POLÍTICA
01/09/2018 02:51 -03 | Atualizado 01/09/2018 10:12 -03

PT resiste a substituir Lula por Haddad, após decisão do TSE

“Vamos até o fim”, disse deputado Paulo Pimenta. Lula e Haddad se reúnem na segunda-feira, quando defesa deve apresentar recurso.

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Fernando Haddad se reúne com Lula na segunda-feira para decidir sobre substituição na corrida eleitoral.

Apesar de o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ter barrado a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República,parte do PT resiste a substituí-lo por Fernando Haddad, atual candidato a vice, na corrida presidencial. De acordo com a decisão da Justiça Eleitoral, o ex-presidente não pode aparecer como candidato da propaganda eleitoral de rádio e televisão.

"Jamais. Vamos até o fim. Sem chance [de substituição]", afirmou ao HuffPost Brasil o líder da legenda na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS). De acordo com o parlamentar, a restrição à propaganda não muda a posição.

No entendimento de advogados de Lula, ficaram vedadas menções expressas, como dizer o número do candidato associado ao ex-presidente. Vice-candidato ao Palácio do Planalto, Haddad não poderia dizer que compõe a chapa com o ex-presidente, mas poderia afirmar que o PT ainda irá recorrer da decisão, por exemplo. "Tenho dificuldade de achar que ele está proibido de dizer que nós vamos insistir na candidatura do Lula", afirmou a jornalistas a advogada Maria Claudia Pinheiro.

Ao votar por indeferir o registro de candidtura de Lula, condenado em 2ª instância por corrupção e lavagem de dinheiro, o relator, ministro Luis Roberto Barroso, decidiu que o partido tem até 10 dias para efetuar a troca. Ele também determinou a retirada do nome do ex-presidente das urnas.

Foram 6 votos contra 1 para barrar a candidatura. A defesa irá recorrer da decisão do TSE na segunda-feira (3), mas ainda estuda detalhes. A tendência é pedir uma medida cautelar ao STF (Supremo Tribunal Federal).

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Com discurso de perseguição política, ala do PT insiste em manter Lula como candidato, após TSE barrar o ex-presidente.

Discurso de perseguição política

A sessão do plenário do TSE foi encerrada quase às 2h da madrugada deste sábado (1º), e a decisão sobre o PT está em vigor desde então. Como a Justiça Eleitoral funciona em regime de plantão no fim de semana, não haveria impedimentos técnicos para a troca.

A alteração, contudo, precisa respeitar regras internas do PT e dos partidos que integram a coligação, no caso PCdoB e PROS. Cada legenda tem seus procedimentos próprios de indicação de candidatos, que incluem previsão para deliberação pela direção do partido sobre a questão. O processo pode ser agilizado, contudo, se na ata da convenção forem concedidos aos dirigentes poder para definir o substituto.

Nesta sexta-feira (31), Haddad afirmou que irá a Curitiba (PR) na segunda decidir sobre a substituição com Lula. "Estarei com ele na segunda, vou levar ao conhecimento dele o resultado do Tribunal Superior Eleitoral e ali vamos discutir o que fazer", afirmou em visita a Fortaleza (CE), onde cumpre agenda de candidato.

Advogado de Lula no TSE, Luiz Fernando Casagrande Pereira não respondeu sobre quando a troca seria feita. "A política vai avaliar consequências da decisão judicial", disse a jornalistas após o julgamento da Justiça Eleitoral nesta sexta.

A resistência dos petistas à mudança é parte da estratégia de enfrentamento à Justiça Eleitoral e reforça o discurso de perseguição política. O tempo, contudo, pesa contra a legenda não só devido à propaganda eleitoral em rádio e televisão, mas também quanto à transferência de votos.

Apesar do esforço da sigla em associar Lula a Haddad, o ex-prefeito de São Paulo tem apenas 4% das intenções de voto, de acordo com última pesquisa Datafolha. O atual candidato a vice não é conhecido por grande parte dos eleitores. O PT contava com o tempo de TV justamente para fazer essa transição, com o ex-presiente apresentando Haddad como seu candidato.