POLÍTICA
27/08/2018 01:09 -03 | Atualizado 27/08/2018 01:09 -03

Marina Silva aposta em energias renováveis para combater desemprego

Política ativa de incentivos ao setor pode gerar cerca 3,9 milhões de empregos diretos e indiretos até 2030, diz plano de governo.

Adriano Machado / Reuters
Marina aposta em energia renovável para gerar milhões de empregos.

Candidata à Presidência da República pela Rede, Marina Silva acredita que o incentivo a energias renováveis pode ser uma resposta para combater o desemprego no Brasil. São 13 milhões de desempregados, de acordo com dados do IBGE, referentes ao 2º trimestre de 2018.

No tópico do plano de governo em que fala sobre a transição para uma economia de carbono neutro, a campanha promete criar um programa de massificação da instalação de unidades de geração de energia solar fotovoltaica distribuída nas cidades e comunidades vulneráveis. A meta é chegar a 1,5 milhão de telhados solares fotovoltaicos de pequeno e médio porte até 2022, representando 3,5 GW de potência operacional.

Segundo a candidata, essa política irá gerar novas oportunidade de emprego na produção e instalação dos painéis solares. "Além de reduzir a emissão de gases de efeito estufa, a adoção de energias renováveis também tem elevado potencial de criação de postos de trabalho", diz o plano da ex-ministra do Meio Ambiente.

O documento cita relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), de acordo com o qual o Brasil é o segundo país que mais cria empregos nesse campo, atrás da China. Em 2017, o País empregou 1,7 milhão de trabalhadores direta e indiretamente na geração de energias renováveis, com destaque para 795 mil empregos na área de biocombustíveis.

De acordo com a projeção da candidata, até 2030, uma política ativa de incentivos à adoção de energias renováveis poderá gerar cerca 3,9 milhões de empregos diretos e indiretos. O plano aponta também previsão do Ministério de Minas e Energia, segundo a qual a implementação do RenovaBio deverá criar 1,4 milhão de empregos nesse período. O programa é parte de uma estratégia para recolocar os biocombustíveis na matriz energética brasileira.

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'Candidatos verdes', Marina Silva e Eduardo Jorge apostam em energias renováveis para criar empregos no Brasil.

Combate ao desmatamento pode gerar empregos

O plano de Marina, que tem como vice Eduardo Jorge, do Partido Verde, prevê também que a preservação do meio ambiente pode contribuir para reduzir o desemprego. De acordo com o documento, apenas a indústria de árvores plantadas atual emprega de forma direta e indireta quase 4 milhões de pessoas.

Já a recuperação de florestas nativas teria elevado potencial de criação de emprego e renda. Segundo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) citado no plano, 200 empregos diretos e indiretos são criados para cada mil hectares de áreas em recuperação. "Levando em conta que, como signatário do Acordo de Paris, o Brasil assumiu o compromisso de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030, isso teria o potencial de criação de milhões de empregos adicionais", diz o texto.

Reduzir custos de contratação

No tópico sobre economia e emprego, Marina defende uma agenda para dinamizar a economia, com inovação, redução da insegurança jurídica e das incertezas regulatórias. Ela promete uma diminuição dos custos de contratação do trabalho formal e orientação dos programas sociais à inserção produtiva.

Por outro lado, o plano de governo afirma que "a criação de empregos dignos será o foco central de nossas políticas econômicas e sociais". A candidata defende uma revisão das prioridades de intervenção estatal, a fim de incentivar atividades que de fato geram mais empregos. Marina também aposta em investimentos em obras de infraestrutura para criação de empregos formais.

Em entrevistas, a candidata já defendeu uma revisão da reforma trabalhistas adotada pelo governo de Michel Temer. Ela criticou mudanças na autorização para mulheres grávidas trabalharem em locais insalubres e alterações que dificultaram acesso à Justiça por pessoas de baixa renda, além dos horários reduzidos na jornada de trabalho e almoço.

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Apenas a indústria de árvores plantadas atual emprega de forma direta e indireta quase 4 milhões de pessoas, diz plano de governo de Marina Silva.

No tópico sobre educação do plano de governo, a presidenciável promete valorizar o ensino técnico e profissional, a fim de buscar maior integração às demandas do mercado de trabalho. Ela cita como objetivo reduzir o alto índice de evasão do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

A preocupação com a criação de vagas também aparece no tópico sobre direitos humanos do documento. Marina defende reformular as políticas relativas ao primeiro emprego e incentivar políticas de apoio ao empreendedorismo juvenil, com cursos de capacitação e acesso a crédito e microcrédito. "Milhões de jovens terminam o ensino médio ou a faculdade e não conseguem emprego ou estão subempregados", diz o texto.

No Brasil, falta trabalho atualmente para 27,6 milhões de brasileiros, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnal) trimestral divulgada nesta quinta-feira (16) pelo IBGE. Além dos 13 milhões de desempregados, o montante inclui 6,5 milhões de subocupados e 8,1 milhões de pessoas que poderiam trabalhar, mas não trabalham.

Subocupados são pessoas trabalham menos de 40 horas semanais e gostaria de trabalhar mais. O último grupo inclui 4,8 milhões de desalentados, brasileiros que desistiram de procurar emprego, e outras 3,3 milhões de pessoas que podem trabalhar, mas que não têm disponibilidade por algum motivo, como mulheres que deixam o emprego para cuidar os filhos.