POLÍTICA
02/09/2018 09:14 -03 | Atualizado 02/09/2018 10:23 -03

Alckmin usa antipetismo para conquistar eleitores de Bolsonaro

Aliados do candidato apostam em transferência de votos de Lula para Haddad e na chance do ex-prefeito vencer o deputado no 2º turno.

Com 9% de intenções de voto no cenário sem Lula na disputa, de acordo com última pesquisa Datafolha, o ex-governador de São Paulo mira uma vaga no 2º turno.
Ueslei Marcelino/Reuters
Com 9% de intenções de voto no cenário sem Lula na disputa, de acordo com última pesquisa Datafolha, o ex-governador de São Paulo mira uma vaga no 2º turno.

"Estão querendo eleger o PT?". É assim que alguns aliados de Geraldo Alckmin, candidato à Presidência da República pelo PSDB, têm abordado apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL). O combate aos extremismos é um dos focos da campanha do tucano, que aposta no início do tempo de propaganda eleitoral de rádio e televisão para crescer.

Com 9% de intenções de voto no cenário sem Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa, de acordo com última pesquisa Datafolha, o ex-governador de São Paulo mira uma vaga no 2º turno. A expectativa de aliados é que o PT garanta uma das vagas, de modo que a candidatura do PSDB tem como principal rival Bolsonaro. O parlamentar lidera a corrida eleitoral sem Lula, com 22% das intenções de voto.

Nos bastidores, parte dos integrantes da coligação de Alckmin vê grande potencial de transferência de votos de Lula para Fernando Haddad. Preso desde 7 de abril, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá, Lula foi considerado inelegível pelo TSE, enquadrado na Lei da Ficha Limpa.

No cenário mais provável, em que o ex-prefeito de São Paulo assume a cabeça da chapa presidencial, a expectativa é de união da esquerda, segundo aliados do PSDB. O grupo aposta que pelo menos metade dos 39% de intenção de voto de Lula migre para Haddad.

Sem o ex-presidente na disputa, acredita-se também em um movimento de voto útil para garantir o PT no 2º turno, o que diminuiria o eleitorado de Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT), ambos ex-ministros de governos petistas. Hoje a ex-senadora tem 8% de intenções de voto no cenário com Lula e 16% sem. O ex-governador do Ceará, por sua vez, tem 5% de popularidade com o ex-presidente na disputa e 10% sem.

Reuters Photographer / Reuters
Tucanos apostam que apoios regionais da coligação do PSDB a Jair Bolsonaro vão reduzir se tucano aumentar intenção de votos.

PSDB busca eleitores de Bolsonaro

Alckmin irá explorar as contradições de Bolsonaro e mostrar-se como um candidato mais preparado. A ideia é conquistar eleitores desiludidos com a política que enxergam no deputado uma opção de voto. O combate ao extremismo está presente no 1º vídeo para propaganda eleitoral de rádio e televisão, com o mote "Não é na bala que se resolve".

Quatro vezes no comando do estado de São Paulo e com a maior coligação, o PSDB irá enaltecer as chances de governabilidade em um eventual governo e atacar a falta de propostas concretas do candidato do PSL.

Com 44% dos 25 minutos dos blocos diários do horário eleitoral e 434 inserções, de 30 segundos cada, o tucano dominará as aparições nos meios de comunicação. A ferramenta é a aposta central na campanha agora e aliados acreditam em uma virada tucana nos últimos 20 dias antes do pleito.

Nesse cenário, a expectativa é que o crescimento do ex-governador de São Paulo influencie inclusive para reverter apoios regionais da coligação do tucano a Bolsonaro. No Rio Grande do Sul, por exemplo, ala do PP, partido de Ana Amélia, vice de Alckmin, faz palanque para o deputado.

Integrantes da coligação admitem, contudo, que há dúvidas se Alckmin irá conseguir sensibilizar a população e atrair apoio.

Ueslei Marcelino / Reuters
PT agora é "faca nos dentes" e não "Lulinha paz e amor", dizem tucanos.

Antipetismo contra Bolsonaro

Uma segunda frente da campanha é apostar no antipetismo e mostrar que votar em Bolsonaro é arriscar ter o PT de volta no poder. Apesar de a última pesquisa Datafolha indicar que Haddad perderia para o candidato do PSL no 2º turno, integrantes do centrão apostam que o placar possa ser o oposto, diante do crescimento do petista ao ser consolidado como candidato do Lula.

O PSDB está preocupado em dar uma resposta a brasileiros que votavam na sigla, mas a criticam por não ter sido suficientemente combativa com o PT. Na visão desse segmento, Bolsonaro é mais sincero nas críticas ao partido de Lula.

Integrantes da campanha tucana destacam a mudança na conduta "faca nos dentes" do PT no pleito atual, que tem desafiado o Judiciário e a imprensa, segundo eles, e abandonado o mote do "Lulinha paz e amor".

O partido tem feito duro enfrentamento às decisões contrárias ao ex-presidente. Petistas têm acusado a Justiça de ilegalidades na condenação no caso do tríplex e de perseguição. A sigla também tem criticado a postura dos grandes veículos de comunicação, que têm excluído a legenda dos debates presidenciais e da cobertura diária de campanhas presidenciais.