POLÍTICA
04/09/2018 19:10 -03 | Atualizado 04/09/2018 19:58 -03

Em debate dos vices, Eduardo Jorge defende fim da 'escravidão animal' e rouba a cena

Encontro promovido pela revista Veja também contou com participação de Ana Amélia, general Mourão e Paulo Rabello.

'Não precisamos torturar esses companheiros que vivem conosco neste lindo planeta Terra.'
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'Não precisamos torturar esses companheiros que vivem conosco neste lindo planeta Terra.'

Assim como aconteceu em 2014, quando concorreu à Presidência da República, Eduardo Jorge (PV) roubou a cena em debate com candidatos a vice-presidente realizado nesta terça-feira (4) pela revista Veja e pelo Facebook.

Também participaram do debate a senadora Ana Amélia (PP), vice de Geraldo Alckmin (PSDB); o general Hamilton Mourão (PRTB), vice de Jair Bolsonaro (PSL); e Paulo Rabello de Castro (PSC), vice de Alvaro Dias (Podemos). Kátia Abreu (PDT), vice de Ciro Gomes (PDT), e Fernando Haddad (PT), vice de Luiz Inácio Lula da Silva, foram convidados, mas não compareceram.

Vice na chapa de Marina Silva (Rede), Jorge fez uma defesa apaixonada do vegetarianismo ao responder a uma jornalista da Veja sobre sua proposta de "abolicionismo animal".

"Nós não mais precisamos [de proteína animal], porque não vivemos mais nas selvas, feras contra feras, e o desenvolvimento extraordinário da agricultura nos possibilita evitar torturar esses companheiros que vivem conosco neste lindo planeta Terra", disse o médico.

"Não precisamos torturar os animais para isso. É uma questão de filosofia, de futuro. Claro que o Brasil tem que passar por uma transição, isso não é feito da noite para o dia."

Jorge ainda respondeu que os brasileiros não serão obrigados a virar vegetarianos. "Claro que não, porque o vegetarianismo não é totalitário, é uma teoria que se coloca com o exemplo, é uma mudança cultural de longo prazo."

Escolhida pela jornalista para comentar a resposta de Jorge, Ana Amélia brincou: "Fechem todas as churrascarias do Brasil e do mundo! Essa é a primeira coisa que terá que ser feita se se seguirmos essa orientação".

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Ana Amélia, Eduardo Jorge, general Mourão e Paulo Rabello.

Gaúcha e integrante da bancada ruralista, a senadora disse que o setor "tem muita preocupação com a sustentabilidade e com o cuidado com os animais". "Nós temos que entender que a proteína animal alimenta o mundo hoje e o Brasil é o maior protagonista nessa matéria."

Mourão contradiz Bolsonaro

Ana Amélia também tratou do agronegócio em uma pergunta dirigida a Mourão. Citando Paulo Guedes, coordenador do plano econômico de Bolsonaro, a senadora quis saber a opinião do vice sobre a proposta do economista de cortar subsídios ao setor agrícola.

"No momento em que nós nos debruçarmos sobre essa questão do agronegócio, os subsídios terão que ser mantidos e nós teremos até que expandir o apoio. O Brasil tem condições e deve ser o celeiro do mundo", disse Mourão.

"Eu percebo que há uma contradição. O senhor defende a manutenção do subsídio, e o Paulo Guedes é contra", rebateu Ana Amélia.

As divergências entre Bolsonaro/Paulo Guedes e Mourão ficaram evidentes em outro momento, quando o general defendeu o acolhimento de imigrantes venezuelanos que fogem da fome e da crise política no país vizinho.

"A Venezuela sofre grave crise humanitária. Não podemos virar as costas para nossos irmãos venezuelanos. Independentemente de termos os recursos necessários ou não, temos que acolher aqueles que chegam a nossas fronteiras", afirmou. Mourão disse, ainda, que a responsabilidade não é só de Roraima e deve ser compartilhada por "todo o território nacional".

Quando questionado sobre a crise migratória, Bolsonaro tem dito que a solução é a criação de um campo de refugiados na fronteira entre Brasil e Venezuela. "Já temos problemas demais aqui", disse ao jornal O Estado de S.Paulo.

Bolo de açaí

Embora tenha manifestado diversas vezes sua "admiração" pela senadora Ana Amélia durante o debate, Paulo Rabello não poupou a adversária de críticas e ironizou o programa eleitoral de Alckmin no qual o ex-governador aparece entregando um bolo de açaí para uma adolescente do Pará que teria tratado um câncer em São Paulo.

"Fiquei escandalizado com seu cabeça de chapa que, em vez de falar como médico sobre as soluções que tem para a saúde, passou os minutos que faltam para os demais candidatos [do tempo de TV] e que ele tenha talvez em excesso, servindo bolo de açaí para uma moça que teve leucemia", provocou. "A senhora pode compensar essa falta do candidato apresentando ideias efetivas para as pessoas que morrem na fila do SUS?"

"Meu amigo Paulo Rabello de Castro, eu fico triste de imaginar que você não entenda o gesto de um presente tão singelo quanto um bolo para uma criança que se recuperou de um câncer", rebateu Ana Amélia.