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03/09/2018 13:17 -03 | Atualizado 03/09/2018 13:19 -03

Protesto em frente ao Museu Nacional é repreendido por guardas-civis

"O que perdemos é uma memória do mundo. Nós éramos guardiões de uma parte da memória da humanidade."

AFP/Getty Images
O protesto continuou do lado de fora do portão e houve momentos em que os manifestantes tentaram entrar, quando os portões tinham de ser abertos para a passagem de veículos.

O protesto de indignação por causa do incêndio no Museu Nacional no Rio, na Quinta da Boa Vista, na zona oeste da cidade, foi repreendido por guardas-civis com bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta, de acordo com informações da Mídia Ninja e da Folha de S.Paulo.

A repressão iniciou quando o grupo tentou levar o protesto para mais perto do prédio do museu, que pegou fogo entre a noite de domingo (2) e a madrugada desta segunda-feira (3).

Os manifestantes criticam o poder público, com argumento de descaso com a história do Brasil e com a ciência e pesquisa.

O protesto continuou do lado de fora do portão e houve momentos em que os manifestantes tentaram entrar, quando os portões tinham de ser abertos para a passagem de veículos.

Protesto

O museu, que foi a residência da Família Real durante o Império, fica dentro do parque e guardava um acervo de história natural considerado o maior da América Latina, além de peças de importância antropológica vindas de diversas partes do mundo.

A servidora e pesquisadora da Fiocruz Márcia Valéria Morosini foi ao ato prestar solidariedade aos funcionários do museu e defendeu que era preciso liberar a entrada, porque o protesto era um gesto de abraço.

"Todos nós, brasileiros, tínhamos que estar aqui. O que se perdeu hoje é muito representativo e é muito simbólico das perdas acumuladas para a ciência do Brasil" , disse ela. "O que perdemos é uma memória do mundo. Nós éramos guardiões de uma parte da memória da humanidade."

A estudante da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Vitória Barbosa, de 18 anos, conta que foi ao protesto se manifestar contra o descaso com a universidade pública no Brasil. O museu é admistrado pela universidade, que teve outros registros de incêndio em prédios importantes nos últimos anos. "Vim protestar tanto pela universidade quanto por todos os espaços públicos de cultura e educação."

O pró-reitor de graduação da UFRJ, Eduardo Serra, negociou com a Guarda Municipal para que os manifestantes pudessem entrar na área da Quinta da Boa Vista. Segundo Serra, a entrada dos manifestantes será liberada depois que o museu for cercado por grades. O que deve ocorrer nas próximas horas.

Os portões da Quinta da Boa Vista foram fechados pelas equipes da Guarda Municipal, nesta manhã, por medida de segurança, para evitar tumultos e prevenir acidentes. Equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil permanecem trabalhando no local, que ainda oferece riscos. Cerca de 400 pessoas, incluindo servidores, estudantes e manifestantes, que já estavam no parque permanecem no espaço, mas estão sendo orientadas a ficarem afastadas do prédio.