quando se colocam os famosos 21 anos, você fica com 10, 11 anos onde houve instrumento de exceção", disse.

Editado em dezembro de 1968 por Arthur da Costa e Silva, o AI-5 marcou o período de maior repressão da ditadura ao conceder ao regime a possibilidade de fechar o Congresso Nacional, cassar mandatos eletivos e suspender habeas corpus para crimes políticos, entre outros poderes.