POLÍTICA
22/08/2018 16:08 -03 | Atualizado 22/08/2018 16:13 -03

Primeiro programa da campanha do PT tem tom emocional

“Só tem um jeito para o Brasil. É a gente voltar a acreditar no povo brasileiro”, diz ex-presidente.

Reprodução/Facebook
Na fala com imagens de pessoas comuns, Lula defende direito à aposentadoria, educação, aumento salarial e emprego e critica “corte para mais pobres”, em uma referência indireta à políticas do governo de Michel Temer.

O PT adotou um tom emocional no primeiro programa de campanha presidencial. Na prévia divulgada nesta quarta-feira (22), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é apontado como esperança do povo para reconstruir o Brasil. Registrado como candidato, o petista pode ser considerado inelegível pela Lei da Ficha Limpa.

No início da peça, Fernando Haddad, registrado como vice na chapa presidencial defende o direito de o ex-presidente estar na corrida eleitoral e destaca o apoio popular do ex-torneiro mecânico. O ex-prefeito de São Paulo tem sido o representante da campanha nos atos pelo Nordeste e é nome dado como certo para substituir Lula, caso sua candidatura seja barrada.

"Muita gente imaginou que esse dia não chegaria. Acharam que o povo ia abandoná-lo. Acharam que nós íamos abandoná-lo. Nada disso aconteceu", diz Haddad em imagens gravadas na última quarta-feira (15), dia do registro da candidatura. Na data, militantes ligados a movimentos como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), marcharam até o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em apoio ao petista.

Sem mencionar diretamente a condenação de Lula por corrupção e lavagem de dinheiro, Haddad diz que o presidenciável foi perseguido e acusado injustamente. Ele se apresenta como candidato a vice e destaca que o ex-presidente é líder nas pesquisas eleitorais.

De acordo com sondagem do Datafolha divulgada nesta quarta, Lula lidera com 39% das intenções de voto. Pesquisa Ibope publicada na segunda-feira (20) mostra cenário semelhante, com 37%.

A segunda parte do vídeo tem o ex-presidente como protagonista. Ele inicia com a saudação "meus amigos e minha amigas" e agradece o apoio dos brasileiros. Na fala com imagens de pessoas comuns, Lula defende direito à aposentadoria, educação, aumento salarial e emprego e critica "corte para mais pobres", em uma referência indireta à políticas do governo de Michel Temer.

Em uma associação que busca aproximar o PT da população, Lula é apontado por participantes do vídeo como esperança para recuperação econômica e política do Brasil. "Só tem um jeito para o Brasil. É a gente voltar a acreditar no povo brasileiro", diz ex-presidente. Ele promete "colocar a economia para funcionar" e "circular o dinheiro nas mãos das pessoas desse País".

No final, a peça reforça a associação entre os brasileiros e a chapa petista. "É o Lula. É Haddad. É o povo. É o Brasil feliz de novo", diz a música de encerramento. Há também uma refrêmncia à coligação formada por PT, PCdoB e PROS, chamada O Povo Feliz de Novo.

Bloomberg via Getty Images

Imagens gravadas antes da prisão

As imagens de Lula foram gravadas antes de ele ser preso, em 7 de abril. O candidato foi condenado em 2ª instância no caso do tríplex do Guarujá a 12 anos e 1 mês de prisão. Desde então, o PT não conseguiu autorização judicial para gravar imagens do presidenciável. Todos pedidos foram negados.

Nestas eleições, uma nova regra é que o candidato deve aparecer em, pelo menos, 75% do tempo geral da propaganda em rádio e televisão, de acordo com regras aprovadas na reforma eleitoral de 2015. As imagens externas são permitidas apenas com participação do candidato. De acordo com a Lei 13.165/2015, são vedadas também montagens, trucagens, computação gráfica, desenhos animados e efeitos especiais.

Com as alianças, o PT terá cerca de 2 minutos de propaganda eleitoral em rádio e televisão, que começa em 31 de agosto.

A expectativa é que o TSE decida sobre a candidatura de Lula na primeira semana de setembro, após o início do horário eleitoral. O relator, ministro Luís Roberto Barroso, sinalizou que irá cumprir todos os prazos. A defesa deve esperar até a data limite, prevista para 30 de setembro, para se pronunciar.