POLÍTICA
30/08/2018 16:48 -03 | Atualizado 30/08/2018 16:59 -03

Lojas Americanas venderam camisetas pró-Bolsonaro e anti-Lula, diz revista

Produtos foram retirados do site após reportagem. Relembre marcas que tomaram partido em eleições e no processo de impeachment.

Reprodução/CartaCapital
Camisetas anti-Lula e pró-Bolsonaro foram vendidas pelo site das Lojas Americanas.

O site das Lojas Americanas vendeu até quarta-feira (29) pelo menos 37 modelos de camiseta com estampas favoráveis a Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência da República, e ao menos 26 modelos críticos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT ao Planalto.

De acordo com o site da revista CartaCapital, as peças traziam fotos do ex-capitão do Exército com frases do tipo "Eu sou o mito", "Eu sou a lenda" e "Bolsonaro presidente". Em algumas camisetas, o candidato era retratado com pistola, fuzil e óculos escuros.

Já as camisetas anti-Lula traziam estampas de uma mão com quatro dedos e as frases "Xô Lula!" e "Fora ladrão".

Os preços variavam de R$ 34 a R$ 44.

Em nota ao HuffPost Brasil, as Lojas Americanas informaram que "a companhia desautoriza a venda de qualquer material de campanha política" e que "os produtos foram retirados dos sites e os sellers, suspensos".

O site das Americanas funciona no modelo de marketplace, no qual são concentradas diversas lojas (sellers).

Uma das empresas que fornecem as peças pró-Bolsonaro, segundo a CartaCapital, é a Di Nuevo, com sede em Volta Redonda (RJ). O proprietário, que não quis ser identificado, confirmou o modelo de vendas no site das Americanas e disse, ainda, que não tem autorização da equipe do candidato. "A gente faz de acordo com o que os clientes pedem. É uma empresa de pedidos personalizados."

Marcas que tomaram partido

Nas eleições de 2014, o estilista Sergio K vendeu uma camiseta com a frase "Uai We Can", em apoio à candidatura do mineiro Aécio Neves (PSDB) à Presidência. Em 2015, no auge das manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), a marca lançou uma nova camiseta, com a frase "A culpa não é minha – eu votei no Aécio".

Em 2016, Sergio K lançou um último modelo, dessa vez em apoio ao juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância: "In Moro We Trust".

As camisetas foram usadas por celebridades como Ronaldo Fenômeno. Cabo eleitoral de Aécio, o estilista disse mais tarde, em meio às denúncias de corrupção envolvendo o tucano, que estava arrependido. "Nunca mais farei camisetas de cunho politico."

A rede de lanchonetes Habib's também se posicionou a favor do impeachment de Dilma.

Em março de 2016, a empresa lançou campanha convocando seus clientes a participarem dos protestos. Em comunicado publicado à época, o Habib's informou que iria engrossar o "coro de milhões de brasileiros e sair às ruas pedindo um Brasil mais honesto e mais justo".

"Na crença de um País melhor e com justiça para todos, [o Habib's] vai apoiar as manifestações, vestindo suas lojas de verde e amarelo e distribuindo cartazes e bottons para os que queiram se manifestar e estejam com fome de mudança", dizia o texto, assinado também pela rede Ragazzo, do mesmo grupo.