POLÍTICA
31/08/2018 09:27 -03 | Atualizado 31/08/2018 09:55 -03

Marina Silva no Jornal Nacional: Mulheres devem se aposentar mais cedo

Candidata da Rede defende reforma da Previdência, com debate da idade mínima para homens e mulheres.

Reprodução/Twitter/Reality Social/TV Globo
Marina Silva foi a 4ª candidata entrevistada pelo Jornal Nacional.

Marina Silva foi a quarta candidata a presidente sabatinada pelo Jornal Nacional. Nesta quinta-feira (30), ela esteve no alvo da artilharia de questionamentos de William Bonner e Renata Vasconcellos. Foi a última da série de entrevistas do JN.

Os âncoras miraram a inconsistência do partido fundado pela presidenciável, a Rede Sustentabilidade. Bonner relembrou a debandada que a legenda da ambientalista já sofreu, apesar de ser tão nova, criada em 2015.

Marina afirma que a saída dos integrantes da Rede teve relação com a posição pró-impeachment do partido. Bonner pondera que alguns de seus parlamentares na Câmara votaram contra o afastamento da então presidente Dilma Rousseff.

A candidata explicou que a defesa principal da Rede era pela cassação da chapa Dilma e Michel Temer, que se beneficiou de recursos de caixa 2, conforme apontou a Operação Lava Jato. "Impeachment não é golpe. Dilma e Temer são farinha do mesmo saco, cometeram o mesmo crime."

Ainda assim, Marina afirma que mantém boa relação com quem saiu de seu partido e disse não achar que os ex-correligionários prejudicariam um eventual governo seu.

A ex-ministra também foi questionada sobre as alianças estaduais de seu partido com siglas que ela mesma critica, como PT, PMDB e PSDB. Marina ressaltou que "vai governar com os melhores de todos os partidos".

Marina afirmou que quer fazer um governo de transição, comparando-se a Itamar Franco, que era vice de Fernando Collor de Mello, em 1991, e assumiu a responsabilidade de colocar o País de volta aos trilhos, após o impeachment sofrido por Collor.

Debates e reformas

Bonner e Vasconcellos criticaram respostas dadas por Marina em outras sabatinas que demonstram falta de propostas concretas. "Como candidata à Presidência, por que não assumir posturas e posições?", indagou a âncora.

Marina Silva defendeu a reforma da Previdência, mas afirmou que a idade mínima ainda precisa ser debatida. Bonner ironizou o "debate" mais uma vez proposto pela ex-senadora.

Marina aludiu a estudo da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) que demonstra como as mulheres ainda hoje são sobrecarregadas de atividades domésticas, ainda quando trabalham fora de casa. "Por isso, elas têm direito de aposentar mais cedo", argumentou.

No final do programa, Marina utilizou sua estratégia discursiva ao sublinhar seu gênero, raça e profissões já exercidas, como doméstica e seringueira. "Muita gente acha que uma pessoa com minha origem não tem capacidade para ser presidente", desafiou. "Muita gente me admira como uma pessoa que é exceção, mas eu não quero um país de exceções. Quero um país de regras", encerrou.