POLÍTICA
31/08/2018 11:00 -03 | Atualizado 31/08/2018 11:00 -03

Reforma tributária: Boulos quer aumentar impostos de quem ganha mais

Em uma eventual gestão do candidato à Presidência pelo PSol, heranças e grandes fortunas terão taxas maiores.

AFP/Getty Images
Boulos quer corrigir a tabela do imposto de renda, com alíquota de 35% para rendimentos acima de R$ 325 mil por ano.

É consenso no discurso do brasileiro que o sistema tributário deve ser corrigido. Se por um lado há uma crítica grande ao fato de a carga tributária brasileira ser de praticamente 35% do PIB (Produto Interno Bruto), por outro não há uma receita única de como discutir essa questão.

Para o pré-candidato à Presidência pelo PSol, Guilherme Boulos, é preciso simplificar e ampliar a progressividade do sistema. O plano de governo do candidato "defende a construção de uma estrutura fiscal e tributária voltada à sustentação do processo de reestruturação da economia brasileira a partir das ideias propostas".

A reforma, segundo Boulos, implicaria aumento da "equidade e a eficiência na arrecadação e seu caráter regulatório".

A proposta do candidato é reduzir as alíquotas e cobrar mais e de forma progressiva à renda da pessoa física. A estimativa da campanha é que isso geraria um ganho líquido de 1,3% do PIB na arrecadação de Imposto de Renda.

Herança e grandes fortunas

Guilherme Boulos propõe, nesse sentido, corrigir a tabela do Imposto de Renda, cobrando mais de quem ganha mais, com uma alíquota de 35% para rendimentos acima de R$ 325 mil por ano. Prevê também uma tributação linear sobre dividendos com base em uma alíquota de 20%. Há ainda sugestão de aumento da arrecadação de impostos sobre propriedade urbana e rural de 0,6% para 1% do PIB.

Propõe aumentar a arrecadação com tributação sobre herança e doações inter vivos (ITCMD) de 1,7% para 1,9% do PIB tributando as grandes fortunas na herança — uma das principais bandeiras do candidato. O imposto sobre herança passaria a ser federalizado, com reajuste da arrecadação com tributação baseada em alíquotas progressivas de 2% a 40%.

O candidato adiciona uma revisão das desonerações e outros gastos tributários, além do aumento da arrecadação de impostos sobre propriedade rural. Ele quer ainda a redução gradual das alíquotas dos tributos que incidem sobre bens e serviços, como a cesta básica (Pis/Cofins, IPI, ICMS etc).