MULHERES
28/08/2018 14:24 -03 | Atualizado 28/08/2018 16:14 -03

O que diz a carta que acusa papa Francisco de ser conivente com abusos sexuais

Uma carta acusa funcionários do Vaticano de acobertar Theodore McCarrick, apesar de terem conhecimento de seu histórico de abusos sexuais.

O Papa Francisco participa da missa de encerramento no Encontro Mundial das Famílias no Phoenix Park, em Dublin, como parte de sua visita à Irlanda.
PA Images via Getty Images
O Papa Francisco participa da missa de encerramento no Encontro Mundial das Famílias no Phoenix Park, em Dublin, como parte de sua visita à Irlanda.

Uma figura de alto escalão na Igreja Católica falou publicamente sobre papa Francisco, depois de outro clérigo de alto nível publicar uma carta em que acusa funcionários seniores do Vaticano de acobertar múltiplos casos de abuso sexual na Igreja durante décadas.

"Acho que estão querendo limitar o tempo deste papa no cargo ou, caso contrário, neutralizar sua voz ou mostrá-lo sob ótica ambígua", disse ao New York Times na segunda-feira (27) o cardeal Joseph Tobin, nomeado cardeal pelo papa Francisco em 2016. "E isso faz parte de uma reviravolta maior dentro e fora da igreja."

Escrita pelo arcebispo Carlo Maria Vigano e publicada em duas plataformas noticiosas católicas conservadoras no fim de semana, a carta de 11 páginas alega que o alto escalão do Vaticano tinha conhecimento pelo menos desde 2000 do fato de que o ex-cardeal Theodore McCarrick, antigo arcebispo de Washington, molestou jovens seminaristas.

Segundo Vigano, o papa Francisco tomou conhecimento do comportamento de McCarrick em 2013 e subsequentemente o reabilitou (o papa Bento XVI o teria sancionado em 2009 ou 2010). McCarrick renunciou a seu cargo no mês passado, depois de vários veículos de mídia terem publicado relatos do abuso sexual que ele é acusado de ter cometido.

"Não direi uma palavra sobre o assunto", disse Francisco no domingo, indagado sobre as acusações.

Alguns clérigos da ala mais liberal da igreja saíram em defesa do papa, descartando a carta como tentativa de denegrir o pontífice e lembrando ao público de como são conservadoras as posições de Vigano (ele atribui o abuso sexual à homossexualidade). Líderes mais conservadores, como o arcebispo Charles J. Chaput, de Filadélfia, se apressaram a defender Vigano.

Deixando de lado as diferenças de visão, a carta coloca pressão adicional sobre o papa, que já vem sendo fortemente criticado desde que o relatório de um grande júri americano divulgado este mês apontou para provas de acobertamento em escala hedionda de inúmeros casos de abuso sexual na Igreja Católica da Pensilvânia. Mais de mil crianças e adolescentes sofreram abuso sexual, em casos que ocorreram em um período de mais de 70 anos.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.