POLÍTICA
30/08/2018 15:17 -03 | Atualizado 30/08/2018 15:53 -03

Por que candidatos não conseguem implementar campanhas impulsionadas no Facebook

"Em uma campanha curta como esta, quem já está conseguindo usar a ferramenta sai na frente porque se aproveita das inúmeras possibilidades de segmentação."

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Até o momento, 4 dos 13 candidatos estão usando a ferramenta e desde o dia 16 já foram veiculados cerca de 800 anúncios eleitorais na rede que envolvem a palavra presidente.

As campanhas eleitorais que apostaram na força das redes sociais para dialogar com os eleitores encontraram uma barreira: o uso do sistema operacional do Facebook. Os relatos de dificuldade em impulsionar posts vão desde assessores dos candidatos à Presidência até aos candidatos a outros cargos, como deputados. Até o momento, apenas 4 dos 13 candidatos estão usando a ferramenta e desde o dia 16 deste mês já foram veiculados cerca de 800 anúncios eleitorais na rede que envolvem a palavra presidente.

Os entraves para campanhas no Facebook são dos mais variados, mas, principalmente, operacionais. E eles começam na hora de autenticar uma página na rede. Para isso, é preciso comprovar a identidade do candidato com documentos, como RG e CPF, assim como o endereço de contato dos políticos. No entanto, há candidatos e assessorias com dificuldade em editar as informações ou até mesmo em conseguir a documentação. Eles alegam que um dos motivos são as constantes viagens da campanha.

Superada essa etapa, há a reclamação de demora para confirmação da identidade. "Não é um processo automático. Na troca do CNPJ, por exemplo, fizemos de dois candidatos e parecia que não tinha ido, mas mais tarde eu vi que tinha dado certo. Tem esse delay de tempo para ver se funciona ou não", explica Tatiana Diniz, responsável pelo digital de uma campanha em Sergipe. E também há queixas em relação à plataforma. "Quando você clica vai para um lugar, quando você volta, não é mais a mesma página. É uma plataforma muito complexa", diz.

Como é a primeira vez que um país usa a ferramenta de campanha eleitoral no Facebook, e é a primeira vez que a legislação eleitoral brasileira permite propaganda em redes sociais, há um temor de que os processos não estejam seguindo a ordem correta.

Há quem já tenha comprado os créditos para pagar o anúncio via boleto, mas ainda não o usou por entender que o comprovante de pagamento deveria estar no CNPJ da campanha e não do operador da página. "Não consigo vincular as contas, o boleto sai com CPF e nome do candidato em vez de o CNPJ da campanha", diz a jornalista Mariara Silva.

"A campanha já começou, a gente tem material na rua. A gente investiu muito no material de vídeo, com investimento alto, e produção segmentada, mas precisamos impulsionar para termos o alcance que gostaríamos."

Segmentação de conteúdo

Especialista em marketing digital, Maria Carolina Lopes reforça que o impulsionamento das postagens é fundamental para uma estratégia de comunicação política segmentada na internet.

"Um candidato à Presidência que quer apresentar suas propostas para determinada região do país ou determinado segmento da sociedade, conta com o impulsionamento segmentado, via Facebook e Instagram, para chegar ao público que ele quer comunicar. Em uma campanha curta como esta, quem já está conseguindo usar a ferramenta sai na frente porque se aproveita das inúmeras possibilidades de segmentação que a ferramenta oferece para comunicar com o público que deseja alcançar."

Neste cenário de dificuldade com a plataforma, a queixa é daqueles que ainda não conseguiram se adequar ao sistema do Facebook e, por isso, continuam falando com um público muito amplo. "O que nem sempre é interessante em termos de marketing político", avalia a especialista.

Mesmo com obstáculos, há um consenso de que as regras da plataforma são fundamentais. "É muito importante que o Facebook tenha se preocupado com essas regras, já que vivíamos em um campo nebuloso em relação ao que é ou não impulsionado", pontua Lopes.

Ao HuffPost Brasil, o Facebook Brasil reconheceu que há desafios a serem melhorados, mas destacou que há um time específico para dar suporte a essas campanhas. A empresa destacou que, infelizmente, não tem como pular etapas e que é essencial processos como a confirmação da identidade e da residência do candidato no Brasil. Disse ainda que tem trabalhado para agilizar o sistema.

O Facebook disponibiliza ao público um arquivo com os anúncios eleitorais que já foram veiculados na rede, estejam eles ativos ou não. Qualquer pessoa pode ter acesso aos dados, basta fazer uma busca nesta página. A Biblioteca de Anúncios mostra, por exemplo, que já foram veiculados cerca de 5 mil anúncios com a palavra deputado. É possível, ainda, fazer a busca pela página que está patrocinando a publicação.

O que épermitido na internet durante a campanha:

  • enviar mensagem eletrônica (e-mail) para endereços cadastrados gratuitamente pelo candidato, partido ou coligação, desde que seja oferecido ao destinatário a opção de cancelar o cadastro (no prazo máximo de 48 horas);
  • enviar mensagens instantâneas com conteúdo produzido ou editado pelo candidato, partido ou coligação;
  • candidatos, partidos ou coligações também podem ter sites na internet; o endereço eletrônico deve ser informado à Justiça Eleitoral e hospedado em provedor localizado no Brasil;

O que NÃO é permitido na internet durante a campanha:

  • propaganda eleitoral, mesmo que gratuita, em sites de empresas;
  • propaganda eleitoral em sites oficiais ou hospedados por órgãos da administração pública;
  • venda de cadastro de e-mails e propaganda por telemarketing.