POLÍTICA
23/08/2018 17:50 -03 | Atualizado 23/08/2018 22:20 -03

Quem é Paulo Guedes, o 'posto Ipiranga' de Jair Bolsonaro

Ultraliberal, coordenador do programa de Bolsonaro para a economia tem dito que o candidato representa a 'ordem' e ele, o 'progresso'.

O economista Paulo Guedes é o indicado de Bolsonaro para assumir o 'Ministério da Economia'.
Sergio Moraes/Reuters
O economista Paulo Guedes é o indicado de Bolsonaro para assumir o 'Ministério da Economia'.

"O Paulo Guedes é o meu posto Ipiranga."

É assim que Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência da República, se refere ao economista Paulo Guedes, coordenador de seu plano econômico. É o nome de Guedes que o ex-capitão do Exército evoca sempre que precisa falar sobre economia, assunto que admitiu não dominar.

O economista chegou a esboçar uma pré-campanha com Luciano Huck, mas fechou com Bolsonaro quando o apresentador de TV desistiu de se candidatar. Com carreira construída no mercado financeiro, Guedes tem a missão de convencer os investidores a apostarem em Bolsonaro —o candidato preferido do mercado é Geraldo Alckmin (PSDB).

Fundador do Instituto Millenium e do BTG Pactual e sócio da Bozano Investimentos, Guedes é PhD pela Universidade de Chicago, templo do pensamento econômico liberal. Crítico ferrenho dos governos social-democratas do PT e do PSDB, o economista propõe a privatização de tudo que for possível vender. "Não há limite", disse à revista Veja.

A trajetória militar e parlamentar de Bolsonaro sugere que ele seja um estatista, mas o candidato garante que não.

"Que a nossa economia realmente passe a ser liberal. Este é o nosso sonho", disse Bolsonaro no início do programa Roda Viva, no final de julho, quando indagado sobre o legado quer gostaria de deixar para o Brasil, caso eleito.

O candidato também foi questionado sobre se teria um "plano B" para a economia, caso entre em conflito de ideias com Guedes. "Não tenho um plano B. Para a tristeza da esquerda e dos estatizantes, nós não morreremos, não", respondeu.

Sergio Moraes/Reuters
Jair Bolsonaro conversa com Paulo Guedes em evento no Rio de Janeiro, em 6 de agosto.

Esse discurso liberal tem amadurecido com a campanha, e Bolsonaro chegou a dizer que até a Petrobras poderá ser privatizada. Em entrevistas, o 'posto Ipiranga' do candidato explica que esse programa radical de privatizações seria o pontapé inicial de um projeto de ajuste fiscal.

Se Bolsonaro for eleito, Guedes assumirá o "superministério" da Economia, reunindo as funções hoje desempenhadas pelas pastas da Fazenda, do Planejamento e da Indústria e Comércio.

Com o slogan "mais Brasil, menos Brasília", a equipe de Bolsonaro promete desmontar o "Estado-máquina" e descentralizar o poder, redistribuindo recursos para estados e municípios. Essa é a principal aposta de Guedes para garantir governabilidade a Bolsonaro no Congresso Nacional, que também dependerá de uma aliança com a centro-direita.

E assim vai ganhando forma um governo que seria conservador nos costumes e liberal na economia, como ambos gostam de classificar.

'Ordem e progresso'

Guedes também tem dito que Bolsonaro representa a ordem e ele, o progresso. Em entrevista ao InfoMoney em maio, o economista afirmou que o bom desempenho do candidato nas pesquisas se deve ao sentimento da população brasileira, que "grita 'segurança', e não 'economia'".

"Você sabe qual é a função básica de um governo? Se você perguntar isso para um social-democrata, ele dirá que é saúde, educação. Mas não é isso. Essa pauta é recente na história, surgiu há uns 300 anos, depois da Revolução Francesa. A função básica de um governo é preservar vidas e propriedades, e surgiu 500 anos atrás, com Thomas Hobbes e depois com John Locke", disse Guedes na ocasião.

"É o que o Bolsonaro está dizendo: preservar vidas e propriedades. Então o Bolsonaro está subindo porque ele significa uma expectativa de ordem sobre essa agenda que foi ignorada nos últimos 30 anos", completou.