POLÍTICA
23/08/2018 08:47 -03 | Atualizado 18/09/2018 14:43 -03

Amoêdo sobre crise da Coca-Cola: ‘O Brasil exagera nas renúncias fiscais’

Em sabatina ao HuffPost e Yahoo!, candidato do Novo diz que desonerações fiscais criam distorções no mercado.

LightRocket via Getty Images

Candidato à Presidência pelo Novo, João Amoêdo é taxativamente contrário às renúncias fiscais que o governo federal tem concedido a alguns setores da economia. "Acho que a gente tem exagerado nas renúncias fiscais. A gente tem alguma coisa como R$ 284 bilhões de renúncias fiscais e 44% desse valor não tinha uma avaliação. Está valendo a pena?", questionou, ao ser sabatinado por jornalistas do HuffPost Brasil e do Yahoo! Notícias.

Assista à íntegra da sabatina:

A declaração do candidato leva em conta a crise da Coca-Cola, na qual a multinacional pede ao governo que reconsidere a redução do IPI para fabricantes de refrigerantes. Isso mesmo, a empresa está insatisfeita com a redução de um impostos.

A empresa quer que a alíquota, em vez de baixar de 20% para 4%, fique em 15%. Isto porque a redução implicaria em custo maior para Coca-Cola, a Brasil Kirin, a Ambev, entre outras gigantes do setor. A produção do concentrado dos refrigerantes fica na Zona Franca de Manaus e, por lei, as fabricantes recebem isenção do IPI na venda do produto para seus envasadores. Esses créditos são usados para rebater o custo de outros impostos.

Entenda a crise da Coca-Cola

Privilégio

"A gente não pode esquecer nunca que essas desonerações são rendas que deixaram de serem pagas pela Coca-Cola ou algum outro que vai ser paga por outro consumidor. Eventualmente quem está pagando é quem mais precisa. A gente precisa acabar com uso desses privilégios, dessas desonerações e deixar um mercado mais livre", diz o presidenciável.

A gente precisa acabar com uso desses privilégios, dessas desonerações e deixar um mercado mais livre.

Para Amoêdo, o Estado não pode interferir no mercado. "O problema das desonerações fiscais é que você cria distorções e enviesa o mercado. E o pior: você cria uma demanda de alguns setores para pedir ao governo desonerações fiscais. Em vez de eles trabalharem no desenvolvimento de sua competitividade, no processo tecnológico, eles vêm pedir uma desoneração para o seu produto. Isso é ruim, você dá poder ao governo quando deveria dar ao consumidor, para ele fazer a melhor escolha", explica.

O presidenciável questiona quantos empregos foram criados quando o governo exonerou a folha de pagamento e quantos empregos. "O setor automobilístico, por exemplo, tem algumas desonerações e não tem uma mensuração, mas isso trouxe de fato melhoria na qualidade do veículo? Temos preços mais competitivos", pergunta.