POLÍTICA
28/08/2018 00:56 -03 | Atualizado 28/08/2018 00:57 -03

Ciro Gomes no Jornal Nacional: 'Precisamos encerrar luta entre coxinhas e mortadelas'

Candidato do PDT à Presidência foi pressionado por William Bonner por sua relação com Carlos Lupi, que é réu por improbidade.

Reprodução/Twitter/TV Globo/Reality Social
Ciro Gomes é 1º candidato entrevistado pelo Jornal Nacional.

Ciro Gomes foi o primeiro candidato a presidente sabatinado pelo Jornal Nacionalna série de entrevistas iniciada nesta segunda-feira (27). O clima foi tenso, com perguntas bastante incisivas tanto do âncora e editor-chefe, William Bonner, quanto da editora-executiva, Renata Vasconcellos.

Um dos embates de maior tensão, entre o entrevistador Bonner e o entrevistado Ciro, ocorreu quando este foi questionado sobre sua relação tão próxima com o presidente do partido, Carlos Lupi. Bonner lembrou que Lupi, quando era ministro de Dilma Rousseff, foi investigado por improbidade administrativa e acabou virando réu.

Ciro negou que Lupi fosse réu. "Tenho confiança cega nele", sustentou, reafirmando que convidaria mesmo Lupi para assumir pasta em seu governo.

Carlos Lupi é, sim, réu. Ele é acusado de ter recebido vantagem indevida quando era ministro do Trabalho em troca de contratos na pasta.

Aliás, a entrevista já começou quente com Vasconcellos apontando a aparante contradição de Ciro em dizer que apoia a Operação Lava Jato, mas afirmar que receberia o juiz Sérgio Moro "a bala" e que há "desequilíbrio na investigação". Ciro respondeu que não há denunciados do PSDB e, por isso, questiona a imparcialidade da operação.

Ciro Gomes e a união da esquerda

Bonner tentou apontar contradição no discurso de Ciro, de ser o candidato de esquerda, e se aliar a forças outrora consideradas conservadoras, como a vice dele, senadora Kátia Abreu.

Ciro defendeu as diferenças entre ele e a vice, destacando que os dois são complementares.

Ele ressaltou que é hora de superar a polarização política:

Ciro reagiu à constatação de que está isolado politicamente, sem alianças fortes, relembrando que este também é o caso dos adversários Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede). Ele culpou o sistema político e os perenes confrontos entre PT e PSDB.

Também afirmou que tem respeito por Lula e pelos êxitos de seus 2 mandatos presidenciais, mas não considera o petista acima do bem e do mal.

Nome Limpo

Outro momento quente da noite foi o debate sobre a proposta de Ciro de tirar o nome de brasileiros do SPC. Bonner sugeriu que essa medida nada mais era do que um refinanciamento de dívida e que poderia ser considerada uma "troca de favores": o voto pelo nome limpo.

Ciro disse que vai honrar a promessa de tirar 60 milhões de brasileiros do cadastro de inadimplentes e entregou a Bonner e Vasconcellos um livreto com o passo a passo para cumpri-la.

No total, foram 27 minutos de entrevista. Na terça-feira (28), é a vez de Bolsonaro. Quarta-feira (29) é dia de Geraldo Alckmin (PSDB). E na quinta-feira (30), Marina.