POLÍTICA
29/08/2018 09:25 -03 | Atualizado 30/08/2018 11:22 -03

'Kit gay': Jair Bolsonaro dribla perguntas sobre homofobia no Jornal Nacional

Candidato à Presidência pelo PSL defende que tenta proteger crianças nas escolas.

Reprodução/Twitter/Reality Social/TV Globo
Jair Bolsonaro foi o 2º candidato a passar por entrevista no Jornal Nacional.

Jair Bolsonaro foi o segundo candidato a presidente sabatinada pelo Jornal Nacional. Nesta terça-feira (28), ele foi alvo das perguntas duras de Renata Vasconcellos e William Bonner, em atmosfera semelhante à entrevista com Ciro Gomes.

Logo que chegou aos estúdios da TV Globo, Bolsonaro brincou sobre a disposição da cadeira do entrevistado ante os entrevistadores:

Bonner questionou a incoerência entre o candidato se apresentar como "novo", sendo que está há décadas na política, tendo exercido diversos mandatos como deputado federal e enriquecido como político.

Bolsonaro lamentou que apenas 2 projetos seus foram aprovados, mas negou ser corrupto.

Os jornalistas bateram na tecla de que Bolsonaro já escolheu ministro da Fazenda antes mesmo de ser eleito: o coordenador de economia de seu programa de governo, Paulo Guedes. E insistiram: o que aconteceria com a política econômica de um eventual governo Bolsonaro se Guedes saísse do ministério ou decidisse algo de que ele discordasse?

O 'kit gay' e o rótulo de homofóbico

Renata Vasconcellos ressaltou os números da homofobia no Brasil: um gay é assassinado a cada 19 horas no País. E relembrou frases polêmicas do candidato como "preferir perder um filho a ele ser gay" ou até associar homossexualidade com pedofilia. "Suas declarações podem ofender as pessoas", disse.

Para se defender, Bolsonaro voltou a se referir ao "kit gay", criado em 2011. Levou aos estúdios inclusive o que seria parte do material e levou uma bronca de Bonner por tentar exibi-lo.

Tachado "kit gay" pela bancada evangélica da Câmara Federal, o programa Escola sem Homofobia consistia em um guia de orientações aos professores e vídeos elaborados pelo Ministério da Educação, em convênio firmado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que tratavam de homossexualidade, transexualidade e bissexualidade entre jovens.

O material escolar visava ao debate da sexualidade no ambiente escolar, como forma de reconhecer que existe diversidade sexual e de combater o preconceito. O objetivo era distribuir o material para professores e alunos do Ensino Médio de todo o Brasil.

Pressionado pela bancada evangélica em 2011, a então presidente Dilma Rousseff suspendeu o kit e a consequente distribuição dele nas escolas.

"Eu estava defendendo crianças nas escolas", destacou Bolsonaro no Jornal Nacional.

Jair Bolsonaro também foi inquirido sobre o combate à violência com o uso de mais violência. Disse que criminosos não podem ser tratados como "vítimas da sociedade". "Esse tipo de gente [criminoso] não pode ser tratado como pessoa normal... Nós temos que ir com tudo pra cima deles. E o policial que atirar tem que ser condecorado e não processado", defendeu.