POLÍTICA
03/09/2018 17:55 -03 | Atualizado 03/09/2018 18:48 -03

Lula decide, e PT vai à ONU e ao STF para manter sua candidatura

TSE determinou que PT deve indicar novo candidato até o dia 11, mas partido quer suspender a decisão.

O ex-presidente Lula, em foto tirada em março de 2018.
Lucio Tavora/AFP/Getty Images
O ex-presidente Lula, em foto tirada em março de 2018.

O PT vai insistir na candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva até, pelo menos, o próximo dia 11, quando termina o prazo dado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para que o partido indique um novo candidato à Presidência. O registro de Lula foi barrado pelo tribunal com base na Lei da Ficha Limpa.

Até lá, porém, o PT vai tentar uma liminar que suspenda a decisão do TSE.

De acordo com o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), vice na chapa petista, o partido vai apresentar uma petição à ONU (Organização das Nações Unidas) ainda nesta segunda-feira (3) e entrará com um pedido de liminar no STF (Supremo Tribunal Federal) na terça (4).

"Expusemos ao presidente Lula todas as possibilidades jurídicas que estão à disposição dele, e ele tomou a decisão por meio de seus advogados", disse Haddad a jornalistas após visita a Lula na carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

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Gleisi Hoffmann, presidente do PT, e Fernando Haddad, após visita a Lula nesta segunda-feira (3).

Em agosto, o Comitê de Direitos Humanos da ONU recomendou que o Brasil tomasse as medidas necessárias para garantir a candidatura de Lula.

No julgamento no TSE, que terminou com o placar de 6x1 pela inelegibilidade do petista, a divergência foi aberta pelo ministro Edson Fachin, que reforçou a tese de que o Estado brasileiro deveria acatar a recomendação da ONU.

"Vamos peticionar junto à ONU para que se manifeste sobre a decisão das autoridades eleitorais brasileiras", disse Haddad. "Em segundo lugar, vamos apresentar ao STF dois recursos com pedido de liminar para que não haja necessidade de substituição [da chapa] no prazo de 10 dias que foi dado pelo TSE", completou.

A expectativa é que Haddad assuma a cabeça de chapa, com Manuela D'Ávila (PCdoB) na vice, mas o PT quer adiar essa troca ao máximo. Na avaliação de Lula, quanto mais perto do primeiro turno (7 de outubro) for feita a substituição, maior será o seu potencial de transferir votos para Haddad.

A estratégia do partido, enquanto isso, é trabalhar para tornar Haddad mais conhecido do eleitorado e consolidar a mensagem de que "Haddad é Lula, Lula é Haddad". O ex-presidente pode aparecer em até 25% do tempo do PT no programa eleitoral – mas não como candidato –, conforme determinou o TSE.