ENTRETENIMENTO
30/08/2018 11:54 -03 | Atualizado 30/08/2018 15:46 -03

Conceição Evaristo na ABL: A mobilização pela 1ª integrante negra da Academia

Votação na tarde desta quinta (30) deve escolher sucessor de Nelson Pereira dos Santos na Academia Brasileira de Letras.

Campanhas nas redes sociais pedem que escritora mineira seja escolhida para a cadeira de número 7.
Divulgação/Lis Pedreira
Campanhas nas redes sociais pedem que escritora mineira seja escolhida para a cadeira de número 7.

A Academia Brasileira de Letras vai eleger na tarde desta quinta-feira (30) o sucessor do cineasta Nelson Pereira dos Santos, morto no último mês de abril. Na internet, veio à tona uma mobilização pedindo que a escritora mineira Conceição Evaristo, vencedora do Prêmio Jabuti por Olhos D'água, ocupe o posto.

Petições online (veja aqui e aqui) com mais de 20 mil assinaturas cada e a hashtag #ConceicaoEvaristoNaABL no Twitter querem que pela primeira vez em 120 anos de história da instituição haja uma mulher negra entre seus 40 membros "imortais".

A defesa da nomeação da escritora de 71 anos chama a atenção para a falta de diversidade no corpo da Academia, hoje formada majoritariamente por homens brancos, com exceção do pesquisador Domício Proença Filho.

No quadro total, há apenas 5 mulheres: Ana Maria Machado, Cleonice Berardinelli, Rosiska Darcy de Oliveira, Lygia Fagundes Telles e Nélida Piñon.

No entanto, especula-se que haja dois favoritos que não Evaristo para ocupar a cadeira de número 7: o cineasta (e amigo de Nelson Pereira) Cacá Diegues e o colecionador e pesquisador Pedro Corrêa do Lago.

Além deles, concorrem à vaga: Raul de Taunay, Remilson Soares Candeia, Francisco Regis Frota Araújo, Placidino Guerrieri Brigagão, Raquel Naveira, José Itamar Abreu Costa, José Carlos Gentili e Evangelina de Oliveira.

Após a votação que escolherá o novo Acadêmico, o Presidente da ABL, professor Marco Lucchesi, realizará a tradicional queima dos votos.

A trajetória de Conceição Evaristo

Nascida em 1946, Conceição Evaristo viveu na favela de Pinduca Saia, em Belo Horizonte, até a década de 1970, quando se mudou para o Rio de Janeiro.

Lá, ela trabalhou como empregada doméstica durante a graduação em Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em seguida, fez mestrado e doutorado, tornando-se escritora e professora universitária.

Além do premiado Olhos d'água, a escritora lançou os romances Ponciá Vicêncio e Becos da Memória e também livros de poesia e contos. Em 2017, Evaristo recebeu o Prêmio Governo de Minas Gerais pelo conjunto de sua obra.

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